Paraná
Simepar conta com pesquisadores da Alemanha, Moçambique, Peru e Síria
Moçambique, Alemanha, Síria e Peru. São estes os países de origem de quatro imigrantes que escolheram o Simepar, Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná, para desenvolver suas pesquisas científicas. Eles encontraram no Paraná o ambiente seguro e rico para aprender, viver e construir uma nova etapa de suas vidas, e relembram cada passo dessa história neste Dia do Imigrante. O 25 de junho celebra a herança histórica, a miscigenação e o impacto de estrangeiros de diversas nacionalidades na formação da cultura, sociedade e economia brasileira.
Muito além do monitoramento, o Simepar também tem como um de seus pilares a educação ambiental. A instituição estimula o desenvolvimento de projetos que protejam o meio ambiente e a sociedade, como por exemplo o estudo do impacto das mudanças climáticas no regime de chuvas, ou o uso de inteligência artificial para monitorar vazão, nível e qualidade da água dos rios.
Sabendo disso, Leslie Chumbe veio ao Paraná em fevereiro de 2024 de Lima, no Peru, e participou de um processo seletivo para a área de geoprocessamento do Simepar. “Escolhi o Paraná por recomendação de colegas, devido às referências que o estado possui tanto no campo profissional quanto no acadêmico, para realizar meu mestrado na área de Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental na UFPR. Durante esse processo, conheci diversas instituições referência na área ambiental, e quis entrar no Simepar”, explica.
Atuante no setor de Geointeligência, Leslie fiscaliza diversos produtos como Modelo Digital de Terreno (MDT), Modelo Digital de Superfície (MDS) e voos fotogramétricos, com ferramentas e programas especializados. Na pesquisa, ela reconstrói a evolução histórica da qualidade ambiental do Rio Iguaçu ao longo dos últimos 150 anos, correlacionando-a com as mudanças no uso do solo em sua bacia hidrográfica. Ela analisa sedimentos que atuam como arquivos ambientais, integrando marcadores geoquímicos e moleculares para avaliar a carga histórica de nutrientes e matéria orgânica – incluindo análise de DNA de comunidades bacterianas e arqueias. A pesquisa identifica como as transformações antrópicas influenciaram a dinâmica e a saúde do ecossistema fluvial.
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MOÇAMBIQUE – Após pesquisar os melhores lugares do mundo em relação à segurança e qualidade de vida, Faiman Orlando da Silva escolheu o Paraná para viver. Nascido em Maputo, capital de Moçambique, e formado em engenharia florestal, chegou ao Brasil em março de 2025 com o foco de fazer mestrado na mesma área, na Universidade Federal do Paraná (UFPR).
“Verifiquei as avaliações que a UFPR tem na área florestal e recebi recomendações de vários professores meus da graduação em Moçambique, que também estudaram no Paraná. Sabia que era o estado certo para vir”, afirma Faiman. No mesmo câmpus da UFPR fica o Simepar, e foi na instituição que o pesquisador começou a estudar os detalhes da plataforma VFogo, que monitora focos de calor.
Atualmente, ele pesquisa formas de aprimorar a previsão e detecção de incêndios florestais no Brasil, aplicando índices de perigo de incêndios, como a Fórmula de Monte Alegre, para diferentes regiões do Brasil, além da elaboração de planos de prevenção e combate a incêndios florestais para diferentes áreas de interesse.
“Aproveitando essa ligação que tenho com a UFPR, facilita o desenvolvimento de notas conceituais que jogam tanto no lado acadêmico e de pesquisa como no lado técnico, para apoiar o trabalho do Simepar”, ressalta Faiman.
GUERRA – Hoje pesquisadora do Simepar, Violet Ishak decidiu deixar a Síria em março de 2017. O país estava em guerra, e ela buscava segurança. “Fiz uma pesquisa no Google e encontrei no Paraná a capital mais segura e com custo de vida adequado para mim. Também descobri que é uma cidade que ganhou vários prêmios por ser cuidadosa com o meio ambiente, e era um lugar assim que eu queria para viver”, afirma.
Desde que chegou ao Brasil, ela decidiu que iria focar os esforços na carreira profissional. Engenheira ambiental, Violet concluiu a dissertação de mestrado sobre aplicação de métodos para corrigir vieses em modelos climáticos de chuva, e o trabalho interessou o Simepar.
Atualmente, ela desenvolve na instituição uma pesquisa sobre o impacto das mudanças climáticas nas médias mensais de precipitação em bacias hidrográficas. Para isso, ela utiliza métodos de correção de modelos computacionais capazes de simular o comportamento do clima. “Estes modelos apresentam erros sistemáticos que podem resultar na superestimação ou subestimação da precipitação. Para reduzir esses erros, foram aplicados métodos estatísticos de correção de viés, com o objetivo de obter séries de precipitação mais próximas da realidade e gerar informações mais confiáveis para o planejamento de políticas públicas e para a gestão dos recursos hídricos e energéticos”, explica.
FAMÍLIA – Para ficar mais perto de sua amada uruguaia que já morava em Curitiba, e para assumir o cargo de professor visitante na UFPR, o alemão Tobias Bleninger mudou-se para a capital paranaense há 17 anos. “Gostei dos projetos grandes e desafios no Brasil, e passei em um concurso na universidade em 2011, onde atuo como professor até hoje”, conta.
Ele é doutor em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambientais pelo Karlsruhe Institute of Technology (2006), na Alemanha, e graduado em Engenharia Civil com especialização em Hidráulica e Meio Ambiente na mesma universidade (2000).
