Brasil
MMA participa de diálogo sobre Consulta Livre, Prévia e Informada em iniciativas de REDD+ no Pará
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) participou, entre os dias 15 e 16 de junho, do Diálogo sobre Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) em Iniciativas de REDD+, realizado em Belém (PA). Promovido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), com apoio do MMA, o encontro reuniu representantes do governo federal, governos estaduais, atores jurídicos, organismos internacionais, povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, agricultores familiares e organizações da sociedade civil.
A atividade teve como objetivo fortalecer o debate sobre a aplicação da CLPI no contexto de iniciativas de REDD+, promovendo a troca de experiências e a construção de entendimentos sobre a participação dos povos e comunidades em programas e projetos voltados à redução das emissões provenientes do desmatamento e da degradação florestal.
Ao longo dos dois dias, representantes de Povos Indígenas, Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais e Agricultores Familiares participaram de painéis sobre a Convenção nº 169 da OIT, as diferentes escalas de implementação de REDD+, processos de consulta em projetos privados e programas jurisdicionais, desafios jurídicos e estudos de caso relacionados ao tema.
“Dialogar sobre CLPI e trazer mais clareza para esses processos gera mais segurança jurídica para o mercado, mas principalmente para as comunidades. Quanto mais discutimos a realização da consulta em projetos privados e programas jurisdicionais de REDD+, mais avançamos na compreensão de como esses processos devem ocorrer ao longo dos próximos anos”, afirmou a coordenadora-geral de REDD+ do MMA, Mariane Nardi.
Em 2025, a Comissão Nacional para REDD+ (CONAREDD+) aprovou uma resolução que estabelece diretrizes para a implementação de programas e projetos de REDD+ em terras públicas e territórios coletivos, determinando ainda que devem ser realizados processos de CLPI nos termos da Convenção nº 169 da OIT.
“O trabalho do MMA, por meio da CONAREDD+, é estabelecer regramentos que possibilitem a implementação dessas consultas e avaliar continuamente a necessidade de novos documentos, diretrizes ou recomendações que fortaleçam sua implementação”, completou a coordenadora-geral.
O debate ocorreu em um contexto de avanço das iniciativas jurisdicionais de REDD+ no Brasil e de crescente interesse pelos mecanismos de financiamento climático voltados à conservação florestal, o que reforça a importância do fortalecimento de salvaguardas e mecanismos de participação social.
O diálogo também contribuiu para o fortalecimento da implementação da Estratégia Nacional para REDD+ (ENREDD+), promovendo maior segurança jurídica, transparência e participação social nos processos relacionados à conservação das florestas e ao financiamento climático no país.
Direito à participação
A Consulta Livre, Prévia e Informada é um direito assegurado pela Convenção nº 169 da OIT aos povos tradicionais. O mecanismo garante que esses grupos sejam consultados previamente à implementação de projetos ou à adoção de medidas que possam afetar seus territórios, direitos e modos de vida, podendo envolver diferentes etapas de diálogo e acompanhamento.
Sua realização é obrigatória nos casos previstos pela Convenção, e a possibilidade de influenciar na decisão representa uma expressão do direito à autodeterminação desses povos e comunidades.
Para o especialista em Povos Indígenas da OIT, Hernán Coronado Chuecas, o Brasil possui uma oportunidade importante de fortalecer a institucionalização desses processos. “O direito à CLPI deve ser visto como uma política pública. Por ser um processo permanente, é importante que o Brasil reitere o princípio da legalidade, avance na consolidação dessa política e estabeleça um desenho institucional que permita a implementação adequada desse mecanismo”, avaliou.
A experiência do Pará
Os sistemas jurisdicionais de REDD+ possibilitam a geração de créditos de carbono a partir da redução das taxas de desmatamento, que podem ser negociados [AA9] tanto em mercados regulados quanto voluntários.
No Pará, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), desenvolve ações para a implantação de seu sistema jurisdicional de REDD+. Em 2025, o estado iniciou um processo de consulta junto aos povos tradicionais, buscando assegurar sua participação na construção da política estadual e no desenho dos mecanismos de repartição de benefícios.
“A expectativa do estado sempre foi construir essa política pública com muito cuidado. Passamos por diversas capacitações técnicas e agora estamos na etapa final desse processo. Nosso objetivo é concluir as CLPIs da melhor forma possível, atendendo às expectativas e aos anseios das populações envolvidas”, afirmou a secretária-adjunta de Gestão de Águas e Clima da Semas (PA), Renata Nobre.
Durante o do evento, representantes de povos tradicionais compartilharam suas experiências e perspectivas sobre os processos de consulta relacionados às iniciativas de REDD+. As discussões destacaram a importância da participação direta desses grupos na construção das políticas e na definição dos mecanismos de repartição de benefícios.
“A nossa luta, enquanto representação da agricultura familiar, sempre foi discutir uma política pública construída com diálogo entre os diferentes segmentos. E esse momento chegou”, destacou a diretora-administradora de Finanças da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Pará (Fetagri-PA), Ângela de Jesus.
“A Resolução nº 19 da CONAREDD+ estabeleceu a realização da CLPI para a agricultura familiar, assim como para quilombolas, extrativistas e povos indígenas. Para nós, isso foi fundamental nesse processo. Nós podemos decidir”, concluiu.
