Agro
Ibovespa recua com tensão entre EUA e Irã, bolsas globais oscilam e commodities pressionam mercados
O mercado financeiro global iniciou o dia em clima de cautela diante da escalada das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, da volatilidade nas commodities e das incertezas sobre o ritmo da economia mundial. No Brasil, o movimento impactou diretamente o desempenho do Ibovespa, que abriu em queda e segue pressionado por fatores externos e domésticos.
O principal índice da Bolsa brasileira iniciou o pregão com recuo de 0,55%, aos 176.368 pontos, e passou a operar próximo dos 176.101 pontos ao longo da manhã, acumulando desvalorização de 0,70%. O mercado reage principalmente ao cenário internacional mais sensível, além da repercussão da nova pesquisa eleitoral Atlas/Bloomberg e da movimentação cambial.
Petróleo perde força e reduz pressão inflacionária global
Entre os principais fatores que influenciam o humor dos investidores está a queda do petróleo no mercado internacional. A reabertura parcial do Estreito de Ormuz trouxe alívio temporário às cotações do Brent e do WTI, reduzindo parte das preocupações com possíveis interrupções no fluxo global de energia.
A desvalorização do petróleo repercute diretamente em ações ligadas às commodities e ajuda a aliviar temores inflacionários em economias centrais, embora também pressione empresas exportadoras e mercados emergentes dependentes do setor energético.
No câmbio, o dólar opera em leve alta, sendo negociado próximo de R$ 5,02, refletindo a busca global por ativos considerados mais seguros diante das incertezas geopolíticas.
Copasa lidera perdas no Ibovespa após anúncio de follow-on
No cenário corporativo brasileiro, um dos destaques negativos do pregão é a Copasa (CSMG3), que registra queda próxima de 3% após anunciar pedido de registro para uma oferta pública subsequente de ações (follow-on). O movimento faz parte do processo de privatização da companhia e gerou cautela entre investidores no curto prazo.
O mercado também monitora o comportamento das empresas ligadas ao agronegócio, mineração e proteína animal, segmentos altamente sensíveis às oscilações do dólar, do petróleo e da demanda chinesa.
Wall Street fecha em alta impulsionada por tecnologia
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários encerraram a última sessão em alta, recuperando parte das perdas acumuladas nos últimos dias. O avanço foi sustentado principalmente pelas ações de tecnologia e pela expectativa em torno dos resultados corporativos da Nvidia.
O índice Dow Jones subiu 1,31%, enquanto o S&P 500 avançou 1,07%. Já o Nasdaq Composite registrou valorização de 1,54%, reforçando o apetite por ações ligadas à inteligência artificial e semicondutores.
O mercado norte-americano continua acompanhando atentamente os desdobramentos das negociações entre Washington e Teerã. O presidente Donald Trump afirmou que as conversas com o Irã entraram na fase final, mas voltou a alertar sobre possíveis ataques caso não haja acordo.
Bolsas europeias avançam com tecnologia e defesa
Na Europa, as bolsas encerraram o pregão em forte alta, impulsionadas pelos setores de tecnologia e defesa. Investidores também repercutiram a expectativa pelos resultados da Nvidia, considerada hoje uma das principais referências globais do setor de inteligência artificial.
O índice pan-europeu Stoxx 600 avançou 1,5%, aos 620,29 pontos. Entre os principais mercados do continente, o DAX, da Alemanha, subiu 1,38%, enquanto o CAC 40, da França, avançou 1,70%. O FTSE 100, do Reino Unido, encerrou o dia com ganhos de 0,99%.
Bolsas asiáticas sofrem com realização de lucros em chips e IA
Na Ásia, o cenário foi mais negativo. As bolsas chinesas registraram forte correção após semanas de valorização concentrada em empresas de tecnologia, inteligência artificial e semicondutores.
O índice de Xangai caiu 2,04%, registrando sua maior queda diária desde março e encerrando abaixo dos 4.100 pontos. Já o CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 1,39%.
As perdas foram lideradas pelas ações de chips e inteligência artificial. O índice STAR 50, voltado ao setor de tecnologia, caiu 3,7%, enquanto o índice de semicondutores do CSI recuou 4,4%.
Em Hong Kong, o índice Hang Seng fechou em baixa de 1,03%, pressionado pela realização de lucros e pelo aumento das incertezas macroeconômicas na China.
Analistas internacionais avaliam que a correção pode continuar no curto prazo, especialmente diante dos indicadores econômicos mais fracos divulgados recentemente pelo governo chinês.
Mercados da Ásia e Oceania encerram sessão sem direção única
Entre os demais mercados asiáticos e da Oceania, o desempenho foi misto:
- Em Tóquio, o índice Nikkei avançou 3,14%, aos 61.684 pontos;
- Em Seul, o Kospi disparou 8,42%, aos 7.815 pontos;
- Em Taiwan, o Taiex subiu 3,37%, aos 41.368 pontos;
- Em Sydney, o S&P/ASX 200 avançou 1,47%, aos 8.621 pontos;
- Em Singapura, o Straits Times teve leve alta de 0,02%.
