Economia
Desemprego de longo prazo cresce 188% no Paraná
O número de paranaenses que procuram trabalho há pelo menos dois anos chegou a 124 mil no primeiro trimeste de 2019, revelam dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de desempregados de longo prazo no Paraná é 188,4% maior do que o verificado no mesmo período de 2015, primeiro ano da recente recessão da economia brasileira, quando 43 mil trabalhadores estavam nessa situação.
Um estudo analítico divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), inclusive, revela que o crescimento desse contingente de trabalhadores é mais acelerado no Paraná do que no restante do país. No Brasil, o número de desempregados de longo prazo cresceu 42,4% nesses quatro anos, chegando a 3,3 milhões de pessoas no primeiro trimeste deste ano.
Segundo Maria Andréia Parente Lameiras, técnica de planejamento e pesquisadora do Ipea e uma das responsáveis pelo estudo citado, o mercado de trabalho apresenta “o pior retrato” da crise econômica que assola o país, afetando mais os trabalhadores menos escolarizados e as famílias de menor renda – o que implica num crescimento da desigualdade social com a qual o país convive.
“Estamos com o mercado de trabalho ainda muito deteriorado, embora nos últimos meses a gente veja alguma reação. Mas a crise tem dificultado a geração mais forte de postos de trabalho”, afirmou. “Além de reagir depois da economia como um todo, a reação (do mercado de trabalho) costuma ser muito lenta no começo”.
No caso paranaense, inclusive, praticamente um em cada quatro trabalhadores desocupados (23,1% dos 536 mil desempregados) estão há mais de dois anos buscando recolocação no mercado de trabalho. Em números absolutos, apenas Maranhão (138 mil pessoas), Pernambuco (258 mil), Bahia (351 mil), Rio de Janeiro (528 mil) e São Paulo (788 mil) apresentam um contingente de desempregados de longo prazo maior que o Paraná.
Além disso, os pesquisadores do Ipea também mostrar que o número de desempregados que procuram trabalho há pelo menos dois anos cresce mais rápido entre os jovens. Mas ainda é na faixa etária de 40 anos ou mais que estão 27,3% dos desempregados nessa situação.
A avaliação do Ipea é de que a recuperação do mercado de trabalho vem ocorrendo de forma gradual e só poderá atingir patamares mais expressivos no ano que vem, o que está condicionado à velocidade de tramitação e à aprovação da Reforma da Previdência no Congresso Nacional. Maria Andreia prevê que uma tramitação mais rápida pode elevar a confiança do mercado e produzir efeitos para o início de 2020, e uma aprovação mais demorada pode adiar a recuperação para o segundo semestre do ano que vem.
“Neste momento tudo está condicionado à aprovação da reforma e a que reforma será aprovada. O timing da reforma é fundamental.”
Economia
Competitividade, bioeconomia e abertura de mercados mobilizam Conexões Produtivas no Acre
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, participou, nesta terça-feira (1/7), em Rio Branco (AC), da 3ª edição do Conexões Produtivas – Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia.
Promovida pelo MDIC com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), a iniciativa reuniu empresário e instituições parceiras para apresentar as oportunidades abertas pelo acordo, além de instrumentos da Nova Indústria Brasil (NIB) voltados ao fortalecimento da indústria, da inovação e das exportações brasileiras.
Durante a abertura do encontro, Márcio Elias Rosa defendeu o fortalecimento da política industrial e da agenda de acordos comerciais como fatores essenciais para ampliar a presença da indústria brasileira no comércio internacional.
“Os tempos atuais mostram que quem não tem política industrial e não faz acordo fica para trás. O problema de você não fechar um acordo como esse com o Mercosul e a União Europeia não é porque você perde uma oportunidade. Você fica para trás. Outro ocupa o seu lugar”, afirmou o ministro.
Ao abordar a agenda de comércio exterior, ele destacou a abertura de mercados como uma das principais estratégias do governo federal para ampliar as exportações e fortalecer a competitividade das empresas nacionais. O ministro lembrou que o Brasil já conquistou 642 novos mercados desde o início do atual governo e lembrou que a presença dos produtos brasileiros no exterior é essencial para gerar novas oportunidades para a indústria e o agronegócio.
O ministro ressaltou que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é fortalecer o diálogo com os parceiros comerciais como estratégia para ampliar mercados e preservar os espaços conquistados pelos produtos brasileiros no comércio internacional.
Márcio Elias Rosa destacou que a sustentabilidade representa um diferencial competitivo para a indústria brasileira, ampliando as oportunidades da bioeconomia nos mercados internacionais.
“Não basta produzir barato. É preciso produzir com rastreabilidade, manejo sustentável e certificação. Nós, daqui da Amazônia Legal, temos a grande vantagem competitiva da sustentabilidade, da possibilidade concreta de produzir com sustentabilidade, com a menor emissão de gases de efeito estufa”, ressaltou.
O ministro vê estados como o Acre em posição estratégica para agregar valor à produção regional a partir de uma economia baseada na sustentabilidade.
“Nós não podemos fazer pouco da nossa bioeconomia da Amazônia. Ao contrário. Se nós não realçarmos essa relevância, ninguém vai fazer. Se nós não dermos a ela o verdadeiro valor que possui, ninguém dará”, afirmou.
Durante o encontro, o ministro também apresentou instrumentos de crédito, financiamento, inovação e apoio às empresas oferecidos pela Nova Indústria Brasil (NIB), reforçando a importância de aproximar o setor produtivo das políticas públicas voltadas ao aumento da produtividade, da competitividade e das exportações.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
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