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Exportação de açúcar ganha ritmo com 44 navios na fila e previsão de embarque de 1,56 milhão de toneladas

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Line-up indica aumento no volume de açúcar para exportação

O número de navios aguardando para embarcar açúcar nos portos brasileiros chegou a 44 embarcações na semana encerrada em 11 de março, segundo levantamento da agência marítima Williams Brasil. Na semana anterior, o total era de 41 navios.

De acordo com o relatório, o volume programado para embarque alcança 1,561 milhão de toneladas, acima das 1,493 milhão de toneladas registradas na semana anterior.

O levantamento considera as embarcações já ancoradas nos portos, aquelas que aguardam atracação ao largo e também os navios com chegada prevista até o dia 15 de junho.

Porto de Santos concentra maior volume de embarques

O Porto de Santos (SP) lidera o volume de açúcar programado para exportação, concentrando 939.803 toneladas do total previsto.

Na sequência aparecem outros importantes terminais exportadores do país:

  • Porto de Paranaguá (PR): 187.300 toneladas
  • Porto de São Sebastião (SP): 261.700 toneladas
  • Porto de Maceió (AL): 155.100 toneladas
  • Porto de Recife (PE): 15.000 toneladas
  • Porto de Imbituba (SC): 3.000 toneladas
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Esses portos formam os principais corredores logísticos para o escoamento do açúcar brasileiro destinado ao mercado internacional.

Açúcar VHP domina os embarques programados

A maior parte do açúcar que será exportado corresponde à variedade VHP (Very High Polarization), principal tipo destinado ao mercado externo.

A distribuição dos volumes por tipo de produto é a seguinte:

  • VHP: 1.485.403 toneladas
  • Cristal B150: 24,5 mil toneladas
  • TBC: 37 mil toneladas
  • Refinado A45: 15 mil toneladas

O predomínio do VHP reflete a forte demanda internacional por açúcar bruto destinado ao refino em outros países.

Receita diária das exportações de açúcar recua em março

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que a receita média diária com exportações brasileiras de açúcar e melaços atingiu US$ 33,001 milhões em março, considerando cinco dias úteis no período analisado.

O volume médio diário exportado alcançou 88,921 mil toneladas.

No acumulado do mês, foram embarcadas 444.608 toneladas, gerando receita de US$ 165,048 milhões, com preço médio de US$ 371,20 por tonelada.

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Comparação anual mostra queda em receita, volume e preços

Na comparação com março de 2025, os números mostram retração nos indicadores das exportações brasileiras de açúcar.

  • Receita diária: queda de 28,2%, ante US$ 45,965 milhões registrados no mesmo mês do ano passado
  • Volume diário embarcado: recuo de 7,9%, frente às 96,548 mil toneladas exportadas por dia em março de 2025
  • Preço médio: redução de 22%, comparado aos US$ 476,10 por tonelada verificados no mesmo período do ano anterior

Os dados refletem o impacto da queda nas cotações internacionais do açúcar, que tem pressionado o valor obtido pelas exportações brasileiras em 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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