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Programa de irrigação no Noroeste do Paraná avança com a compra de torres de fluxo

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O programa IrrigaSIM, coordenado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), deu um novo passo nesta quinta-feira (21). Em uma reunião no Gabinete de Gestão e Informações do Palácio Iguaçu, foi anunciada a aquisição de cinco torres de fluxo que serão instaladas em áreas do Noroeste do Paraná.

Uma torre de fluxo mede continuamente a troca de gases (como vapor d’água e dióxido de carbono) e calor entre a vegetação e a atmosfera, permitindo calcular com precisão a evapotranspiração real da lavoura (transferência de água da superfície da Terra para a atmosfera em forma de vapor). O investimento para a compra das torres passa de R$ 10 milhões, recursos da Fundação Araucária, também viabilizados pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR). 

O diretor de Gestão de Negócios do IDR-PR, Richard Golba, destacou o trabalho realizado para a criação da Lei de Segurança Hídrica, feita em parceria entre várias instituições, e que também embasa as ações do IrrigaSIM. “Nossa expertise é fazer alianças e buscar parcerias. Tudo foi fruto de muito debate, muito estudo. Vale destacar que esta é uma legítima iniciativa do governador Ratinho Junior, que tem cobrado para que isso vá a campo”, ressaltou. 

O projeto iniciou em 2024 envolvendo a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e a Secretaria de Agricultura e do Abastecimento, que seguem colaborando com o projeto. O IrrigaSIM é um apoio tecnológico ao Irriga Paraná. O projeto envolve sensoriamento remoto e modelos para a evapotranspiração de culturas. As partes se comprometem a trocar informações científicas, organizar missões, seminários e workshops, e apoiar atividades de pesquisa e inovação.

“Esse é mais um passo importante dado pelo Governo do Estado para que, com o apoio da tecnologia, possamos ter mais conhecimento e, assim, tomar as decisões certas em relação ao uso da água. Esse modelo de irrigação terá impacto direto na produção paranaense, beneficiando toda a população do Estado”, afirmou o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Everton Souza.

A Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial também passou a fazer parte do projeto. Agora a pasta vai ajudar com os dados coletados durante o projeto. Estudos e visitas técnicas já foram realizados na região Noroeste do Paraná, que é a região que mais sofre com a seca.

“Esse projeto foi concebido para trazer ao Paraná uma segurança em campo com relação à água para que a produção agrícola e a potencialidade do Estado na agricultura continuem sendo fortes. E naturalmente, dentro desses cenários, a gente sabe que existe todo um campo de apoio por trás das coisas, e a inteligência artificial é um fator hoje preponderante”, ressaltou Marcos Stamm, secretário de Inovação e Inteligência Artificial.

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“No Paraná, mais de 40% do PIB é do agronegócio. Mais de 14% de grãos produzidos no Brasil saem do Estado do Paraná. Então é muito importante a irrigação sustentável, porque a água é nosso bem maior e que precisa ser bem utilizado, bem aplicado, para trazer resultados satisfatórios e propícios não só à produção, mas para a sustentabilidade do nosso Estado”, complementou Jean Rafael Puchetti Ferreira, chefe do Centro Estadual de Desburocratização da Casa Civil, que atuou na governança da integração entre os órgãos públicos para viabilizar o projeto.

Desde a época da pandemia, quando esteve pessoalmente no Nebrasca conhecendo os sistemas de irrigação da região, o diretor-presidente do Simepar, Paulo de Tarso, aprendeu sobre as tecnologias e trouxe todas as informações para as articulações dentro do Governo do Paraná.

“Esse trabalho é resultado de dois anos de pesquisa, de aprimoramento e estreitamento institucional para que o Paraná seja inovador em matéria de irrigação. Não só o estudo que vem sendo feito, o resultado desse projeto também será a formação de pessoas capacitadas para conduzirem esse processo de irrigação no estado do Paraná”, ressaltou Tarso.

