Brasil
Protagonismo estudantil marca exposição de maquetes na 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
Imaginar o futuro da própria escola é um exercício poderoso e foi exatamente isso que estudantes da rede pública do Distrito Federal fizeram ao apresentar maquetes dos Laboratórios Maker, durante a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), em Brasília (DF).
Foram apresentadas 15 maquetes em uma iniciativa que é integrada ao programa Mais Ciência na Escola, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), e mostrou ao público espaços pedagógicos pensados pelos próprios alunos para estimular a criatividade, a experimentação e a aprendizagem prática.
Os laboratórios maker são espaços que oferecem acesso a ferramentas tecnológicas com objetivo de estimular a elaboração e a execução de projetos e de promover a aprendizagem com criatividade e experimentos práticos.
As maquetes apresentadas incluem áreas de robótica, modelagem 2D, 3D e produção audiovisual, com adaptações conforme a necessidade e o projeto pedagógico de cada escola. Entre os projetos, os alunos apresentaram um estúdio audiovisual e a criação do laboratório maker da escola.
O coordenador do projeto e professor de Licenciatura em Computação da UnB, Jorge Fernandes, destacou que a iniciativa visa implementar laboratórios de fabricação digital e audiovisual nas escolas, apoiando novas metodologias de ensino e aproximando o conhecimento da realidade dos estudantes. “O projeto busca desenvolver e implementar 15 laboratórios com pedagogias maker dentro de escolas públicas do DF. Cada instituição está desenhando como o laboratório vai funcionar, que tipo de equipamentos terá e quais atividades pedagógicas serão realizadas”, explicou.
Para Fernandes, o diferencial da ação está em colocar os jovens no centro da construção do espaço e do processo de aprendizagem. “O laboratório não é apenas a aquisição de equipamentos, mas a implementação de uma nova maneira de aprender, mais criativa, colaborativa e conectada com a vida dos estudantes.”
A diretora de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Juana Nunes, destacou que a construção dos Laboratórios Maker é um processo coletivo que envolve escola, universidade e estudantes bolsistas, e que a essência do programa está na participação ativa da comunidade escolar.
“É a mão na massa mesmo. A comunidade escolar participa de cada etapa da construção do laboratório, e isso é muito importante. Queremos que o espaço seja a expressão da vontade daquela escola. O professor da educação básica trabalha junto com a universidade e com os estudantes bolsistas, planejando o uso do laboratório a partir das necessidades e sonhos daquela comunidade. Isso melhora a aprendizagem e incentiva a formação de futuros cientistas da escola pública brasileira”, finalizou.
Além do envolvimento dos professores e estudantes das escolas públicas, a iniciativa conta com participação ativa de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), que acompanham de perto o desenvolvimento dos laboratórios e das atividades pedagógicas. Para eles, a criação das maquetes representa muito mais do que o planejamento de um espaço físico: é um exercício de autonomia, pertencimento e visão de futuro.
O professor Marcelino Pedrosa, do Centro de Ensino Fundamental Ponte Alta do Baixo, localizada na zona rural do Gama (DF), lembrou que sua escola não recebia investimentos ou projetos estruturantes, o que ampliou o impacto da participação no programa. “Os alunos passaram a ficar o dia inteiro na escola, dedicados ao projeto. Esse programa mostra que mesmo estudantes de áreas rurais podem sonhar grande, podem ser médicos, advogados, cientistas, o que quiserem”, pontuou.
Protagonismo estudantil
Além de pensar e desenhar o laboratório, muitos estudantes têm um papel especial dentro do projeto: eles são monitores. O professor Hélio Henrique acompanha alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental que recebem bolsa para ajudar na organização das atividades, apoiar colegas e incentivar novas ideias dentro do laboratório.
“É um só coordenador e dez monitores para todos os alunos. Eles são bolsistas. Isso faz diferença porque eles se sentem responsáveis. Eles cuidam da sala, acolhem os colegas e ajudam a planejar”, conta Hélio Henrique.
Para o monitor e estudante do ensino fundamental, Mikael de Moura, de 13 anos, o laboratório deve ser um espaço aberto a todos os professores e áreas do conhecimento. “A sala não é só para audiovisual. Qualquer professor pode usar: o de matemática pode criar cubos, o de ciências pode montar um DNA em 3D”, contou.
A colega Sofia da Silva, também de 13 anos, reforçou que, para eles, o projeto representa um sonho em construção. “Por enquanto, a gente só tem a sala. Mas imaginar o laboratório já mudou muita coisa, é um sonho. A gente começou a aprender mais e gostar mais de estar junto pensando em projetos”, disse.
A exposição contou com etapas de avaliação interna e votação aberta ao público. As três propostas mais votadas receberão reconhecimento simbólico e materiais educativos que reforçam o trabalho desenvolvido.
A expectativa é que os laboratórios estejam em operação até o final de 2026, fortalecendo práticas pedagógicas inovadoras e aproximando estudantes da ciência e da tecnologia de forma prática e significativa.
Premiação das maquetes
A participação dos alunos da rede pública do DF na 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia se encerrou com um momento de reconhecimento às escolas, com premiações definidas a partir de dois critérios: avaliação técnica e votação popular. A avaliação técnica das 15 maquetes apresentadas foi feita por estudantes da UnB, considerando três dimensões: adequação ao projeto pedagógico, precisão técnica da maquete e criatividade na apresentação.
