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Agro

Mercado do boi gordo ganha força com exportações recordes e oferta mais ajustada

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O mercado do boi gordo registrou valorização em abril impulsionado pela demanda firme e pelo avanço das exportações brasileiras de carne bovina. A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que aponta um cenário ainda positivo para a pecuária em 2026, embora com sinais de cautela no horizonte.

Segundo o levantamento, o indicador Cepea do boi gordo teve alta de 3,7% no mês, elevando a média para R$ 363 por arroba, patamar 15% superior ao registrado em abril de 2025.

O movimento foi sustentado por uma combinação de demanda consistente e oferta mais ajustada de animais para abate durante a primeira quinzena do mês. Ainda assim, o mercado perdeu parte da força no fim de abril, quando as escalas de abate ganharam maior conforto para os frigoríficos.

Exportações de carne bovina batem recorde em abril

As exportações brasileiras de carne bovina in natura voltaram a se destacar no cenário internacional. Em abril, os embarques alcançaram 252 mil toneladas, volume recorde para o mês e 4,4% acima do registrado no mesmo período do ano passado.

No acumulado do primeiro quadrimestre, as exportações cresceram 15% na comparação anual, com forte participação da China, principal destino da proteína brasileira. Apenas em abril, os chineses importaram cerca de 135 mil toneladas de carne bovina brasileira, avanço de 26% frente a abril de 2025.

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Além do aumento de volume, o preço médio de exportação também avançou, chegando a US$ 6.240 por tonelada, alta de 7,3%. O relatório destaca, porém, que o avanço do boi gordo em dólar praticamente anulou o spread de exportação, reduzindo as margens da indústria frigorífica.

Alta do bezerro pressiona relação de troca na pecuária

Enquanto o boi gordo mostrou estabilidade no início de maio, o mercado de reposição seguiu em trajetória de alta.

O preço do bezerro acumulou valorização de 3,7% entre o começo de abril e 8 de maio, alcançando R$ 3.425 por cabeça. Com isso, a relação de troca entre boi gordo e bezerro permaneceu pressionada, exigindo maior atenção dos pecuaristas no planejamento da reposição do rebanho.

Segundo o Itaú BBA, a relação de troca ficou em 2,16 bezerros por boi gordo vendido, índice 3,2% inferior ao observado no mesmo período do ano passado.

Demanda chinesa deve sustentar mercado no curto prazo

O relatório destaca que a demanda chinesa deve continuar sustentando as exportações brasileiras nos próximos meses.

Até abril, pouco mais de 40% da cota anual chinesa de 1,1 milhão de toneladas havia sido preenchida, indicando continuidade das compras no curto prazo. Entretanto, os analistas alertam que a procura por animais padrão China pode perder intensidade antes do segundo semestre, já que os frigoríficos costumam antecipar as programações de compra.

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A curva futura do boi gordo projeta preços entre R$ 337 e R$ 338 por arroba entre junho e agosto, com possibilidade de recuperação posterior diante da expectativa de retomada da demanda chinesa para atendimento da cota de 2027.

Oferta menor de fêmeas pode limitar pressão baixista

Outro fator monitorado pelo mercado é a redução da oferta de fêmeas para abate, cenário que tende a restringir a disponibilidade de animais terminados ao longo dos próximos meses.

Apesar disso, o período de seca normalmente estimula alguma desova de animais confinados ou terminados a pasto, o que pode gerar momentos de pressão pontual sobre os preços.

O Itaú BBA avalia que a operação de confinamento segue rentável nos atuais níveis de preço, especialmente para entregas programadas no segundo semestre. Diante do ambiente de volatilidade e dos riscos ligados ao mercado internacional, a recomendação é de intensificar estratégias de hedge para proteção das margens da atividade pecuária.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro

Cúpula do agro liga inovação e rastreabilidade ao acesso a mercados

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Acesso a mercados, rastreabilidade e uso de tecnologia para reduzir riscos estão no centro da proposta da Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro, a Citagro 2026, marcada para 16 de novembro, em São Paulo. O encontro pretende aproximar empresas, investidores e pesquisadores em torno da competitividade da produção brasileira.

A questão chega à porteira por meio das exigências dos compradores. Para cadeias que abastecem mercados com regras ambientais específicas, comprovar a origem da mercadoria e as condições de produção passa a integrar o trabalho de comercialização. Sistemas digitais de rastreabilidade ajudam a organizar as informações necessárias para atender a esses critérios.

Um exemplo é o Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR), cuja aplicação começa em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores, segundo a Comissão Europeia. A norma abrange bovinos, soja, café, cacau, óleo de palma, borracha, madeira e determinados derivados. Para a maior parte dos micro e pequenos operadores, o prazo é 30 de junho de 2027.

As regras exigem comprovação de que os produtos foram obtidos conforme a legislação do país de origem e não estão associados a desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020. A verificação envolve informações sobre fornecedores e localização das áreas produtivas. Mesmo produtores brasileiros que vendem a uma cooperativa ou empresa intermediária recebem demandas por esses dados dos compradores.

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Outra mudança é o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira da União Europeia (CBAM), em sua fase definitiva desde janeiro de 2026. Seu alcance inclui determinados fertilizantes e outros produtos industriais. Nesses casos, as emissões da fabricação entram no cálculo das obrigações dos importadores europeus, acrescentando uma variável ambiental à relação comercial.

O material de apresentação da Citagro também destaca a inteligência de mercado como instrumento para antecipar cenários. A proposta associa competitividade à capacidade de acompanhar mudanças tarifárias, exigências regulatórias e movimentos da demanda, usando essas informações no planejamento das empresas e na diversificação de destinos para a produção.

Para o produtor, essa discussão envolve decisões concretas: quais informações manter sobre a propriedade, quais tecnologias adotar e quais requisitos serão necessários para vender a determinados compradores. A conexão entre pesquisa e produção, outro eixo da iniciativa, busca aproximar o desenvolvimento de soluções das necessidades das cadeias agropecuárias e das regiões produtoras.

A apresentação defende ainda maior articulação entre empresas, governos e instituições de pesquisa nas negociações internacionais. O objetivo anunciado é combinar inovação no campo com participação brasileira na definição de padrões comerciais e ambientais que influenciam o acesso a mercados.

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Serviço

  • Evento: Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro — Citagro 2026
  • Data: 16 de novembro de 2026
  • Horário: das 18h às 22h
  • Cidade: São Paulo (SP)

Fonte: Pensar Agro

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