Brasil
PAT chega aos 50 anos com novas medidas de gestão e eficiência
O Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) poderá alcançar mais de 40 milhões de trabalhadores nos próximos anos. A projeção foi apresentada pelo secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Francisco Macena, durante evento em celebração aos 50 anos do programa, realizado nesta terça-feira, 7 de abril, em Brasília, pela Câmara Brasileira de Benefícios ao Trabalhador (CBBT). Na ocasião, Macena também anunciou que, no próximo dia 14 de abril, data em que o PAT completa cinco décadas, serão divulgadas as datas de início do Comitê Gestor Interministerial, instância previstas no Decreto nº 12.712 para fortalecer a governança da política pública e da Comissão Nacional do programa, composta por representantes dos trabalhadores, empregadores, fornecedores – bares, restaurantes, supermercados e similares – incluindo empresas que atuam no setor de pagamento do PAT – e governo.
O evento reuniu autoridades, especialistas e representantes do setor para discutir os avanços, desafios e perspectivas do PAT, que atualmente atende cerca de 22 milhões de trabalhadores e movimenta aproximadamente R$ 170 bilhões por ano na economia. Com mais de 331 mil empresas beneficiárias, o programa é reconhecido como um dos maiores do mundo na área de segurança alimentar voltada ao trabalho.
Durante o painel “Legado, transformações recentes e perspectivas econômicas”, Macena destacou que o PAT foi criad0, em 1976, com o objetivo de promover melhores condições de trabalho, qualidade de vida e segurança alimentar, inicialmente por meio da oferta de refeições no local de trabalho e da distribuição de cestas básicas. Segundo ele, após cinco décadas de evolução e adaptação, o desafio atual é fortalecer o programa como uma política pública efetiva. “O PAT precisa assegurar alimentação saudável e qualidade de vida, acompanhando as transformações tecnológicas e sociais do mundo do trabalho”, afirmou.
Segundo ele, ao longo dos anos, o programa se consolidou como uma política pública construída com base no diálogo entre governo, empresas e sociedade. “Os 50 anos do PAT representam um momento de retomada e fortalecimento dessa política, diante das transformações no mundo do trabalho e dos desafios econômicos atuais”,salientou o secretário-executivo também ressaltou que as mudanças recentes implementadas pelo governo têm gerado efeitos transformadores, como a limitação das taxas cobradas dos comerciantes, a melhoria no fluxo de caixa dos estabelecimentos e a interoperabilidade do sistema, que amplia a concorrência e a liberdade de escolha do trabalhador. Para ele, ainda há espaço para avanços, especialmente no fortalecimento do controle do uso adequado do benefício e na ampliação da rede de atendimento. “O benefício não deve ser tratado como voucher ou complemento salarial, mas como um instrumento específico de política pública de segurança alimentar”, concluiu.
No painel sobre Inovação, Tecnologia e Ampliação da Concorrência, Macena reforçou que a ampliação do programa depende do aumento da adesão de empresas e do fortalecimento da fiscalização para coibir práticas irregulares. Ele destacou que o objetivo é expandir o número de beneficiários para um patamar entre 25 e 30 milhões no curto prazo, com potencial de chegar a 40 milhões de trabalhadores. “Para o futuro, a expectativa é que o PAT se consolide como uma infraestrutura pública digital, com foco na segurança alimentar, na eficiência do sistema e na garantia de que os recursos cheguem integralmente ao trabalhador, com apoio de soluções tecnológicas para evitar desvios”.
O presidente da CBBT, Júlio Brito, também ressaltou o potencial de crescimento do número de beneficiários e a importância de fortalecer a fiscalização e o uso adequado do benefício. Especialistas destacaram que a modernização do PAT depende de mais concorrência, regras claras e fiscalização. A economista Silvia Faga ressaltou que reduzir barreiras de entrada melhora a qualidade dos serviços e amplia as opções para empresas e trabalhadores. O presidente da ABRAS, João Galassi, defendeu que todas as empresas cumpram as regras do programa — e que aquelas que não quiserem seguir a regulamentação deixem o sistema — além de reforçar que o modelo mais aberto e competitivo deve avançar, inclusive com a ampliação do benefício para novos públicos. Já o conselheiro da CBBT, Ademar Bandeira, alertou que inovação e competitividade precisam vir acompanhadas de fiscalização efetiva para evitar distorções e garantir os objetivos do PAT.
Ao final do evento, Júlio Brito entregou ao ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e ao secretário-executivo Francisco Macena uma placa em reconhecimento à atuação em prol do fortalecimento do programa.
