Brasil
Novas regras garantem mais segurança em contêineres usados como alojamentos e escritórios
A Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP) aprovou, com 95% de consenso, o Anexo IV da Norma Regulamentadora nº 24 (NR-24), que estabelece, pela primeira vez, regras específicas para o uso de módulos pré-fabricados e contêineres marítimos transformados para ocupação humana. A medida representa um avanço significativo na promoção de ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e adequados para trabalhadores que utilizam essas estruturas como refeitórios, dormitórios, escritórios ou instalações de apoio.
O novo anexo, aprovado na 28ª reunião da CTPP, define requisitos mínimos de segurança, higiene e conforto aplicáveis a todas as atividades econômicas, acompanhando a crescente utilização desses espaços no país. A iniciativa traz mais clareza e padronização, garantindo melhores condições de trabalho e reduzindo riscos associados ao uso inadequado dessas estruturas.
De acordo com o diretor de Segurança e Saúde no Trabalho do MTE e coordenador da CTPP, Alexandre Scarpelli, a aprovação do novo anexo constitui um marco na regulamentação dessas estruturas no país. “Estamos estabelecendo regras claras para a utilização de contêineres e módulos pré-fabricados amplamente usados como alojamentos, refeitórios e outras instalações de apoio. Isso significa garantir mais conforto, segurança e um ambiente de trabalho saudável para os trabalhadores, ao mesmo tempo em que oferecemos diretrizes técnicas para que empresas e fabricantes desenvolvam projetos adequados e em conformidade com a legislação”, destacou.
A construção da Norma seguiu o modelo de diálogo social tripartite, com participação do governo, trabalhadores e empregadores. O processo incluiu Análise de Impacto Regulatório (AIR), consulta pública com mais de 150 contribuições e seis reuniões técnicas, assegurando equilíbrio entre proteção ao trabalhador e segurança jurídica para empresas e fabricantes.
Além de melhorar diretamente as condições de trabalho, o novo anexo também orienta o mercado ao estabelecer parâmetros técnicos para fabricação e adaptação de contêineres, contribuindo para a qualidade dos projetos e para a conformidade com a legislação nacional.
Durante a reunião, a CTPP deliberou pela manutenção das regras atuais da NR-16 para o abastecimento de aeronaves, com base em Análise de Impacto Regulatório que recomendou a não alteração do texto. Também foi prorrogado o prazo da consulta pública do Anexo I da NR-4, ampliando a participação da sociedade no processo normativo.
No âmbito da NR-35 (Trabalho em Altura), foram aprovadas mudanças que reforçam a segurança no uso de escadas fixas verticais, incluindo a exigência de análise de risco, inspeções por profissionais qualificados e verificação periódica das condições de uso, além da definição de prazos escalonados para adequação. A norma passa a exigir, ainda, que os treinamentos sejam realizados obrigatoriamente de forma presencial.
Por fim, foi prorrogada por mais seis meses a suspensão de trecho da NR-38 relacionado ao uso de calçado de segurança tipo tênis, que permanece em análise técnica.
Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP)
A Comissão Tripartite Paritária Permanente é o fórum oficial do Governo do Brasil dedicado à discussão de segurança e saúde no trabalho, com ênfase nas Normas Regulamentadoras (NRs). Sua principal função é fomentar o diálogo social, visando à melhoria das condições e do ambiente de trabalho no Brasil.
Atualmente, a CTPP é regida pelo Decreto nº 11.496, de 19 de abril de 2023, que substituiu o Decreto nº 10.905, de 2021. Presidida pelo secretário de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, a comissão conta com a participação de representantes dos trabalhadores e empregadores, além de representantes dos Ministérios da Previdência Social; Saúde; Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; e da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (FUNDACENTRO).
Acesse a página da CTPP e saiba mais.
Brasil
Parceria entre Ministério da Saúde e Caixa garante cerca de R$ 1 bilhão para instituições filantrópicas
O Ministério da Saúde e a Caixa Econômica Federal firmaram, nesta quarta-feira (3/6), contratos que viabilizam a liberação de aproximadamente R$ 1 bilhão para oito instituições hospitalares filantrópicas do país. As unidades integram a rede complementar do Sistema Único de Saúde (SUS) e são referência na oferta de atendimentos especializados. Os recursos serão destinados por meio da linha de crédito “Caixa Hospitais FGTS”, que oferece condições facilitadas de financiamento, contribuindo para o equilíbrio financeiro dos hospitais e Santas Casas para a continuidade da assistência para pacientes da rede pública.
“Temos a expectativa de chegar, nos próximos dias, a R$ 2 bilhões em contratos de financiamento da Caixa para essas instituições. Essas instituições têm um papel importante para a população atendida pelo SUS. Para se ter uma ideia, em 2025, nós realizamos 14,9 milhões de cirurgias, 42% a mais do que foi feito em 2022. A maior parte dessas cirurgias foram feitas pelos hospitais filantrópicos e pelas Santas Casas”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Os contratos assinados nesta quarta-feira contemplam:
- Associação de Combate ao Câncer de Goiás (GO)
- Santa Casa da Misericórdia de São Paulo (SP)
- Santa Casa de Porto Alegre (RS)
- Hospital José Silveira (BA)
- Instituto de Câncer de Londrina (PR)
- Associação Hospitalar Vila Nova (RS)
- Sociedade Portuguesa de Beneficência de Campos (RJ)
- Fundação Assistencial da Paraíba (PB)
Além das contemplações desta etapa, outras 115 instituições já receberam aval para apresentar propostas de financiamento à linha CAIXA Hospitais FGTS. São unidades hospitalares habilitadas pelo programa Agora Tem Especialistas na modalidade crédito financeiro.
Hospitais filantrópicos e Santas Casas no Brasil
No total, existem 1.959 instituições filantrópicas no país, sendo 324 Santas Casas. As unidades oferecem uma ampla variedade de especialidades e serviços, incluindo clínica médica, cirurgia geral, ortopedia, cardiologia, oncologia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, além de leitos de terapia intensiva e atendimento de urgência e emergência. Com essa estrutura, as instituições contribuem diretamente para a redução do tempo de espera, ampliação do acesso a tratamentos especializados e o fortalecimento da assistência hospitalar em municípios de diferentes localidades.
Toda essa rede assistencial registrou nos últimos três anos (2023-2025), um total de 839,6 milhões de atendimentos ambulatoriais e 17,3 milhões de internações. O custo desses procedimentos para o Governo do Brasil foi de R$ 56,3 bilhões. Os números refletem a dimensão da rede filantrópica no atendimento à população brasileira e sua importância para a garantia do acesso aos serviços de saúde em todo o país.
Eduarda Paixão
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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