Agro
Crédito rural voltado a investimento ganha força e impulsiona modernização do agronegócio em 2026
O crédito rural no Brasil entra em uma nova fase em 2026, deixando de ter foco exclusivo no custeio da safra e assumindo um papel mais estratégico voltado a investimentos, inovação e expansão produtiva.
Esse reposicionamento reflete um cenário de custos elevados, juros ainda pressionados e maior demanda por eficiência no campo — fatores que vêm transformando o crédito em um instrumento de competitividade e sustentabilidade para o agronegócio.
De acordo com o relatório Agricultural Policy Monitoring and Evaluation 2025, da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), mais de 90% do suporte público ao setor agrícola brasileiro é destinado à pesquisa, desenvolvimento e extensão tecnológica. A publicação destaca que a safra 2024/2025 movimentou cerca de R$ 400,6 bilhões em crédito agrícola, sendo R$ 107,3 bilhões voltados especificamente para investimentos em máquinas, equipamentos e tecnologias produtivas.
Crédito como instrumento de transformação no campo
Para Michel Shoiti Tamura, gerente de Agronegócios do Sicoob Central Unicoob, o crédito rural deixou de ser apenas uma ferramenta financeira e passou a ser um agente de transformação dentro das propriedades rurais.
“O produtor rural é, hoje, um gestor completo do seu negócio. Nosso papel é estar ao lado dele nas decisões que constroem o futuro da propriedade, oferecendo crédito que viabilize investimentos, aumente a eficiência e traga segurança para crescer com sustentabilidade”, afirma Tamura.
Sicoob lança linha de crédito focada em investimento produtivo
Durante a 38ª edição do Show Rural Coopavel, que acontece de 9 a 13 de fevereiro em Cascavel (PR), o Sicoob apresentará o Invest Feira, uma linha de crédito com recursos próprios destinada a financiar investimentos produtivos no agronegócio.
Diferente das linhas tradicionais, o Invest Feira se destaca pela flexibilidade de aplicação e agilidade na liberação dos recursos, permitindo ao produtor rural ampliar sua capacidade de investimento no momento das decisões de compra.
Segundo Tamura, a iniciativa surgiu da necessidade de suprir a falta de recursos subsidiados durante o evento.
“Nos anos anteriores, a feira começava com recursos limitados. Por isso, criamos o Invest Feira para oferecer alternativas de financiamento com recursos próprios e condições acessíveis”, explica.
Além dessa linha, o Sicoob Unicoob mantém soluções específicas para cadeias produtivas integradas, como suinocultura, avicultura, pecuária leiteira, piscicultura e outras atividades. As condições são equivalentes às do BNDES Inovagro, mas com recursos livres da cooperativa e lastro em LCA, ampliando o acesso ao crédito para investimento produtivo.
Itens financiáveis incluem máquinas, veículos e tecnologias sustentáveis
Entre os itens financiáveis pelo Invest Feira, estão máquinas agrícolas, caminhões, utilitários, drones e equipamentos tecnológicos, além de animais para cria, recria e engorda, sistemas de irrigação e ordenha, e soluções sustentáveis como biodigestores e painéis solares fotovoltaicos.
A linha também contempla insumos para custeio e comercialização, oferecendo maior previsibilidade financeira e preservação do fluxo de caixa para o produtor.
“O Invest Feira foi estruturado para apoiar decisões estratégicas, conectando oportunidade e planejamento no momento em que as negociações acontecem, durante a feira”, reforça Tamura.
As condições especiais da linha estarão disponíveis também nas agências do Sicoob nas regiões atendidas pelas cooperativas singulares ligadas ao Sicoob Central Unicoob.
Sicoob reforça papel como parceiro financeiro do agronegócio
Com presença consolidada no Show Rural Coopavel, um dos principais eventos de tecnologia e negócios do agro brasileiro, o Sicoob reforça seu papel como parceiro estratégico do produtor rural.
A instituição destaca seu compromisso com o financiamento de investimentos produtivos, modernização tecnológica e gestão eficiente do capital no campo, contribuindo para um agronegócio mais competitivo, sustentável e inovador.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Exportações do Brasil para os EUA caem 16% em 2026 e atingem menor nível dos últimos três anos
As exportações brasileiras para os Estados Unidos seguem em trajetória de retração em 2026. Entre janeiro e maio, os embarques nacionais para o mercado norte-americano somaram US$ 14,01 bilhões, registrando queda de 16% em relação ao mesmo período do ano passado e atingindo o menor valor para os cinco primeiros meses do ano desde 2022.