Na avaliação técnica, o primeiro lugar ficou com o Centro de Ensino Fundamental 26 de Ceilândia. O segundo lugar foi conquistado pelo Centro de Ensino Fundamental 104 Norte, e o terceiro pelo Centro de Ensino Fundamental 201 de Santa Maria. Já na votação popular, que contou com cerca de 400 votos do público visitante, o primeiro lugar foi para a Escola Bilíngue Libras e Português de Taguatinga. O Centro Educacional 02 de Brasilândia ficou em segundo lugar, e o Centro de Ensino Fundamental Tamanduá, escola da zona rural do Gama, conquistou o terceiro lugar.
Durante a premiação, o coordenador do projeto, Jorge Fernandes, destacou que o objetivo não é promover competição, mas compartilhar ideias e fortalecer uma rede de escolas inovadoras.
“Esse momento não é sobre quem ganha ou não um troféu. Cada maquete aqui representa um pedaço da realidade e das aspirações de uma escola. A escola pública brasileira produz ciência, criatividade e solução. Nossa tarefa é aumentar essa rede, fazer com que uma escola aprenda com a outra e que a universidade esteja junto nesse processo de transformação”, finalizou.
Programa Mais Ciência na Escola
O programa Mais Ciência na Escola é uma ação conjunta entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Ministério da Educação (MEC), com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A iniciativa marca a implementação de 15 Laboratórios Maker até 2026 em escolas públicas do Distrito Federal, como parte de uma política de fortalecimento da educação científica e da inovação no ambiente escolar.
A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, onde os trabalhos foram apresentados, é promovida pelo MCTI, sob a coordenação da Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes), e conta com o patrocínio de Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); Huawei do Brasil Telecomunicações Ltda; Caixa Econômica Federal; Positivo Tecnologia S.A.; Conselho Federal dos Técnicos Industriais (CFT); Banco do Nordeste do Brasil S.A. (BNB); Conselho Federal de Química (CFQ); Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur); Comitê Gestor da Internet no Brasil / Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (CGI.br e NIC.br) e Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (Aiab).
Brasil
Regionalização do SUS é destaque no encerramento do Congresso do Conasems
A construção de redes regionalizadas de atenção à saúde e o fortalecimento da governança interfederativa estiveram no centro do encerramento do 39º Congresso Nacional do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), realizado nesta quarta-feira (15), em Porto Alegre (RS). O debate reforçou a necessidade de ampliar a cooperação entre União, estados e municípios para qualificar o atendimento à população e consolidar o Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos desafios atuais e futuros da saúde pública.
Representando o Ministério da Saúde na mesa técnica “Regionalização: os modos de regionalizar e as responsabilidades interfederativas para a efetivação do cuidado em Rede no SUS”, o ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, explicou que a regionalização deve ser compreendida como uma estratégia para alcançar os objetivos do SUS e orientar a organização das redes de atenção. Segundo ele, a governança regional precisa estar articulada ao modelo assistencial e às necessidades concretas da população, permitindo que o sistema responda com mais eficiência às transformações demográficas, epidemiológicas e tecnológicas.
“A regionalização não pode ser entendida como um fim. Ela tem que ser um meio, ancorada aos objetivos estratégicos que o estado brasileiro estabeleceu. A estrutura de governança do sistema precisa estar conectada ao modelo assistencial e à organização das ações de saúde pública”, concluiu.
O processo de regionalização passa pela cooperação entre os três níveis de governo. Os municípios consolidaram seu protagonismo na organização da atenção à saúde nos territórios, enquanto os estados têm papel estratégico na coordenação regional das redes assistenciais. Ao governo federal, cabe ampliar sua presença nos territórios, oferecendo apoio técnico, promovendo a articulação entre os gestores e contribuindo para a superação de desafios estruturais que ultrapassam os limites de atuação de cada ente federativo.
Como parte dessa estratégia, o Ministério da Saúde atua nos territórios, combinando financiamento, apoio técnico e ações estruturantes voltadas ao fortalecimento das redes de atenção. Como exemplos, estão programas como o Mais Médicos e o Agora Tem Especialistas, que incorporam apoio direto aos territórios para enfrentar desafios relacionados à disponibilidade de profissionais de saúde e à ampliação do acesso à atenção especializada.
Também foram apresentadas propostas técnicas de fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, transformação digital, integração das informações em saúde e de incorporação da inovação tecnológica, que devem estar articuladas ao planejamento regional integrado. A avaliação é de que esses elementos são fundamentais para qualificar a coordenação do cuidado, reduzir desigualdades entre os territórios e fortalecer a capacidade de resposta do SUS diante das mudanças demográficas, epidemiológicas e climáticas.
Além do ministro Adriano Massuda, a mesa de encerramento contou com a participação do presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Hisham Mohamad Hamida; do representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil, Cristian Morales Fuhrimann; e do secretário de Estado da Saúde de Santa Catarina, Diogo Demarchi Silva.
Brasil Saudável
No seminário dedicado ao Programa Brasil Saudável, ainda nesta quarta-feira, especialistas, técnicos e gestores públicos discutiram os avanços, desafios e perspectivas da iniciativa, que busca o enfrentamento das doenças determinadas socialmente por meio de ações integradas entre saúde e proteção social. O debate abordou estratégias voltadas à redução das iniquidades étnico-raciais, ao fortalecimento da participação social, à atuação intersetorial e à articulação entre União, estados e municípios para o planejamento de ações alinhadas às necessidades de cada território.
Durante a apresentação, a equipe técnica do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde destacaram a importância da participação dos municípios na construção das estratégias. A proposta é que as ações sejam definidas a partir das prioridades identificadas em cada realidade local, favorecendo respostas mais adequadas aos desafios enfrentados pelos territórios.
Thamirys Santos
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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