Sobre o Programa De Alimentação do Trabalhador
O Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) é uma política pública que incentiva as empresas a oferecerem alimentação adequada e de qualidade aos trabalhadores por meio de incentivos fiscais. O benefício pode ser concedido na forma de vale-refeição ou vale-alimentação, utilizado em restaurantes, lanchonetes e supermercados credenciados. A gestão do programa foi recentemente modernizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com base no Decreto nº 12.712, de 11 de novembro de 2025, que instituiu a interoperabilidade no sistema. A medida permite maior integração entre empresas operadoras de benefícios, sistemas de pagamento e estabelecimentos comerciais, ampliando as opções de uso do benefício e o acesso dos trabalhadores à rede credenciada.
Brasil
Ministério da Saúde reforça preparação do SUS em Roraima diante dos impactos da seca e do El Niño
O Ministério da Saúde realiza, nos dias 15 e 16 de setembro, uma visita técnica a Roraima para avaliar a capacidade de resposta do estado aos impactos da seca e da estiagem na saúde da população e no funcionamento dos serviços de saúde. A missão será conduzida pelo Departamento de Emergências em Saúde Pública (DEMSP), da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), em articulação com as secretarias de Atenção Especializada à Saúde (SAES), de Atenção Primária à Saúde (SAPS) e de Saúde Indígena (SESAI), além da Secretaria de Estado da Saúde de Roraima.
A iniciativa ocorre diante do agravamento das condições climáticas no estado. Em 2 de setembro, o Governo de Roraima decretou situação de emergência em razão da estiagem, classificada como desastre de nível 2, de média intensidade, pelo período de 180 dias. A atuação do El Niño, atualmente classificado como de intensidade muito forte, pode intensificar a seca nos próximos meses, aumentando o risco de incêndios florestais e os possíveis impactos sobre a população e a rede de saúde.
Os indicadores ambientais já apontam para o agravamento do cenário. Agosto de 2026 registrou o maior número de focos de calor da série histórica para o período em Roraima. Até 27 de agosto, foram contabilizadas 87 ocorrências, superando o recorde anterior, de 78 focos, registrado em 2023.
Durante a visita, representantes do Ministério da Saúde e do estado vão apresentar o cenário da seca e da estiagem em Roraima, discutir as estratégias de preparação já existentes e avaliar as possibilidades de apoio federal. A programação prevê, ainda, a definição de uma estratégia de intervenção e a construção conjunta de um plano de ação para o enfrentamento dos impactos associados ao El Niño. No segundo dia da agenda, o plano será apresentado e pactuado entre os participantes.
Preparação do SUS
A iniciativa em Roraima integra as ações de preparação e resposta do Ministério da Saúde diante de emergências relacionadas ao clima e ocorre em meio à mobilização nacional para preparar o SUS para os impactos do El Niño.
No início de setembro, gestores dos 26 estados e do Distrito Federal participaram de uma nova etapa de construção dos Planos Estaduais de Enfrentamento ao fenômeno, considerando os riscos, as necessidades e as vulnerabilidades de cada território. A atuação federal inclui o monitoramento de eventos como estiagens prolongadas, ondas de calor, incêndios florestais, baixa umidade, chuvas intensas e enchentes, com a produção de análises para orientar alertas, identificar áreas prioritárias, apoiar a preparação da rede de saúde e atualizar os planos de contingência.
Nesse trabalho, o Ministério da Saúde conta com oito Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC), localizados em Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), Belém (PA), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Santarém (PA), Salvador (BA) e Fortaleza (CE). Os centros reúnem e analisam dados climáticos e epidemiológicos para identificar riscos, apoiar a elaboração de planos de contingência e subsidiar a resposta do SUS diante de eventos extremos.
A Força Nacional do SUS (FN-SUS) também está disponível para apoiar estados e municípios nas ações de assistência, conforme a necessidade e a avaliação técnica de cada ocorrência. O país conta, atualmente, com três bases regionais em funcionamento — em Porto Alegre, Salvador e Rio de Janeiro. Equipadas com posto médico avançado, comunicação via satélite e drones, as estruturas podem deslocar apoio para localidades de suas regiões de referência em até 12 horas. Outras seis bases estão previstas até o fim de 2026.
As iniciativas fazem parte de uma estratégia mais ampla de adaptação do setor saúde às mudanças climáticas. Apresentado durante a COP30, o AdaptaSUS — Plano Nacional de Adaptação do Setor Saúde às Mudanças Climáticas — estabelece 27 metas e 93 ações até 2035, com previsão de R$ 9,8 bilhões em investimentos para a adaptação estrutural da rede de saúde.
Deborah Novais
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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