Brasil
Bioplástico e inovação juvenil: ciência em ação nos estandes da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
Enquanto o oceano enfrenta a pressão da poluição e a degradação de habitats, dois projetos brasileiros mostram caminhos práticos para proteção ambiental nos estandes da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2025. Pesquisadores do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene) transformam biopolímeros bacterianos em plásticos biodegradáveis e produzem mudas de manguezais para recuperar áreas degradadas, enquanto estudantes do Serviço Social da Indústria de Alagoas (Sesi Alagoas) criaram o Desin Craca, um solvente natural que remove cracas dos barcos de pescadores artesanais sem prejudicar o meio ambiente.
Microplásticos e biotecnologia
O Cetene, que é uma das 29 instituições vinculadas ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), faz o monitoramento ambiental em manguezais da Mata Atlântica, avaliando a contaminação por microplásticos em água, sedimentos, plantas e organismos aquáticos, como peixes, camarões e bivalves. A pesquisa também desenvolve bioplásticos biodegradáveis e técnicas de cultivo de mudas para restauração de áreas degradadas.
A pesquisadora do Cetene, Cândida Juliana, responsável pelo monitoramento e produção de mudas, explica a abrangência do trabalho: “Nós analisamos diversas matrizes ambientais — água, sedimento, plantas e todos os organismos aquáticos — e detectamos partículas de plástico em todos esses compartimentos. Nosso objetivo é mostrar como essas partículas afetam o ambiente, as plantas e os peixes”, afirmou.
Segundo a pesquisadora, a pesquisa alia biotecnologia à conservação ambiental, transformando poluentes em soluções sustentáveis. “Cultivamos bactérias capazes de produzir biopolímeros internamente, que transformamos em bioplástico biodegradável, oferecendo uma alternativa ao plástico derivado do petróleo que não se degrada”, explica.
Juventude transformando o litoral alagoano
Em Alagoas (AL), a equipe Séries Robo Câmbio, do Sesi local, desenvolveu o Desin Craca, um solvente natural e biodegradável que remove cracas dos barcos de pescadores artesanais, reduzindo esforço físico e riscos à saúde, especialmente para profissionais idosos. O produto combina bicarbonato de sódio, água oxigenada e vinagre, funciona em 20 minutos e pode ter resíduos descartados no lixo orgânico comum.
Mharia Eduarda Ferreira, de 15 anos, é uma das líderes da equipe e estudante do 1º ano no Sesi Alagoas, explica que é possível usar a ciência como um meio de cuidar da população. “Nossa região é totalmente litorânea e os pescadores têm dificuldade de trabalhar porque cracas grudam nos barcos. Desenvolvemos o Desin Craca para encontrar o equilíbrio entre ajudar o profissional e preservar o meio ambiente.”
O projeto está em fase de testes em parceria com a Federação dos Pescadores do Estado de Alagoas, abrangendo seis regiões litorâneas: Ipioca, Maraial de Odore, São Miguel dos Milagres, Marcílio e Parieira. A equipe quer expandir o uso e, futuramente, comercializar a solução. Maria Eduarda detalha o impacto social: “Os pescadores artesanais são a base econômica de Alagoas, mas não têm visibilidade social ou governamental. A partir do projeto, eles garantem uma renda mais saudável e participam mais ativamente da comunidade”, afirmou Mharia.
Essas iniciativas mostram como ciência e tecnologia podem se unir à preservação ambiental e à melhoria da vida nas comunidades costeiras: enquanto uma pesquisa integra monitoramento de ecossistemas, biotecnologia e restauração ecológica, a outra aplica soluções práticas para desafios cotidianos do litoral.
A 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia segue até domingo (26). O evento é promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, sob a coordenação da Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes), e conta com o patrocínio de Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); Huawei do Brasil Telecomunicações Ltda; Caixa Econômica Federal; Positivo Tecnologia S.A.; Conselho Federal dos Técnicos Industriais (CFT); Banco do Nordeste do Brasil S.A. (BNB); Conselho Federal de Química (CFQ); Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur); Comitê Gestor da Internet no Brasil / Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (CGI.br e NIC.br) e Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (Aiab).
Brasil
Parceria entre Ministério da Saúde e Caixa garante cerca de R$ 1 bilhão para instituições filantrópicas
O Ministério da Saúde e a Caixa Econômica Federal firmaram, nesta quarta-feira (3/6), contratos que viabilizam a liberação de aproximadamente R$ 1 bilhão para oito instituições hospitalares filantrópicas do país. As unidades integram a rede complementar do Sistema Único de Saúde (SUS) e são referência na oferta de atendimentos especializados. Os recursos serão destinados por meio da linha de crédito “Caixa Hospitais FGTS”, que oferece condições facilitadas de financiamento, contribuindo para o equilíbrio financeiro dos hospitais e Santas Casas para a continuidade da assistência para pacientes da rede pública.
“Temos a expectativa de chegar, nos próximos dias, a R$ 2 bilhões em contratos de financiamento da Caixa para essas instituições. Essas instituições têm um papel importante para a população atendida pelo SUS. Para se ter uma ideia, em 2025, nós realizamos 14,9 milhões de cirurgias, 42% a mais do que foi feito em 2022. A maior parte dessas cirurgias foram feitas pelos hospitais filantrópicos e pelas Santas Casas”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Os contratos assinados nesta quarta-feira contemplam:
- Associação de Combate ao Câncer de Goiás (GO)
- Santa Casa da Misericórdia de São Paulo (SP)
- Santa Casa de Porto Alegre (RS)
- Hospital José Silveira (BA)
- Instituto de Câncer de Londrina (PR)
- Associação Hospitalar Vila Nova (RS)
- Sociedade Portuguesa de Beneficência de Campos (RJ)
- Fundação Assistencial da Paraíba (PB)
Além das contemplações desta etapa, outras 115 instituições já receberam aval para apresentar propostas de financiamento à linha CAIXA Hospitais FGTS. São unidades hospitalares habilitadas pelo programa Agora Tem Especialistas na modalidade crédito financeiro.
Hospitais filantrópicos e Santas Casas no Brasil
No total, existem 1.959 instituições filantrópicas no país, sendo 324 Santas Casas. As unidades oferecem uma ampla variedade de especialidades e serviços, incluindo clínica médica, cirurgia geral, ortopedia, cardiologia, oncologia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, além de leitos de terapia intensiva e atendimento de urgência e emergência. Com essa estrutura, as instituições contribuem diretamente para a redução do tempo de espera, ampliação do acesso a tratamentos especializados e o fortalecimento da assistência hospitalar em municípios de diferentes localidades.
Toda essa rede assistencial registrou nos últimos três anos (2023-2025), um total de 839,6 milhões de atendimentos ambulatoriais e 17,3 milhões de internações. O custo desses procedimentos para o Governo do Brasil foi de R$ 56,3 bilhões. Os números refletem a dimensão da rede filantrópica no atendimento à população brasileira e sua importância para a garantia do acesso aos serviços de saúde em todo o país.
Eduarda Paixão
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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