Os dados fazem parte do Monitor do Comércio Brasil–Estados Unidos, divulgado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), que também aponta o décimo mês consecutivo de queda nas exportações brasileiras para o principal parceiro comercial do país fora da Ásia.
Exportações recuam pelo décimo mês consecutivo
Somente em maio, as vendas brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 3,09 bilhões, recuo de 14% na comparação com o mesmo mês de 2025.
Segundo o levantamento, a retração foi puxada principalmente pela queda nas exportações de petróleo bruto, café e ferro-gusa, produtos que tiveram forte redução nos embarques para o mercado norte-americano.
O petróleo bruto registrou queda de 38,1% nas vendas em maio, reflexo da menor demanda dos Estados Unidos. Já o café não torrado recuou 39,1%, impactado por problemas de oferta e produção no Brasil. O ferro-gusa, por sua vez, apresentou retração de 30,4%.
Sobretaxas continuam pressionando setores industriais
O estudo também destaca os impactos das sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos sobre determinados produtos brasileiros.
Entre os bens sujeitos às tarifas adicionais, as exportações recuaram 14,6% em maio. Os produtos enquadrados na chamada Seção 232 apresentaram queda de 8,4%, com destaque negativo para o segmento de caminhões, cujos embarques despencaram 47,6%.
No acumulado do ano, os produtos submetidos à sobretaxa de 10% registraram retração de 22,6%, representando o grupo mais afetado pelas medidas tarifárias.
Carne bovina e aeronaves avançam
Apesar do cenário geral negativo, alguns setores apresentaram desempenho positivo nas exportações para os Estados Unidos.
A carne bovina brasileira ampliou suas vendas em 36% no acumulado de janeiro a maio, alcançando US$ 973,4 milhões. O setor aeronáutico também registrou crescimento expressivo, com aumento de 24,4% nas exportações de aeronaves e equipamentos relacionados.
Outros segmentos que apresentaram expansão foram equipamentos de engenharia civil, máquinas de energia elétrica e componentes industriais de maior valor agregado.
Déficit comercial brasileiro aumenta mais de 43%
A combinação entre a forte queda das exportações e a retração menos intensa das importações ampliou o déficit comercial brasileiro com os Estados Unidos.
Nos cinco primeiros meses de 2026, o saldo negativo chegou a US$ 1,5 bilhão, crescimento de 43,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
As importações brasileiras provenientes dos Estados Unidos somaram US$ 15,48 bilhões entre janeiro e maio, queda de 12,6%. Em maio, as compras brasileiras recuaram 11%, influenciadas principalmente pela redução nas importações de motores e máquinas, aeronaves e petróleo bruto.
Estados Unidos permanecem como segundo maior destino das exportações brasileiras
Mesmo com a retração observada em 2026, os Estados Unidos continuam ocupando a segunda posição entre os principais destinos das exportações brasileiras, atrás apenas da China.
De janeiro a maio, os embarques para o mercado norte-americano representaram US$ 14 bilhões, enquanto as exportações totais do Brasil para o mundo alcançaram US$ 148,6 bilhões.
O relatório aponta que, entre os dez principais produtos exportados aos Estados Unidos, apenas equipamentos de engenharia civil e máquinas de energia elétrica tiveram desempenho superior ao observado nas exportações destinadas ao restante do mundo, demonstrando uma perda relativa de competitividade em importantes cadeias exportadoras.
Agronegócio sente impacto nas vendas de café e suco de laranja
Para o agronegócio brasileiro, os números revelam desafios importantes. O café não torrado registrou queda de 38% nas exportações acumuladas para os Estados Unidos, enquanto o suco de laranja apresentou retração superior a 53%.
or outro lado, a carne bovina consolidou-se como um dos destaques positivos do comércio bilateral, ampliando significativamente sua participação no mercado norte-americano e ajudando a compensar parte das perdas observadas em outras cadeias do agro brasileiro.
Perspectiva segue desafiadora
A continuidade das sobretaxas, a desaceleração da demanda norte-americana para alguns produtos e os desafios de oferta em segmentos importantes do agronegócio mantêm um cenário de cautela para os exportadores brasileiros.
Embora setores como proteína animal, aviação e máquinas apresentem desempenho positivo, os dados da Amcham indicam que a recuperação do comércio bilateral dependerá de um ambiente internacional mais favorável e da retomada da competitividade de produtos estratégicos para a pauta exportadora brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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