ETAPAS – Os estudos vão fazer a classificação agroclimática do Paraná identificando mais áreas aptas à irrigação de grãos como soja, milho e feijão. O trabalho é realizado por 14 pesquisadores do Simepar, dois pós-doutores, sete doutores e cinco mestres.

Assim que as cinco torres de fluxo forem instaladas e calibradas, começarão a coletar dados micrometeorológicos reais no campo. Com isso, será possível modelar variáveis hidrológicas em programas de computador, como a espacialização da evapotranspiração, ajuste do coeficiente de cultura e medição da infiltração do solo.

Os modelos determinarão as melhores taxas de irrigação por diferentes métodos, e também será possível obter via imagens de drones o fluxo de carbono, mensurar o carbono no solo e medir o fluxo de gases de efeito estufa, comparando e validando com os dados das torres de fluxo.

A integração entre os dados ambientais, hidrológicos, e de balanço de carbono será feita em uma plataforma de Inteligência Artificial, que dará suporte à tomada de decisão no manejo irrigado. Todo esse trabalho otimiza o uso da água e do solo, mitiga emissões de Gases de Efeito Estufa e promove a sustentabilidade agrícola no Estado.

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Cinco áreas serão acompanhadas durante o plantio em outubro / novembro – colheita março / abril; cultura março / abril – colheita julho / agosto; e cultura julho / agosto – colheita outubro / novembro. Os resultados dos estudos apontam redução estimada de até 30% no consumo de água na agricultura.

“Já tivemos várias reuniões técnicas para a discussão dos passos, e agora que o projeto oficialmente está lançado e o orçamento disponível, podemos seguir o cronograma, com a compra das torres e modelagem do uso de água e evapotranspiração”, explicou Christofer Neale, diretor do Water For Food, instituto do Nebrasca que orienta o projeto, e de onde veio a inspiração para todo o trabalho. 

Com uma população de 1,9 milhão de pessoas, o Nebrasca, localizado na região central dos Estados Unidos, investiu cerca de US$ 6,8 bilhões para a instalação de 96 mil poços utilizados nos atuais sistemas de irrigação. A medida foi necessária devido às grandes variações de precipitação de chuva e das diferenças de solo nas diferentes regiões do estado americano.

O aquífero do Nebrasca é mais preservado do que o de outros estados americanos, como o Texas, por exemplo. Isso se deve justamente ao fato dos investimentos feitos nos atuais sistemas de irrigação, que utilizam os recursos hídricos de forma mais sustentável, reduzindo o impacto no meio ambiente.

WORKSHOP – Na tarde desta quinta-feira aconteceu, no auditório do Simepar, o Workshop Águas Subterrâneas no Paraná, que apresentou detalhes do IrrigaSIM e trouxe debates sobre a importância do monitoramento das águas subterrâneas e da modelagem aplicada à gestão de aquíferos, além de outorga e regularização.

O evento contou com apresentações dos pesquisadores do Simepar e do professor Christopher Neale, envolvidos no IrrigaSIM, além de palestras do professor Gustavo Athaide, da UFPR, do professor Glauco Zely da Silva Eger, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e de Nizara Sanches, do Instituto Água e Terra (IAT). As atividades encerraram com uma mesa-redonda, para debater os desafios do setor.

PRESENÇAS – Também estiveram presentes na reunião o professor João Carlos Bespalhok Filho, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que capacita alunos para atuarem no projeto; e Raul Alberto Marcon, coordenador de Gestão de Recursos Hídricos na Sanepar, que acompanha a implantação de cada etapa do estudo.

Fonte: Governo PR

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Patrimônio, memória e descoberta: 200 alunos visitam o Museu Satélite de Pato Branco

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Um museu recém-inaugurado é, antes de tudo, um espaço que reverbera o seu entorno. Para o Museu Paranaense (MUPA) em Pato Branco, esse movimento de integração com a cidade foi imediato. Inaugurado oficialmente nesta quarta-feira (20) , o espaço, o segundo dentro da política de Museus Satélites, já operava com capacidade plena nesta quinta-feira (21), recebendo grupos de alunos da Escola Municipal de Artes para visitas mediadas.