Com 24 anos de experiência no desenho e na modelagem de emissários submarinos, incluindo a hidráulica interna de difusores e o acoplamento de modelos hidrodinâmicos, além de experiência na área de Hidráulica e Mecânica dos Fluidos, aplicando métodos numéricos e fazendo medições em campo e em laboratório, ele realizou várias atividades de consultoria, além dos projetos de pesquisa e desenvolvimento.
Foi através do convênio com a Sanepar que ele chegou ao Simepar, onde desenvolveu um projeto envolvendo equipamentos acústicos para medição de vazão. A parceria de Bleninger com o Simepar continua no projeto Infohidro, para o qual ele criou os indicadores de qualidade de água. O Infohidro é uma plataforma de informações estratégicas, baseadas em dados especializados para o auxílio à tomada de decisão e uso sustentável dos recursos hídricos.
Os temas de pesquisa atuais de Bleninger são estudos de projetos de hidráulica de hidrovias e fenômenos de transporte em reservatórios. Com o Simepar, o professor desenvolve publicações científicas como pesquisador sênior e presta consultoria ao desenvolvimento de produtos que envolvem a ampliação do uso do sensoriamento remoto.
Fonte: Governo PR
Paraná
BRDE lança academia corporativa para fortalecer inovação e gestão do conhecimento
O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) apresentou nesta quinta-feira (25), em Curitiba, a Academia BRDE de Inovação e Desenvolvimento (ABID), iniciativa de educação corporativa criada para fortalecer a formação dos profissionais do banco, integrar práticas de gestão do conhecimento e ampliar a capacidade da instituição de atuar como agente de desenvolvimento regional.
A primeira apresentação foi para os funcionários da agência paranaense. Nas próximas etapas, o banco fará encontros semelhantes no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, dando sequência à implantação gradual da academia nos três estados do Sul.
Criada por iniciativa do diretor-presidente Renê Garcia Junior, a Abid vai organizar ações de capacitação, trilhas de desenvolvimento, programas de formação, mentorias e práticas de disseminação de conhecimento. A proposta é alinhar o desenvolvimento das equipes aos objetivos estratégicos do banco, com foco em inovação, excelência técnica, integração entre áreas e impacto positivo para a sociedade.
“Um banco de desenvolvimento precisa formar continuamente suas equipes para compreender os desafios do setor produtivo, dos municípios e das políticas públicas. A Academia nasce com esse propósito: desenvolver pessoas para que o BRDE amplie sua capacidade de transformar conhecimento em soluções para o desenvolvimento regional”, afirmou Renê Garcia Junior.
A implantação será feita de forma progressiva. Na primeira etapa, a academia terá como foco o público interno, com revisão de políticas e programas de recursos humanos, estruturação e consolidação de um mapa de competências. A perspectiva é que, em até 24 meses, a iniciativa também possa atender parceiros institucionais do BRDE, cooperativas, municípios, órgãos governamentais e entidades ligadas ao ecossistema de desenvolvimento.
Para o diretor administrativo do BRDE, Heraldo Neves, a academia representa uma etapa importante no processo de modernização institucional do banco. “A formação permanente é parte da agenda de fortalecimento do BRDE. Ao organizar conhecimento e valorizar especialistas internos por meio da aprendizagem contínua, o banco melhora sua capacidade de execução e prepara suas equipes para responder com mais eficiência às demandas da sociedade”, disse.
A Abid terá atuação voltada ao desenvolvimento de competências alinhadas à estratégia do banco, à promoção de um ambiente colaborativo e saudável, ao monitoramento de resultados e à integração entre áreas e processos. Entre os instrumentos previstos estão cursos, oficinas, formações técnicas, conteúdos presenciais e digitais, programas de mentoria e comunidades de prática.
O superintendente de Infraestrutura e Recursos Humanos do banco, Hélio de Paula e Silva, responsável pela implementação da academia, destacou que o trabalho será conduzido com base em diagnóstico, planejamento e avaliação de resultados. “A Academia BRDE vai reunir iniciativas que já existem, aprimorar programas e construir novas trilhas de desenvolvimento. A ideia é dar método, continuidade e mensuração à educação corporativa, valorizando o conhecimento que está dentro do banco e conectando esse conhecimento às necessidades estratégicas da instituição”, afirmou.
Além da capacitação formal, a academia prevê a participação de especialistas internos como instrutores e mentores. Esses profissionais atuarão como multiplicadores de conhecimento técnico, normativo, processual e institucional, contribuindo para preservar a memória técnica do banco.
A estruturação da Abid também abre caminho para futuras parcerias com instituições de ensino, escolas de governo, universidades corporativas, entidades do sistema de desenvolvimento e organismos especializados. “A inovação não está apenas na tecnologia. Ela também está na forma como as instituições aprendem, compartilham conhecimento e se preparam para entregar melhores respostas. É esse movimento que a Academia BRDE passa a estruturar”, acrescentou Renê Garcia Junior.
A apresentação de lançamento também contou com a participação de Paulo Starke, superintendente do BRDE no Paraná; Guilherme Pegorini, chefe do Departamento de Recursos Humanos do banco; e Daisy Quintana de Aguiar, analista de desenvolvimento no RH da instituição. Eles detalharam aos funcionários a proposta de implantação da Academia, as etapas previstas para a sua estruturação, o papel dos especialistas internos como multiplicadores de conhecimento e a integração da iniciativa às políticas de desenvolvimento de pessoas do BRDE.
Fonte: Governo PR
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