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O futuro do tratamento do câncer: acelerador de prótons aproxima os pacientes da cura

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No Brasil, onde a expectativa é de 704 mil novos casos de câncer por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), cada avanço tecnológico é uma nova esperança para pacientes e familiares. Um desses avanços é o desenvolvimento do acelerador de prótons, equipamento capaz de ampliar o acesso a diagnósticos por imagem e de tornar as terapias oncológicas mais precisas e eficientes. Ele está sendo desenvolvido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio da empresa pública vinculada à pasta chamada Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP).  

A nova tecnologia permitirá a produção nacional de radioisótopos utilizados em exames e tratamentos contra o câncer. Esses materiais radioativos integram radiofármacos aplicados na medicina nuclear para localizar tumores, acompanhar a evolução das doenças e destruir células cancerígenas aumentando, assim, as chances de resposta terapêutica.  

Segundo o diretor adjunto de Tecnologia do CNPEM, James Citadini, o equipamento nacional será mais acessível que os modelos importados, cujos custos de aquisição e manutenção dificultam sua adoção no Brasil. Ele destaca que a iniciativa fortalece a autonomia e o domínio de uma tecnologia estratégica para o País.  

Hoje, o Brasil depende majoritariamente da importação desses radiofármacos, o que gera custos elevados e risco de desabastecimento. Como os principais radioisótopos usados — como flúor-18 e gálio-68 — têm meia-vida de poucos minutos ou horas, muitas vezes não chegam a tempo a hospitais distantes dos grandes centros, atrasando diagnósticos essenciais. Com a produção mais próxima dos serviços de saúde, será possível ampliar o número de exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e reduzir a espera dos pacientes. 

Avanços que podem transformar a oncologia 

O domínio da tecnologia também abre caminho para a expansão da terapia com feixe de prótons, tratamento usado em países desenvolvidos para atingir tumores com precisão muito maior. A radiação é concentrada no alvo, preservando tecidos saudáveis.  

“Com o feixe de prótons, a radiação se concentra no tumor e preserva os tecidos saudáveis ao redor. É extremamente relevante para casos de câncer infantil e tumores próximos a regiões sensíveis, como o nervo óptico”, destaca Citadini.  

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Protótipo do acelerador de prótons – Foto: Divulgação/CNPEM

 

Embora o CNPEM não vá atuar diretamente no atendimento médico ou na produção industrial dos radiofármacos, o projeto desenvolve e disponibiliza as bases tecnológicas para que hospitais e empresas brasileiras possam desenvolver e ofertar futuramente tratamentos mais avançados no País.  

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Como está sendo viabilizado 

O projeto do acelerador recebeu aprovação do Ministério da Saúde e contará com investimento de aproximadamente R$ 27 milhões pelo Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL), além de R$ 15 milhões de contrapartida do CNPEM, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O prazo de execução é de dois anos.  

Segundo Citadini, o avanço é também uma forma de preservar competências que o País construiu com muito esforço: “Não existe uma formação acadêmica tradicional em engenharia de aceleradores. Essa é uma competência rara, que o Brasil desenvolveu na construção do primeiro acelerador do CNPEM (conhecido como UVX) e posteriormente na construção do  Sirius e que precisa de novos desafios tecnológicos para ser mantida.” 

Além de permitir futuras aplicações na medicina, o acelerador fortalece cadeias de inovação já consolidadas — como computação de alto desempenho, controle a automação, engenharia de materiais e indústria de equipamentos médicos — e atrai profissionais altamente qualificados.  

Esse movimento é sustentado por políticas públicas que incentivam a inovação. Em 2024, a Lei do Bem, política estruturante administrada pelo MCTI para apoiar projetos de pesquisa e desenvolvimento nas empresas brasileiras, impulsionou mais de R$ 40 bilhões em iniciativas tecnológicas, muitas delas direcionadas ao setor de saúde. 

Para o coordenador-geral de Tecnologias Habilitadoras do MCTI, Felipe Bellucci, essa articulação entre ciência, indústria e SUS coloca o Brasil em trajetória de autonomia tecnológica. “O MCTI coordena instrumentos essenciais para que tecnologias estratégicas, como o acelerador de prótons, avancem da pesquisa para aplicações que beneficiam diretamente a população e o SUS”, afirmou.  

Primeiro protótipo em teste 

O desenvolvimento do acelerador começou no início de 2024. A equipe projetou, construiu e integrou os subsistemas necessários para fazer os primeiros testes. O protótipo está em fase de experimentos e vai gerar feixes de prótons com energia de até 10 megaelétron-volts (MeV) ao final do projeto. Esse nível será suficiente para produzir uma variedade significativa de radioisótopos utilizados em medicina nuclear.  

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Com o domínio inicial da tecnologia, a próxima etapa prevê o aumento da energia do feixe para ampliar as possibilidades de aplicações médicas. O CNPEM também articula parcerias com instituições de pesquisa e hospitais, como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e participa de colaborações internacionais com centros de referência, incluindo o CERN, na Europa.  

Valorização de competências nacionais 

A iniciativa dá continuidade ao histórico do CNPEM no desenvolvimento de grandes instrumentos científicos. O centro é responsável pelo Sirius, o maior e mais avançado equipamento de pesquisa já construído no País. A manutenção dessa expertise contribui para a formação de profissionais altamente especializados — engenheiros, físicos e técnicos — e para a retenção de talentos em território nacional.  

