Agro
Uso de bioinsumos aumenta produtividade da soja no Paraná em mais de 8%
Coinoculação impulsiona rendimento da soja
Um levantamento realizado pela Embrapa Soja (PR) e pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) mostra que o uso de bioinsumos na soja elevou a produtividade em 8,33% na safra 2024/2025.
Nas áreas coinoculadas com Bradyrhizobium e Azospirillum, a produtividade média foi de 3.916 kg/ha, enquanto nas áreas não inoculadas ficou em 3.615 kg/ha.
A coinoculação consiste na aplicação conjunta de microrganismos benéficos, potencializando a fixação biológica de nitrogênio (FBN) e promovendo ganhos tanto econômicos quanto ambientais.
Histórico e monitoramento das boas práticas
Desde a safra 2015/2016, a Embrapa Soja e o IDR-Paraná acompanham e validam a adoção da FBN em propriedades do estado, por meio das Unidades de Referência Tecnológica (URTs).
Segundo André Prando, pesquisador da Embrapa, e Edivan Possamai, coordenador técnico do IDR-Paraná:
“Os resultados obtidos ano após ano confirmam que a inoculação e coinoculação aumentam a produtividade e eliminam a necessidade de adubação nitrogenada, garantindo rentabilidade e benefícios ambientais.”
A rede de URTs abrange diferentes regiões do Paraná, diversos tipos de solo, sistemas de cultivo, sucessão com outras culturas e épocas variadas de semeadura, fornecendo referência prática e realista para a tecnologia.
Diferenças entre áreas coinoculadas e não inoculadas
Na safra 2024/2025, as áreas coinoculadas superaram a média estadual, de 3.663 kg/ha, e a média nacional, de 3.561 kg/ha, segundo a Conab.
A pesquisa indica ainda que 64% dos produtores paranaenses utilizaram algum tipo de inoculante, enquanto 28% adotaram a coinoculação com Bradyrhizobium e Azospirillum, conforme dados da ANPII Bio/Kynetec.
Benefícios da coinoculação
Pesquisas da Embrapa Soja lideradas por Mariangela Hungria e Marco Antonio Nogueira mostram que a coinoculação aumenta a nodulação e o desenvolvimento das plantas, mesmo em áreas já inoculadas anteriormente.
A prática utiliza duas estirpes da bactéria Azospirillum brasilense (Ab-V5 e Ab-V6) em conjunto com Bradyrhizobium, proporcionando:
- Ganho adicional de produtividade, além do efeito da inoculação anual;
- Redução ou eliminação do uso de fertilizantes nitrogenados;
- Aumento da sustentabilidade ambiental do sistema de produção.
Crescimento do uso da tecnologia no Brasil
Atualmente, 85% dos 47 milhões de hectares cultivados com soja adotam inoculação anual, enquanto 35% das áreas utilizam coinoculação, segundo a ANPII Bio/Kynetec (2024).
Em 2024, a adoção dessas tecnologias gerou economia estimada em US$ 25 bilhões e reduziu em mais de 260 milhões de toneladas a emissão de CO2 equivalente.
Fixação biológica do nitrogênio e sustentabilidade
A FBN é essencial para a soja, que precisa de cerca de 80 kg de nitrogênio por tonelada de grãos. A simbiose entre as bactérias Bradyrhizobium e as plantas permite que o nitrogênio atmosférico seja convertido em compostos assimiláveis, dispensando fertilizantes nitrogenados e reduzindo custos.
Segundo André Prando, mesmo em áreas já cultivadas com soja, a inoculação a cada safra garante ganhos comprovados em nodulação e rendimento, reforçando o potencial econômico e ambiental da prática.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Safra de urucum impulsiona pequenas propriedades
A colheita do urucum avança nas principais regiões produtoras do país com preços entre R$ 12,50 e R$ 15 por quilo das sementes. No noroeste do Paraná, onde a produtividade pode chegar a 1,5 tonelada por hectare, a regularidade das chuvas favoreceu as lavouras depois de dois ciclos prejudicados pela seca.
Nas áreas de melhor desempenho, a combinação entre produtividade e preço representa uma receita bruta potencial de R$ 22,5 mil por hectare. O valor não desconta os gastos com implantação, adubação, manejo, mão de obra, colheita e beneficiamento das sementes.
O Brasil ocupa a liderança mundial na produção de urucum. Levantamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), elaborado com dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimou uma colheita nacional de 13,6 mil toneladas, equivalente a aproximadamente 57% da produção global naquele ano.