Investidores monitoram geopolítica, juros e China
O cenário global segue marcado pela combinação entre tensões geopolíticas, volatilidade das commodities, expectativa sobre juros internacionais e desaceleração econômica chinesa.
Para o agronegócio brasileiro, o comportamento dos mercados internacionais continua sendo um fator decisivo para exportações, fluxo cambial e formação de preços de commodities como soja, milho, proteínas animais e minério de ferro.
A tendência é de manutenção da volatilidade nos próximos pregões, principalmente diante das negociações entre Estados Unidos e Irã, das sinalizações dos bancos centrais e dos indicadores econômicos da China e dos Estados Unidos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Açúcar recua nas bolsas internacionais com pressão do dólar, petróleo e avanço da safra no Brasil
O mercado global de açúcar encerrou os últimos pregões pressionado pela valorização do dólar, queda do petróleo e avanço da oferta no Brasil, ampliando o cenário de volatilidade nas bolsas internacionais. Ao mesmo tempo, investidores acompanham com atenção as projeções para a safra 2026/27, os impactos climáticos do El Niño na Ásia e o comportamento da produção brasileira de etanol no Centro-Sul.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o açúcar bruto voltou a registrar perdas, após uma breve recuperação técnica impulsionada pela recompra de posições vendidas por fundos especulativos. O contrato julho/26 fechou cotado a 14,73 cents de dólar por libra-peso, com queda de 1,9% no pregão mais recente. Já o vencimento outubro/26 encerrou a sessão a 15,22 cents/lbp.
Segundo análise da StoneX, o mercado chegou a encontrar sustentação no início da semana diante da redução das posições líquidas vendidas dos fundos e das projeções que indicavam déficit global de 0,55 milhão de toneladas para a safra 2026/27. No entanto, a valorização do índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras moedas, acabou provocando liquidação de posições compradas em commodities, pressionando novamente os preços.
Outro fator que contribuiu para o sentimento negativo foi a queda do petróleo no mercado internacional. Com o petróleo mais barato, o etanol perde competitividade, aumentando a expectativa de maior destinação da cana para produção de açúcar e ampliando a oferta global da commodity.
Mercado acompanha superávit global e produção recorde
As atenções também permanecem voltadas às projeções da Organização Internacional do Açúcar (OIA), que estima produção mundial recorde de 182 milhões de toneladas na safra 2025/26, com superávit global de 2,2 milhões de toneladas.
Além disso, a trading Czarnikow reforçou a pressão sobre o mercado ao divulgar expectativa de excedente global de 1,4 milhão de toneladas na temporada 2026/27, principalmente em função do aumento da produção chinesa.
Apesar do viés baixista atual, operadores seguem atentos ao risco climático provocado pelo El Niño, especialmente sobre lavouras asiáticas. A possibilidade de impactos na produção da Índia e de outros grandes exportadores mantém a volatilidade elevada nas bolsas.
Mix mais alcooleiro limita pressão adicional no Brasil
No Brasil, o avanço da moagem no Centro-Sul continua ampliando a oferta física de açúcar e pressionando os preços internos. Entretanto, o direcionamento maior da cana para produção de etanol ajuda a limitar uma queda ainda mais intensa nas cotações do adoçante.
O indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco em São Paulo registrou nova retração, com a saca de 50 quilos negociada a R$ 93,25, acumulando perdas de 4,76% em maio.
Na ICE Europe, o açúcar branco também apresentou desempenho pressionado. O contrato agosto/26 encerrou estável em US$ 441 por tonelada, enquanto os demais vencimentos oscilaram entre leves altas e baixas moderadas.
Etanol segue estável, mas mercado monitora mudanças regulatórias
No mercado de etanol, os preços seguiram relativamente estáveis em São Paulo, embora ainda com viés de baixa devido à expectativa de maior oferta na safra 2026/27.
O etanol anidro em Ribeirão Preto iniciou a semana cotado a R$ 2,77 por litro, recuou para R$ 2,74 e encerrou próximo de R$ 2,75. O hidratado acompanhou movimento semelhante.
Já o Indicador Diário Paulínia apontou o etanol hidratado a R$ 2.347 por metro cúbico, praticamente estável no comparativo diário, mas ainda acumulando retração de 2,45% em maio.
O mercado também permanece em compasso de espera diante das discussões envolvendo novas regras para formação obrigatória de estoques e a possível ampliação da mistura de etanol anidro na gasolina para E32.
Volatilidade deve continuar no curto prazo
Analistas avaliam que o mercado seguirá altamente sensível aos movimentos do dólar, petróleo e clima nas próximas semanas. O comportamento da safra brasileira, aliado às incertezas sobre produção asiática e demanda global, continuará definindo o rumo das cotações internacionais do açúcar e do etanol.
Mesmo diante das projeções de superávit no curto prazo, o setor monitora sinais de possível aperto na oferta global a partir de 2026/27, o que pode voltar a sustentar os preços internacionais da commodity.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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