Paraná
Ministério Público do Paraná cria núcleo especializado do Gaeco para enfrentamento da criminalidade fiscal organizada
O Ministério Público do Paraná instituiu nesta semana o Núcleo Especializado Fiscal (NEF), estrutura vinculada ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) voltada ao enfrentamento qualificado da criminalidade fiscal organizada no estado. A criação do novo núcleo foi formalizada por meio da Resolução nº 5999/2026, assinada na terça-feira, 26 de maio, pelo procurador-geral de Justiça, Francisco Zanicotti. O NEF terá atuação estadual e atribuição especializada para investigação e adoção de medidas judiciais relacionadas a infrações penais praticadas por organizações criminosas ou grupos similares na área fiscal e tributária, incluindo crimes de lavagem ou ocultação de bens, falsidades documentais e delitos correlatos.
“O enfrentamento à criminalidade organizada exige atuação cada vez mais técnica, integrada e especializada, especialmente diante da sofisticação das fraudes fiscais estruturadas. Assim, a criação do NEF fortalece a capacidade investigativa do Ministério Público do Paraná e amplia nossa atuação estratégica na identificação de organizações criminosas, no rastreamento de ativos e na recuperação de recursos desviados da sociedade”, destaca o procurador-geral de Justiça, Francisco Zanicotti.
A importância da iniciativa também é destacada pela diretora da Receita Estadual do Paraná, Suzane Gambetta, para quem a criação do núcleo fortalece a união de esforços entre a Receita Estadual, o Ministério Público e as forças policiais do Paraná no combate a grupos que atuam à margem da lei, causam prejuízos ao Estado e alimentam outras práticas criminosas. “Com esse trabalho conjunto, vamos atingir o crime organizado em um de seus pontos mais sensíveis: o bolso”, afirma.
Atribuições – Conforme a resolução, a criação do núcleo considera a necessidade de fortalecimento da atuação integrada e permanente entre o Ministério Público e os órgãos responsáveis pela persecução penal, especialmente diante da crescente complexidade das fraudes fiscais estruturadas vinculadas ao crime organizado. O documento também destaca a importância da adoção de estratégias investigativas proativas, integradas e baseadas em inteligência, além da identificação e recuperação de ativos obtidos ilicitamente.
Entre as atribuições do NEF estão a instauração e condução de procedimentos investigatórios próprios, o rastreamento e a análise de fluxos financeiros, a identificação de patrimônio relacionado às infrações investigadas e a adoção de medidas assecuratórias patrimoniais.
Estrutura – O núcleo atuará de forma integrada com órgãos públicos, como a Secretaria de Estado da Fazenda e as Polícias Civil, Militar e Científica, além de fomentar o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas e metodologias voltadas ao combate à criminalidade fiscal organizada. A estrutura operacional será composta por membros, servidores e residentes jurídicos do Ministério Público, além de auditores fiscais da Secretaria da Fazenda, peritos da Polícia Científica e integrantes das Polícias Civil e Militar.
A resolução prevê ainda a possibilidade de atuação coordenada entre o NEF, o Grupo de Atuação Especializada no Combate à Sonegação Fiscal (Gaesf) e o Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria), inclusive em regime de força-tarefa, para o enfrentamento integrado de ilícitos nas esferas criminal e extrapenal.
Esse é o 11º núcleo do Gaeco do MPPR e o primeiro com atuação temática e atribuição estadual. Os outros dez núcleos são regionais e estão estrategicamente distribuídos pelo Paraná para garantir atuação descentralizada no combate ao crime organizado, nas cidades de Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Francisco Beltrão, Paranaguá e Umuarama.
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Fonte: Ministério Público PR
Paraná
Ministério Público do Paraná denuncia por corrupção e posse ilegal de armas em delegacia de Bandeirantes três pessoas investigadas na Operação Fim da Trilha
O Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná ofereceu nesta quarta-feira, 9 de setembro, duas denúncias criminais contra três pessoas investigadas no âmbito da Operação Fim da Trilha. A ação apura o recebimento de vantagens indevidas e outros ilícitos envolvendo servidor lotado na 39ª Delegacia Regional de Polícia Civil, localizada em Bandeirantes, no Norte Pioneiro do estado.
Áudio do Promotor de Justiça Leandro Antunes Meirelles Machado
As apurações que culminaram no oferecimento das denúncias tiveram origem a partir de um relatório encaminhado pelo 18º Batalhão de Polícia Militar. Ao longo das investigações, o Gaeco constatou que um investigador de polícia se valia da atuação de advogados para intermediar o recebimento de propina. Em um dos episódios detalhados pelo MPPR, o servidor teria cobrado e efetivamente recebido R$ 10 mil para franquear o acesso de um advogado a um aparelho celular que havia sido apreendido e estava sob custódia da unidade policial. A manobra ilícita tinha como objetivo permitir a exclusão dos dados probatórios armazenados no dispositivo.
Outros crimes – Além dos crimes contra a administração pública, os fatos denunciados englobam delitos previstos no Estatuto do Desarmamento. No dia 23 de abril deste ano, durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão expedidos no contexto da mesma operação nas cidades de Bandeirantes e Cambará, o investigador foi flagrado mantendo sob sua guarda no interior da delegacia, de forma irregular, um revólver e dezenas de munições de calibres variados, contemplando armamento de uso permitido e de uso restrito.
Os três investigados foram denunciados pela prática dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, posse irregular de arma de fogo de uso permitido e posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Junto aos pedidos de condenação criminal, o Ministério Público solicitou à Justiça a decretação da perda do cargo público do policial civil. O MPPR requereu ainda o perdimento dos valores ilicitamente auferidos com o esquema criminoso e o arbitramento cumulativo de dano moral coletivo no valor de R$ 100 mil, montante que deverá ser revertido aos cofres do Estado do Paraná.
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Fonte: Ministério Público PR
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