São Paulo concentra o principal polo produtor do país, especialmente na Nova Alta Paulista. Municípios localizados entre Tupã e Panorama têm parte da economia agrícola ligada à cultura. Na região, a safra principal ocorre entre junho e agosto, com preços atuais entre R$ 12,50 e R$ 13 por quilo.
No Paraná, o cultivo comercial ganhou espaço a partir da década de 1980 e encontrou condições favoráveis nos municípios do noroeste. A combinação entre solo arenoso, elevada luminosidade e temperaturas adequadas permitiu o desenvolvimento da atividade, principalmente em pequenas propriedades.
A colheita paranaense começa em março nas áreas mais precoces, atinge o maior volume entre junho e julho e pode seguir até setembro. A estimativa consolidada da produção regional deverá ser conhecida em outubro, depois do encerramento dos trabalhos nas lavouras.
Levantamentos locais indicam produtividade entre 800 e 1.500 quilos de sementes por hectare, dependendo da variedade, da idade das plantas, dos tratos culturais e das condições climáticas. A melhora dos preços também estimulou a retomada dos investimentos em adubação e manutenção das áreas.
A maior parte dos agricultores utiliza as variedades Piave tradicional e Piave anão. A primeira forma árvores de maior porte. A segunda apresenta plantas mais baixas, característica que facilita o acesso às cápsulas e reduz o esforço necessário durante a colheita.
Segundo especialistas, o porte das plantas é um fator importante principalmente nas propriedades que dependem de mão de obra familiar. A uniformidade da maturação e a disposição dos galhos também interferem na velocidade da colheita e no aproveitamento das sementes.
O urucum tem espaço em áreas nas quais a produção de soja ou milho em grande escala encontra limitações econômicas e operacionais. Em propriedades de até dez hectares, a cultura pode complementar a renda obtida com a pecuária leiteira e outras atividades.
A colheita é semimecanizada. As cápsulas são retiradas dos galhos e encaminhadas para equipamentos que fazem a separação das sementes. O processo ainda exige participação considerável de trabalhadores, o que torna o custo e a disponibilidade de mão de obra pontos importantes no planejamento.
Os frutos do urucuzeiro são cápsulas revestidas por espinhos maleáveis. Em seu interior ficam as sementes cobertas por um pigmento avermelhado utilizado na fabricação de colorau e de corantes naturais.
A bixina, principal pigmento extraído das sementes, abastece sobretudo a indústria de alimentos. A substância é empregada na coloração de queijos, embutidos, massas, molhos, bebidas, sorvetes, doces e outros produtos.
A matéria-prima também possui aplicações nas indústrias cosmética, química, têxtil e de vernizes. A procura por corantes de origem natural ajuda a sustentar o mercado, mas a remuneração depende da qualidade das sementes e do conteúdo de pigmento.
O teor de bixina é um dos principais critérios avaliados pela indústria. Sementes com maior concentração proporcionam melhor rendimento no processamento, o que aumenta a importância da escolha da variedade e do manejo correto da lavoura.
Pesquisas conduzidas pelo Instituto Agronômico (IAC), ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), buscam desenvolver plantas que reúnam porte reduzido, maior produtividade, elevado teor de bixina e resistência às principais doenças.
Entre os problemas acompanhados está o oídio, doença identificada pela formação de uma camada esbranquiçada nas folhas. Quando não controlada, pode reduzir a capacidade de desenvolvimento das plantas e afetar o potencial produtivo.
Os estudos também avaliam espaçamento, arquitetura das plantas, adaptação regional e diversidade genética. O instituto mantém um banco de germoplasma com 378 genótipos, utilizados na seleção de materiais com características de interesse dos agricultores e da indústria.
Por ser uma cultura perene, o urucum exige planejamento de longo prazo. A implantação das mudas deve ser feita preferencialmente entre a primavera e o verão, quando o período chuvoso favorece o crescimento inicial.
Antes de iniciar o cultivo, o produtor precisa avaliar a existência de compradores, a distância até as unidades de beneficiamento e a disponibilidade de trabalhadores. Ao contrário das grandes commodities, o urucum possui um mercado mais restrito e depende de canais comerciais organizados.
A produtividade elevada e os preços próximos de R$ 15 por quilo melhoram as perspectivas desta safra. Para as pequenas propriedades, a cultura representa uma alternativa de diversificação, mas o resultado depende de assistência técnica, qualidade das sementes, eficiência na colheita e segurança na comercialização.
Fonte: Pensar Agro
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