A iniciativa dos Museus Satélites marca uma etapa na descentralização da cultura no Paraná. Mais do que receber exposições itinerantes, as cidades do Interior  passam a contar com unidades que possuem programação contínua, ações educativas e circulação regular de acervos estaduais. É uma transformação estrutural que fixa a presença da política cultural em todas as macrorregiões do Estado.

Para os educadores locais, a chegada do museu altera a dinâmica do aprendizado. Fabiani de Paula, diretora da Escola Municipal de Artes, destaca que a existência de um acervo físico dá sentido prático ao que é ensinado em sala de aula. “Saber é uma coisa, mas poder olhar, ter o toque e a vivência do que já passou faz o aprendizado ter mais lógica”, afirmou Fabiani. “Isso faz diferença inclusive para nós, adultos, que não tínhamos esse acesso na cidade. É a nossa história enquanto cidadãos”.

O professor Andrei Fabiano Vieira observou essa conexão durante a visita. “É interessante ver a reação deles perante tudo o que está acontecendo hoje no mundo; eles terem essa volta ao passado, saber como era originalmente o nosso Brasil. Você vê o brilho no olhar observando as fotos, vendo a pele da onça”, relatou. Segundo ele, os objetos despertam curiosidades geracionais. “Até a própria câmera fotográfica antiga que estava ali, muitos alunos perguntaram: ‘professor, o que é isso?’”.

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Para a estudante Isadora Voitena, de 8 anos, a experiência foi inédita. “Eu nunca fui a um museu. A primeira vez foi essa. Hoje a gente fez uma coisa muito legal e diferente. Quando chegar em casa, vou contar para os meus pais sobre a pele de onça que vi aqui hoje. É muito impressionante”, contou.

REPERCUSSÃO – Gustavo Alisson da Silva, professor de artesanato, explica o impacto pedagógico que a mostra proporcionou. Após realizar atividades sobre os povos originários e o uso de pigmentos naturais com seus alunos, ele encontrou no museu o fechamento do ciclo didático.

“Trazer os alunos aqui acaba amarrando o contexto como um todo”, explicou o professor. Para ele, a presença de um acervo indígena na cidade ajuda a reafirmar uma cultura que corre o risco de ser esquecida. “É uma riqueza de peças que pode ser trabalhada em diversas áreas das artes. Ter isso por perto permite que tragamos os alunos sempre”.

O interesse das instituições de ensino tem sido imediato, conforme explica Aline Schenato Sabadini Brandielli, mediadora do departamento de cultura de Pato Branco. “As escolas procuram bastante essa visita mediada. Os professores têm uma preocupação bem grande em que os alunos tenham o contato direto com um objeto artístico ou histórico”, afirmou.

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A procura se refletiu nos números deste primeiro dia de operação. “Recebemos dois grupos pela manhã e dois grupos pela tarde. Só hoje, recebemos cerca de 200 alunos da rede pública municipal e já temos visitas agendadas para os próximos dias”, disse Aline.

Nessa primeira ativação do espaço, os estudantes visitaram a mostra “A riqueza de um patrimônio em movimento: por dentro da vida e da Coleção Vladimir Kozák”, que apresenta fotografias, filmes, câmeras fotográficas e adornos indígenas reunidos pelo pesquisador, cineasta e etnógrafo Vladimir Kozák entre as décadas de 1940 e 1950. 

PRÓXIMAS ABERTURAS – Além de Pato Branco, o programa Museus Satélites prevê unidades em Londrina, Cascavel, Maringá, Guarapuava, Tunas do Paraná, Paranaguá e Ponta Grossa, vinculadas ao Museu Paranaense, Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC Paraná), Museu da Imagem e do Som do Paraná (MIS-PR) e Museu Casa Alfredo Andersen. Todas as inaugurações acontecerão no primeiro semestre de 2026.

Fonte: Governo PR

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