Brasil
MJSP fortalece busca por desaparecidos com curso nacional de investigação policial em Aracaju
Brasília, 24/4/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e da Diretoria do Sistema Único de Segurança Pública (DSUSP), finalizou no dia 17/4, em Aracaju (SE), a 5ª edição do curso de Investigação Policial Aplicada à Busca e Localização de Pessoas Desaparecidas. Uma capacitação estratégica voltada ao fortalecimento das ações de enfrentamento ao desaparecimento de pessoas no Brasil.
Com carga horária de 40 horas, o curso reuniu policiais civis dos estados de Sergipe, São Paulo, Pernambuco, Pará, Paraíba, Maranhão e Distrito Federal, promovendo integração entre as unidades federativas, troca de experiências e padronização de procedimentos investigativos em uma das áreas mais sensíveis da segurança pública nacional.
A formação foi estruturada para atender às diretrizes da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas e responder às demandas reais dos profissionais que atuam diretamente na ponta das investigações. O objetivo é ampliar a capacidade de resposta das instituições de segurança pública e reduzir o tempo de localização de pessoas desaparecidas, especialmente nas primeiras horas após o registro da ocorrência.
O curso foi planejado com abordagem prática e estratégica, abrangendo desde os fundamentos legais e os procedimentos iniciais de busca até técnicas avançadas de investigação, como entrevistas especializadas, investigação de seguimento, uso de fontes abertas, identificação humana e comunicação em situações sensíveis com familiares e vítimas indiretas.
O conteúdo pedagógico tem como base o Caderno Temático de Referência: Fundamentos da Busca de Pessoas Desaparecidas e Investigação de Desaparecimento de Pessoas, desenvolvido pelo próprio MJSP como instrumento de consolidação de diretrizes, protocolos e boas práticas para atuação policial em todo o território nacional.
A iniciativa integra um conjunto mais amplo de ações conduzidas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública para fortalecer a política pública de enfrentamento ao desaparecimento de pessoas, incluindo qualificação de dados, fortalecimento da atuação integrada e capacitação contínua dos profissionais da segurança pública.
Tecnologia e integração garantem respostas rápidas em casos de desaparecimento
Entre as ferramentas estratégicas implementadas pelo Governo Federal está o Amber Alert Brasil , sistema de alerta rápido voltado principalmente para casos de desaparecimento de crianças e adolescentes. Implementado por meio de um Acordo de Cooperação com a Meta, o mecanismo permite a divulgação imediata de informações por meio dos feeds do Instagram e Facebook, ampliando significativamente o alcance das buscas e o potencial de localização rápida.
Outro instrumento relevante é o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD) , plataforma que centraliza informações e permite o compartilhamento de dados entre estados, forças policiais e órgãos públicos. O sistema reúne registros, características físicas, fotografias e atualizações de casos, facilitando o cruzamento de informações e a identificação em tempo real. Este sistema possui uma página pública, por meio da qual é possível compartilhar banners de pessoas desaparecidas e prestar informações sobre casos às equipes de busca.
Além da atuação estatal, a participação da sociedade também é considerada essencial. O compartilhamento responsável de informações, a atenção aos alertas oficiais e a colaboração com as forças de segurança podem fazer diferença no desfecho dos casos.
Dados nacionais revelam dimensão do desafio e avanço na localização de desaparecidos
Segundo dados do MJSP, o Brasil registrou 85.320 pessoas desaparecidas em 2025. No mesmo período, 57.554 pessoas foram localizadas, o que demonstra avanços importantes, mas também evidencia a dimensão do desafio enfrentado diariamente pelas forças de segurança pública.
Informações consolidadas pela Senasp apontam que o país mantém uma média anual de cerca de 70 mil registros de desaparecimento, cenário que exige respostas cada vez mais rápidas, coordenadas e eficientes. As primeiras horas após o desaparecimento são consideradas cruciais para o desfecho dos casos, tornando a integração entre instituições e o uso de tecnologia fatores decisivos para o sucesso das investigações.
Apesar dos avanços, desafios ainda persistem. A subnotificação em algumas regiões, dificuldades na padronização de dados e a necessidade de maior conscientização da população ainda impactam os resultados. Campanhas educativas reforçam que o registro de desaparecimento deve ser feito imediatamente, não é necessário aguardar 24 horas para comunicar às autoridades.
Os dados reforçam a importância de políticas integradas, investimento em tecnologia e capacitação permanente dos profissionais da segurança pública, como o curso promovido pela DSUSP e pelo MJSP, que busca transformar investigação qualificada em respostas mais rápidas e humanas para milhares de famílias brasileiras.
Brasil
SUS oferece 100 mil teleatendimentos mensais de saúde mental para mulheres em situação de violência e mães atípicas
O Ministério da Saúde disponibiliza, a partir desta segunda-feira (24), 100 mil teleatendimentos mensais em saúde mental para mulheres em situação de violência e mães atípicas de todo o Brasil. A iniciativa também contempla outros familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras. Durante agenda na Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), a senhora Janja Lula da Silva e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentaram e demonstraram como funciona o serviço, disponível no Meu SUS Digital. A medida amplia o acesso à proteção e ao cuidado, para que nenhuma mulher precise enfrentar situações de vulnerabilidade sozinha.
Também estiveram presentes a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, a ministra das Mulheres substituta, Eutália Barbosa, a diretora de Atenção Integral da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS – AgSUS, Luciana Maciel, e a representante da Central de Movimentos Populares, Thelma Mello.
