Agro
Inflação para 2026 sobe novamente no Focus e segue acima da meta, enquanto juros e câmbio mantêm pressão sobre o agro
As expectativas do mercado financeiro para a inflação brasileira em 2026 voltaram a subir, de acordo com a mais recente edição do relatório Focus, divulgado pelo Banco Central. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou de 4,86% para 4,89%, permanecendo acima da meta oficial de 3,00%.
O movimento reforça o cenário de pressão inflacionária persistente no país, com reflexos diretos sobre o custo de produção no agronegócio, especialmente em insumos, crédito e logística.
Inflação segue pressionada e IGP-M dispara
Além da alta no IPCA, outro indicador relevante para o setor produtivo também apresentou avanço. A projeção para o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), amplamente utilizado em contratos, subiu de 4,80% para 5,50% em 2026.
Já os preços administrados — como energia e combustíveis — mantiveram previsão de alta em 4,98%, indicando continuidade de pressões em itens essenciais para a atividade agroindustrial.
Para 2027, o mercado manteve a estimativa de inflação medida pelo IPCA em 4,00%, ainda acima do centro da meta, enquanto o IGP-M segue projetado em 4,00%.
Crescimento econômico moderado
A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 foi mantida em 1,85%, sinalizando uma expansão econômica limitada. Para 2027, houve leve revisão para baixo, de 1,80% para 1,75%.
O próprio Banco Central trabalha com uma estimativa ainda mais conservadora, projetando crescimento de 1,6% para 2026, conforme o Relatório de Política Monetária mais recente.
Juros elevados seguem no radar
A taxa básica de juros (Selic) deve encerrar 2026 em 13,00%, segundo o Focus. Atualmente em 14,50%, o mercado projeta um corte de 1,5 ponto percentual ao longo do período.
Apesar da expectativa de redução, o nível de juros ainda é considerado elevado, o que encarece o crédito rural e limita investimentos em tecnologia, máquinas e expansão de área — fatores-chave para o crescimento do agronegócio.
Para 2027, a previsão da Selic foi mantida em 11,00%, indicando um ciclo de queda gradual, mas ainda distante de patamares mais estimulativos.
Câmbio estável, mas ainda elevado
No câmbio, a projeção para o dólar em 2026 permaneceu estável em R$ 5,25. Para 2027, houve leve ajuste, com a estimativa passando de R$ 5,35 para R$ 5,30.
Mesmo com estabilidade recente, o patamar elevado da moeda norte-americana segue impactando diretamente o custo de insumos importados, como fertilizantes e defensivos agrícolas, além de influenciar a competitividade das exportações brasileiras.
Impactos para o agronegócio
O conjunto de indicadores revela um ambiente macroeconômico ainda desafiador para o agronegócio. A inflação acima da meta, combinada com juros elevados e câmbio pressionado, tende a manter altos os custos de produção.
Por outro lado, o dólar em níveis mais altos pode favorecer as exportações, equilibrando parcialmente o cenário para produtores voltados ao mercado externo.
A leitura do mercado é de que 2026 será um ano de transição, com ajustes graduais na economia, exigindo cautela na tomada de decisão e maior eficiência na gestão das propriedades rurais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Agro ajuda Brasil a fechar agosto com superávit de R$ 37,7 bilhões
O Brasil encerrou agosto com superávit comercial de R$ 37,7 bilhões, crescimento de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi sustentado pelo aumento das exportações de soja, café, animais vivos, carne de frango e farelo de soja, além do avanço das vendas da indústria extrativa e de outros segmentos da indústria de transformação.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras somaram R$ 169,1 bilhões em agosto, alta de 12,2% na comparação anual. As importações cresceram 9,2% e alcançaram R$ 131,4 bilhões.
A corrente de comércio, que corresponde à soma das exportações e importações, movimentou R$ 300,5 bilhões no mês, aumento de 10,9% em relação a agosto do ano passado.
A agropecuária respondeu diretamente por R$ 37,7 bilhões em exportações durante agosto, crescimento de 11,4%. Esse valor considera os produtos classificados pelo governo como pertencentes à atividade agropecuária e não inclui carnes, farelo de soja, açúcar, sucos e outros itens processados contabilizados dentro da indústria de transformação.