A realização da CLPI é considerada um dos principais instrumentos para assegurar que iniciativas de REDD+ sejam implementadas de forma transparente, participativa e alinhada aos direitos dos povos tradicionais, fortalecendo a legitimidade e a efetividade das ações de conservação florestal.
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Brasil
Brasil e União Europeia ampliam parceria em energia e minerais críticos em reunião no MME
O Ministério de Minas e Energia (MME) recebeu, nesta terça-feira (23/6), o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, em reunião voltada ao fortalecimento do diálogo estratégico entre Brasil e União Europeia em temas relacionados à transição energética, minerais críticos e desenvolvimento sustentável. O encontro reuniu representantes do governo brasileiro e da Comissão Europeia para discutir oportunidades concretas de cooperação e investimentos nos setores de energia e mineração.
A agenda abordou iniciativas em infraestrutura energética e elétrica, hidrogênio de baixa emissão e seus derivados, combustíveis sustentáveis, descarbonização industrial, além de mecanismos de financiamento e investimentos em cadeias de valor estratégicas. A reunião integra a visita oficial do comissário europeu ao Brasil, realizada entre 18 e 24 de junho, e reforça a convergência entre as prioridades brasileiras e europeias para uma transição energética segura, sustentável e capaz de gerar desenvolvimento econômico.
Durante o encontro, o secretário-executivo do MME, Gustavo Ataíde, destacou que o Brasil reúne condições singulares para receber investimentos, graças à combinação entre abundância de recursos naturais e uma matriz energética predominantemente limpa. Segundo ele, a parceria com a União Europeia é fundamental para transformar o potencial brasileiro em projetos concretos capazes de gerar emprego, renda e desenvolvimento tecnológico.
“Há um alinhamento estratégico importante entre Brasil e União Europeia, e a determinação do ministro Alexandre Silveira é de que aproveitemos o momento de transformar intenções em ações concretas, capazes de gerar investimentos, empregos e renda. O Brasil oferece condições únicas para isso, mas busca parcerias que promovam a agregação de valor local, a formação de capital humano e a transferência de tecnologia”, afirmou.
Segurança jurídica e agregação de valor aos minerais críticos
Ao tratar das oportunidades na mineração, a secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Ana Paula Bittencourt, ressaltou que o Brasil oferece previsibilidade regulatória, estabilidade institucional e elevados padrões de sustentabilidade. Segundo ela, a diretriz do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é transformar a vantagem geológica brasileira em desenvolvimento socioeconômico e industrial.
A secretária destacou que o desafio atual vai além da expansão da produção mineral e passa pelo domínio tecnológico e pela formação de mão de obra especializada. Também defendeu o fortalecimento das cadeias produtivas para reduzir a concentração global do processamento desses minerais.
“Com um parceiro estratégico como a União Europeia, o Brasil pode avançar em saltos, e não apenas em passos. Temos condições de produzir materiais e insumos industriais de baixa pegada de carbono, aproveitando uma matriz elétrica com cerca de 90% de fontes renováveis”, disse.
O encontro ocorre em um momento de crescente interesse internacional pelas reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras, consideradas estratégicas para setores como mobilidade elétrica, semicondutores, indústria de defesa e tecnologias de baixo carbono. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras e busca ampliar a agregação de valor às cadeias produtivas associadas a esses recursos.
Hidrogênio de baixa emissão e infraestrutura energética
A secretária substituta de Transição Energética e Planejamento, Lorena Perim, destacou o protagonismo do Brasil como um dos principais polos globais de energias renováveis e ressaltou o interesse de empresas europeias em projetos de hidrogênio de baixa emissão. Segundo ela, o país trabalha para garantir que os investimentos em novas cadeias energéticas resultem em benefícios estruturantes para a economia brasileira. A regulamentação do hidrogênio de baixa emissão, atualmente em fase final de elaboração, deverá contribuir para acelerar decisões de investimento e ampliar a cooperação com parceiros internacionais.
“Nós sabemos que há um grande interesse por parte dos investidores, considerando que o Brasil é um grande hub de energia renovável, mas a nossa regulamentação e as nossas discussões internas sempre passam por internalizar ganhos além de simplesmente a implantação do projeto; nós precisamos trazer parte desse valor, dessa cadeia para o Brasil”, destacou Lorena.
Parceria mira investimentos e resultados concretos
Representando a União Europeia, o comissário para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, destacou que Brasil e Europa compartilham valores e interesses estratégicos e defendeu maior foco na implementação das iniciativas em curso.
“Temos valores compartilhados, competências dos dois lados e determinação. Agora precisamos fazer acontecer. Precisamos acelerar, avançar em medidas práticas e alinhar marcos e propostas específicas”, afirmou.
Síkela também ressaltou o crescente interesse de empresas europeias em investir no Brasil e defendeu a construção de projetos emblemáticos capazes de impulsionar novos investimentos, inclusive em outros mercados da América Latina.
A reunião no MME integra uma agenda mais ampla de aproximação entre Brasil e União Europeia, que inclui iniciativas no âmbito da estratégia Global Gateway e da parceria em matérias-primas críticas. A cooperação busca fortalecer cadeias produtivas resilientes, promover investimentos sustentáveis e ampliar a participação brasileira em segmentos de maior valor agregado ligados à transição energética global.
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