Brasil
Ministério dos Transportes, ANTT e Arteris firmam protocolo para acelerar melhorias na BR-116/376/PR e BR-101/SC

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Motoristas que utilizam as BR-116/376, no Paraná, e a BR-101, em Santa Catarina, poderão contar com uma agenda de investimentos de aproximadamente R$ 15 bilhões, destinada à ampliação da capacidade das rodovias, ao reforço da segurança viária e à modernização da concessão. Na sexta-feira (26), o Ministério dos Transportes, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Autopista Litoral Sul e a Arteris assinaram um Protocolo de Intenções que define as diretrizes para viabilizar essas melhorias em três frente de atuação, desenvolvidas de forma simultânea.
A iniciativa institui uma agenda conjunta de cooperação institucional para conferir maior previsibilidade às tratativas entre as instituições e estruturar soluções para gargalos históricos de infraestrutura no trecho entre Curitiba (PR) e Paulo Lopes (SC). Entre as prioridades estão as intervenções no Morro dos Cavalos e para a ampliação da capacidade da BR-101/SC.
Fases de atuação
O documento prevê a possibilidade de reversão à União dos trechos conhecidos como Morro dos Cavalos e Eixão, na BR-101/SC, por meio de eventual termo aditivo ao contrato de concessão. A medida permitirá a posterior transferência desses segmentos para outro concedente, caso sejam cumpridas as etapas legais e regulatórias previstas, o que possibilitará a execução de mais de R$ 3 bilhões em obras, além da execução dos túneis e do aproveitamento do licenciamento ambiental e do projeto do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Paralelamente, os participantes avaliarão um acordo substitutivo de multas, que poderá converter passivos decorrentes de autos de infração em investimentos na própria rodovia. Isto é, as multas serão convertidas em obras, conforme a regulamentação da ANTT.
O documento também contempla a análise da inclusão de cerca de R$ 4 bilhões em investimentos para ampliar a capacidade das rodovias, elevar a segurança viária e melhorar imediatamente o nível de serviço nos trechos considerados críticos. A recomposição do equilíbrio econômico-financeiro poderá ocorrer por meio de tarifa e/ou da extensão do prazo de concessão.
Além disso, o documento estabelece a estruturação de uma modernização mais ampla da concessão, com a expectativa de investimentos estimados em até R$ 10 bilhões, sujeitos às análises técnicas, regulatórias e ao controle prévio do Tribunal de Contas da União (TCU).
O protocolo, além de definir as fases de atuação, estabelece uma agenda permanente de cooperação entre os participantes para agilizar análises, compartilhar estudos, identificar entraves técnicos, ambientais, jurídicos e regulatórios e estruturar soluções para melhorar os níveis de serviço das rodovias.
A assinatura do acordo define a política pública e autoriza a ANTT a alterar o contrato de concessão para viabilizar a execução das tão esperadas obras.
Assessoria Especial de Comunicação
Ministério dos Transportes
Fonte: Ministério dos Transportes
Brasil
População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral
Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).
A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.
“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.
A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.
As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.
Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.
“Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.
Próximos passos
Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.
Comunidades quilombolas
Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.
Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.
Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.
Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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