O diretor James Citadini salienta que a tecnologia brasileira não apenas sustenta a ciência nacional, mas se conecta diretamente às demandas do País. “O Brasil tem carências reais na produção de radiofármacos e no acesso à radioterapia avançada. O acelerador de prótons é uma resposta estratégica que alia soberania tecnológica e benefícios concretos para a saúde da população”, afirma.  

Além de fortalecer o ecossistema científico, o projeto tem potencial para movimentar setores industriais ligados à saúde e tecnologia, estimulando inovação e transferência de conhecimento.  

Aceleradores de partículas 

O acelerador de prótons é um tipo de acelerador de partículas, que são equipamentos capazes de colocar partículas subatômicas em movimento altamente controlado, utilizando campos elétricos e magnéticos. Ao ganhar energia, elas podem ser direcionadas para aplicações que exigem grande precisão e conhecimento do comportamento da matéria. 

Os prótons são partículas mais pesadas, cerca de 2 mil vezes, e exigem uma arquitetura mais robusta e controle sofisticado para manter suas trajetórias estáveis. Quando acelerados, tornam-se ferramentas tecnológicas decisivas para a medicina e para a indústria, permitindo desde o desenvolvimento de novos traçadores biológicos até técnicas terapêuticas altamente direcionadas.  

Outro tipo de acelerador de partículas é o de elétrons que, por serem muito leves, podem ser movimentados com maior facilidade e são essenciais em centros de pesquisa como o Sirius — que usa radiação gerada pelos elétrons para revelar detalhes microscópicos de materiais e moléculas. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Onde o Cerrado encontra os versos: a jornada de 300 km pelo Caminho de Cora Coralina

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Imagine uma jornada onde cada passo ecoa um verso. No coração do Brasil, o Caminho de Cora Coralina é muito mais que uma trilha: é a única rota de longo curso do mundo com temática poética. Ao longo de 300 quilômetros pelo Cerrado, o itinerário reúne natureza preservada, memórias do período colonial, gastronomia típica e a alma da escritora mais amada de Goiás. É o encontro perfeito entre o esforço físico e a sutileza das palavras.

Estruturada em 13 trechos, a aventura pode ser feita a pé ou de bicicleta,  começando no município de Corumbá de Goiás e seguindo até a histórica Cidade de Goiás, reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco.

Ao longo desse trajeto, o viajante tem a oportunidade de conhecer outras seis cidades cheias de charme e história: Cocalzinho de Goiás, Pirenópolis, São Francisco de Goiás, Jaraguá, Itaguari e Itaberaí.

A experiência se torna ainda mais especial durante a passagem por povoados ricos em identidade cultural, como Caxambú, Radiolândia, Vila Aparecida, Alvelândia, Palestina, São Benedito, Calcilândia e Ferreiro, onde a hospitalidade goiana e a culinária típica do interior dão o tom de cada parada.

Além do resgate histórico, o Caminho de Cora Coralina proporciona uma verdadeira imersão na natureza intocada do Cerrado brasileiro. Os caminhantes e ciclistas atravessam áreas de preservação fundamentais para o ecossistema nacional, como o Parque Estadual dos Pireneus, o Geoparque dos Pireneus, o Parque Estadual da Serra de Jaraguá, a APA da Serra Dourada e o Parque Municipal da Estrada Imperial. 

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A trilha

A criação da trilha – idealizada em 2013 e estruturada a partir de 2017 – resgata caminhos de antigos desbravadores, apoiando-se em relatos históricos clássicos, como a jornada de Luís da Cunha Menezes, em 1778; os registros dos naturalistas Auguste de Saint-Hilaire e Johan Emanuel Pohl, no século XIX; as memórias de Oscar Leal e o próprio Relatório Cruls, que demarcou o Planalto Central. 

O nome da rota homenageia Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, a poetisa Cora Coralina, que imortalizou em seus versos os becos, as pedras e a alma do interior goiano.

Para registrar e eternizar essa caminhada, os viajantes contam com o Passaporte do Peregrino. À medida que o turista avança pelo percurso, ele coleta carimbos nos pontos de apoio e povoados parceiros, comprovando a conclusão do trajeto. Muito mais do que uma validação formal, o passaporte se transforma em um diário de bordo, onde cada carimbo representa uma lembrança que o viajante guardará para o resto da vida.

Como chegar

Planejar a viagem para o Caminho de Cora Coralina é simples. Para quem chega de outros estados, os principais pontos de desembarque são os aeroportos e rodoviárias de Brasília ou Goiânia, que ficam respectivamente a apenas 115 quilômetros e 113 quilômetros de distância de Corumbá de Goiás, o ponto de partida oficial. 

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Hoje, a trilha é gerida por uma associação formalizada com mais de 30 empreendedores locais e dezenas de voluntários, que oferecem suporte completo de alimentação, pouso e orientação, garantindo que o visitante desfrute de uma viagem confortável.

Trilhas de Longo Curso

Atualmente, o Brasil conta com 246 trilhas, que passam por 327 Unidades de Conservação (UC). Juntas, as trilhas possuem mais de 25.000 km planejados, com cada trilha identificada por uma logomarca em formato de pegada, nas cores preta e amarela, que pode ser personalizada com sua logomarca inserindo, dentro do formato de pegada, um desenho próprio que a represente.

As atividades mais praticadas em uma trilha de longo curso são as caminhadas, mas não se limitando a essa prática. O visitante pode encontrar diversas outras atividades, como cicloturismo, canoagem, montanhismo, observação de aves, corridas, campismo, observação de fauna, flora ou formações geológicas, dentre outras.

Por Victor Mayrink
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo

Fonte: Ministério do Turismo

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