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Mercado de açúcar segue atento ao mix das usinas e ao clima global, aponta Itaú BBA

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O mercado global de açúcar segue operando sob forte influência do clima, do ritmo de produção no Brasil e das decisões das usinas sobre o mix entre açúcar e etanol. A análise faz parte do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que aponta um cenário de elevada volatilidade para o setor sucroenergético ao longo dos próximos meses.

Segundo o banco, as cotações internacionais do açúcar continuam pressionadas pela maior disponibilidade global da commodity, especialmente diante da recuperação produtiva em importantes países exportadores. Ao mesmo tempo, o mercado monitora com atenção o avanço da safra brasileira e as condições climáticas nas principais regiões produtoras.

Produção brasileira segue como principal fator para os preços

O relatório destaca que o Brasil permanece no centro das atenções do mercado internacional, devido ao peso da região Centro-Sul na formação da oferta global de açúcar.

Com o avanço da moagem da cana-de-açúcar, o comportamento climático tem sido decisivo para o ritmo da produção. Chuvas irregulares e períodos mais secos em determinadas regiões influenciam diretamente a produtividade agrícola e o teor de açúcar recuperável (ATR).

Além disso, o mix de produção adotado pelas usinas — direcionando mais cana para açúcar ou etanol — continua sendo um dos principais vetores de movimentação dos preços internacionais.

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De acordo com o Itaú BBA, a atratividade relativa entre os dois produtos dependerá principalmente da dinâmica dos combustíveis, do comportamento do petróleo e da demanda doméstica por etanol no Brasil.

Oferta global maior limita movimentos de alta

A consultoria aponta que o aumento da disponibilidade global de açúcar vem limitando movimentos mais expressivos de valorização nas bolsas internacionais.

Entre os fatores monitorados pelo mercado estão:

  • Recuperação da produção em países asiáticos;
  • Melhora das perspectivas climáticas em regiões produtoras;
  • Avanço da safra brasileira;
  • Maior competitividade nas exportações globais.

Apesar disso, o cenário ainda inspira cautela devido aos riscos climáticos e geopolíticos que podem afetar o fluxo global de commodities agrícolas e energéticas.

Clima continua no radar do setor sucroenergético

O relatório do Itaú BBA reforça que as condições climáticas seguem como variável-chave para o mercado de açúcar em 2026.

A possibilidade de consolidação de um fenômeno El Niño mais intenso pode alterar o regime de chuvas em importantes regiões agrícolas do Brasil, afetando produtividade, moagem e qualidade da cana.

Além do clima doméstico, o mercado internacional acompanha o comportamento climático em países relevantes para a oferta global, o que pode provocar novas oscilações nas cotações ao longo do ciclo.

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Etanol também influencia estratégia das usinas

Outro ponto destacado no Agro Mensal é a relação direta entre o mercado de etanol e as decisões das usinas brasileiras.

Com oscilações recentes nos preços do petróleo e combustíveis, o setor avalia constantemente a rentabilidade entre a produção de açúcar e etanol. Esse movimento influencia o volume exportado de açúcar brasileiro e interfere no equilíbrio global entre oferta e demanda.

Segundo a análise, a tendência é de manutenção de elevada sensibilidade do mercado às mudanças de mix produtivo nas usinas do Centro-Sul.

Cenário exige atenção do produtor e da indústria

O Itaú BBA avalia que o ambiente segue desafiador para produtores, usinas e agentes do setor sucroenergético. A combinação entre oferta mais confortável, incertezas climáticas e volatilidade cambial deve manter o mercado atento aos próximos movimentos da safra brasileira.

Para o banco, os fundamentos globais ainda apontam para um mercado relativamente abastecido, mas sujeito a rápidas mudanças diante de eventos climáticos ou alterações no mercado energético internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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