Entre os produtos do campo, o valor das exportações de animais vivos avançou 174,3%. As vendas externas de café não torrado cresceram 24,1%, enquanto a soja, principal item da pauta agropecuária brasileira, registrou aumento de 14%.
A contribuição do agronegócio também apareceu entre os produtos industrializados. As exportações de carne de aves e miudezas aumentaram 40,5%, enquanto as vendas de farelo de soja e de outros produtos destinados à alimentação animal cresceram 36,6%.
O desempenho positivo compensou a retração observada em outras cadeias importantes. As exportações de milho não moído caíram 25,3% em agosto. Também houve redução de 34,7% no mel natural e de 35,7% nas vendas de sementes oleaginosas, grupo que inclui produtos como girassol, gergelim, canola e algodão.
Na indústria de transformação, o valor das exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada recuou 19,7% em agosto. Açúcares e melaços tiveram queda de 37%. A redução mensal da carne bovina ocorreu depois de um período de embarques elevados e não anulou o crescimento acumulado pelo setor ao longo do ano.
Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou R$ 1,28 trilhão, aumento de 10,3% na comparação com os primeiros oito meses de 2025. As importações somaram R$ 997,3 bilhões, com crescimento de 6,1%.
Com isso, o superávit comercial acumulado em 2026 chegou a R$ 282,1 bilhões, avanço de 28,2%. A corrente de comércio alcançou R$ 2,28 trilhões no período, alta de 8,4%.
As exportações classificadas como agropecuárias totalizaram R$ 295 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de 9,5%. O resultado foi favorecido pelo aumento de 81,9% nas vendas de animais vivos, de 15,2% nos embarques de soja e de 15,1% nas exportações de algodão em bruto.
A indústria extrativa exportou R$ 316,9 bilhões nos oito primeiros meses, alta de 19,6%. A indústria de transformação respondeu por R$ 660 bilhões, crescimento de 6,6%.
Apesar da queda isolada de agosto, a carne bovina acumulou aumento de 22,3% nas exportações de janeiro a agosto. O desempenho mostra que o recuo mensal ocorreu sobre uma base de vendas externas ainda elevada no conjunto do ano.
Outros produtos do agronegócio apresentaram resultado menos favorável. As exportações acumuladas de trigo e centeio diminuíram 31,3%, enquanto as de milho recuaram 3,6%. O café não torrado acumulou queda de 13,7%, apesar da recuperação registrada em agosto.
Também houve redução de 35,8% nas vendas externas de sucos de frutas e vegetais e de 28,2% nos embarques de açúcares e melaços durante os oito primeiros meses.
Do lado das compras brasileiras, as importações da agropecuária chegaram a R$ 2,4 bilhões em agosto, crescimento de 7,4%. O aumento foi influenciado por pescado, trigo, centeio e produtos hortícolas.
O valor das importações de pescado avançou 64,8%, enquanto as compras de trigo e centeio cresceram 10,5%. Os produtos hortícolas frescos ou refrigerados registraram alta de 54%. Em sentido contrário, as importações de soja diminuíram 22,2%, e as de frutas e nozes não oleaginosas recuaram 9,3%.
A indústria de transformação concentrou a maior parcela das compras externas, com R$ 123 bilhões em agosto, crescimento de 13,4%. No acumulado do ano, as importações do segmento chegaram a aproximadamente R$ 930 bilhões.
Entre os insumos estratégicos para a produção rural, o valor importado de adubos e fertilizantes químicos caiu 35,9% em agosto. As compras de fertilizantes brutos apresentaram redução de 15,6%.
A queda não significa necessariamente redução equivalente no volume desembarcado, porque os dados também refletem mudanças nos preços internacionais. O movimento pode estar relacionado ainda à antecipação de compras, à formação de estoques, à volatilidade do mercado e ao ritmo de aquisição para a safra 2026/2027.
Os números de agosto reforçam o papel do agronegócio na geração de receitas externas e na sustentação do saldo comercial brasileiro. Ao mesmo tempo, a diferença de desempenho entre as cadeias mostra que o resultado depende tanto da produção nacional quanto dos preços internacionais, do câmbio e das condições de acesso aos principais mercados compradores.
Fonte: Pensar Agro
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