Durante o lançamento da iniciativa, a senhora Janja Lula da Silva ressaltou a importância de ampliar o acesso ao cuidado em saúde mental para mulheres em situação de violência e para aquelas que exercem atividades de cuidado de familiares. “A gente poderia ter salvado mais vidas se a gente tivesse entendido, há muitas décadas, o que significava saúde mental. E a gente está fazendo isso hoje aqui. Nós, mulheres, precisamos seguir vivas e saudáveis. Nós precisamos e queremos ter uma vida tranquila, confortável, criar nossos filhos sem ter o medo batendo na nossa porta ou entrando pela porta”, afirmou.
Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa amplia o acesso ao cuidado de forma segura e adaptada à realidade das mulheres em situação de vulnerabilidade. “A proposta é oferecer o teleatendimento diretamente à população como uma primeira forma de acolhimento e de início do plano terapêutico. Depois, esse cuidado será articulado com a rede local, nos estados e municípios. Onde essa rede ainda não estiver disponível, o Ministério da Saúde continuará oferecendo o atendimento remoto. A saúde da mulher é prioridade absoluta para nós”, afirmou Padilha.
A iniciativa para mulheres em situação de violência começou em março deste ano, como projeto-piloto nas cidades de Recife (PE) e Rio de Janeiro (RJ). Agora, as consultas remotas contemplam todos os estados brasileiros, além da inclusão de outro público: mães, tias, avós, irmãs e outras familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras, podem acessar o serviço.
A empresária, atriz, modelo, palestrante e ativista pelos direitos das mulheres, Luiza Brunet, também participou da ocasião e reforçou a importância de ferramentas voltadas às mulheres no enfrentamento do ciclo de violência. Para ela, a oferta de acompanhamento psicológico pode representar uma mudança significativa na vida de vítimas de violência. “A parte emocional e psicológica foi uma das mais difíceis da minha vida, quando precisei denunciar a violência e enfrentar um processo. Por isso, a oportunidade que as mulheres terão, a partir de hoje, de receber um atendimento humanizado, de forma mais moderna, é algo maravilhoso”, afirmou.
As notificações de violência física, psicológica, sexual ou financeira contra mulheres, registradas por serviços de saúde públicos e privados, passaram de 167,4 mil, em 2015, para 348,5 mil, em 2025 — um aumento de mais de 100% em dez anos. Os números reforçam a urgência de ampliar o acolhimento e garantir escuta e assistência humanizada.
Quem tem o aplicativo Meu SUS Digital instalado no celular já recebeu uma notificação sobre a nova oferta do teleatendimento, com a mensagem: “Mulheres em situação de violência ou que cuidam de familiares com deficiência ou doenças raras podem agendar teleconsulta com especialista. Toque aqui e conheça o Acolhe Mais”. O recado é importante para que as mulheres conheçam o serviço e busquem apoio.
Passo a passo para acessar o serviço
Para acessar o atendimento, é preciso entrar no aplicativo Meu SUS Digital, com a conta gov.br. Na plataforma, a usuária deve clicar em “Miniapps” e selecionar Acolhe Mais + – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres. Em seguida, será direcionada para a plataforma da AgSUS, onde fará o cadastro e será direcionada de acordo com o seu caso: está vivendo ou viveu algum tipo de violência ou é cuidadora de alguém. Em até 24 horas, a equipe entrará em contato para que a usuária escolha o dia e o horário da consulta. Até a data agendada, ela receberá lembretes e, no dia, o link para acessar o teleatendimento.
No caso de violência, no primeiro contato, serão avaliados possíveis riscos, a rede de apoio e as principais demandas da mulher. Cada usuária poderá realizar até 10 sessões, com possibilidade de iniciar um novo ciclo quando necessário. Ao final das sessões, a pessoa poderá ser encaminhada para a continuidade do cuidado em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou em outro serviço da rede. O CAPS também pode ser procurado diretamente.
O teleatendimento está disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h. A rede de profissionais é composta por psicólogas mulheres, para que as pacientes se sintam mais seguras e confortáveis. As especialistas em saúde mental foram capacitadas pelo Ministério da Saúde para realizar escuta sensível em ambiente virtual, com identificação de situações de risco.
Em situações de risco imediato, a usuária será orientada a buscar atendimento de emergência pelos canais adequados, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou a Polícia Militar, pelo 190. Já para os casos graves que não exijam intervenção emergencial naquele momento, profissionais responsáveis pela articulação do cuidado com os serviços de saúde do território poderão realizar os encaminhamentos necessários, de acordo com as necessidades identificadas.
Quem cuida também precisa de cuidado
No cenário global, 75% do trabalho de cuidado não remunerado é realizado por mulheres, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). É nesse contexto que o serviço de teleatendimento amplia as possibilidades de acesso à assistência, especialmente para mulheres que cuidam, sem remuneração, de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.
A iniciativa considera desafios como a distância, a dificuldade de deslocamento e a falta de tempo, tão presentes na rotina de quem dedica grande parte do dia ao cuidado de outras pessoas. Assim, essas mulheres passam a contar com um espaço de escuta e atenção à própria saúde, sem precisar deixar de lado as responsabilidades que fazem parte do seu dia a dia.
Durante o lançamento do aplicativo, a representante da Central de Movimentos Populares Thelma Mello, ressaltou que a iniciativa poderá salvar vidas. “Essa iniciativa vai dar esperança a muitas mulheres, especialmente às mães atípicas, que muitas vezes enfrentam a sobrecarga do cuidado sem apoio psicológico ou uma rede com a qual possam contar. Ter um profissional de psicologia a um toque de distância, com privacidade, pode salvar a vida dessas mulheres e de seus filhos”, completou.
Em 2023, o Ministério da Saúde atualizou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Pessoa com Deficiência (PNAISPD), prevendo ações e serviços também para familiares. O Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres dá continuidade a esse cuidado e reforça o compromisso do SUS com a saúde de quem cuida.
Julianna Valença
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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