Brasil
Fundo Amazônia aprova mais de R$ 2 bilhões em 2025 e Brasil avança na meta rumo ao desmatamento zero
Com cerca de R$ 2 bilhões em projetos aprovados em 2025, o maior volume anual desde sua criação, o Fundo Amazônia ampliou a escala de atuação, avançou na restauração de áreas degradadas, expandiu o apoio a atividades produtivas sustentáveis em toda a Amazônia Legal e ampliou ações de combate e prevenção a incêndios florestais para o Cerrado e o Pantanal.
O desempenho do ano se soma aos resultados do período de 2023 a 2025, quando o Fundo aprovou e contratou R$ 3,7 bilhões em projetos, o equivalente a 56% de todo o volume apoiado desde sua criação, consolidando a retomada operacional e a ampliação da capacidade de execução.
A expansão contribui diretamente para o cumprimento das metas climáticas brasileiras sob o Acordo de Paris e dos objetivos do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), liderado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
Os dados foram apresentados durante a Reunião Anual de Doadores do Fundo Amazônia, realizada nesta quarta-feira (17/12) na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro (RJ).
O encontro reuniu representantes dos países apoiadores para a prestação de contas sobre a execução dos projetos. Gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e coordenado pelo MMA e, o Fundo representa a maior iniciativa mundial para a redução de emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD+) e um dos principais instrumentos de execução da política ambiental e climática brasileira.
“Os excepcionais resultados atingidos pelo Fundo Amazônia nestes três anos de governo do presidente Lula refletem a retomada, de modo prioritário, da política ambiental e climática no Brasil, que se traduz na redução de mais de 50% do desmatamento na Amazônia em 2025 na comparação a 2022”, destaca a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. “Essa queda viabiliza a captação de novos recursos ao Fundo, o que nos permite, por sua vez, levá-los a quem de fato protege a floresta – populações indígenas, comunidades tradicionais e locais –, fortalecendo também a promoção da ciência, tecnologia e inovação no bioma. Dessa forma, o mecanismo atinge o principal objetivo pelo qual foi criado: promover o desenvolvimento sustentável na região.”
Após a retomada do apoio a novos projetos em 2023, o número de doadores internacionais passou de dois para nove países, incluindo Noruega, Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, Suíça, Japão, Dinamarca, Irlanda e União Europeia. Desde janeiro de 2023, foram firmados US$ 309 milhões em novos contratos de doação, com US$ 212 milhões já internalizados, além de novos compromissos financeiros em andamento.
Os projetos aprovados pelo Fundo Amazônia em 2025 financiam a estruturação de 30 bases operacionais, capacitação de cerca de 5 mil profissionais e distribuição de 500 veículos e 30 mil equipamentos, reforçando brigadas estaduais e os Corpos de Bombeiros no enfrentamento aos incêndios florestais, em todos os nove Estados da Amazônia Legal e, também, nos estados com bioma Cerrado e Pantanal – Minas Gerais, Goiás, Piauí, Bahia, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal. As ações fortalecem a capacidade de resposta dos estados e ampliam sensíveis prevenção de incêndios florestais e queimadas, contribuindo para a implementação da política de Manejo Integrado do Fogo.
Na agenda de restauração, o programa Restaura Amazônia destina R$ 450 milhões à recuperação de áreas degradadas, já com 45 projetos selecionados, abrangendo 26 Terras Indígenas, 80 assentamentos e oito Unidades de Conservação, consolidando o Arco da Restauração como política pública estruturante. O Fundo também investiu R$ 595 milhões em atividades produtivas sustentáveis, em projetos que beneficiam mais de 20 mil famílias e fortalecendo mais de 60 organizações locais, com destaque para o apoio à agenda indígena.
Retomada
Os resultados de 2025 reforçam a ampliação da capacidade operacional do Fundo desde sua retomada. Se entre 2023 e 2025 foram aprovados e contratados R$ 3,7 bilhões em projetos, no período anterior, entre 2009 e 2018, foram aprovados R$ 2,9 bilhões, ao longo de uma década (em valores atualizados pela inflação). Ao longo de 17 anos, o Fundo Amazônia aprovou mais de 140 projetos, apoiou mais de 650 instituições, alcançou mais de 75% dos municípios da Amazônia Legal e beneficiou mais de 260 mil pessoas, consolidando-se como um dos principais instrumentos globais de financiamento ambiental.

- Dados foram apresentados na Reunião Anual de Doadores do Fundo Amazônia, nesta quarta-feira (17/12) na sede do BNDES, no Rio de Janeiro – Foto: André Telles
Para sustentar esse crescimento, a estrutura organizacional do Fundo foi fortalecida, aumentando a capacidade técnica para análise, acompanhamento e execução dos projetos. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destaca que o desempenho recente confirma a relevância do Fundo como política pública estruturante. “O Fundo Amazônia demonstra que é possível combinar rigor na governança, escala de financiamento e resultados concretos no território. A retomada do Fundo permitiu acelerar a análise e a execução dos projetos, ampliar a cooperação internacional e transformar recursos em ações efetivas de proteção ambiental, desenvolvimento sustentável e inclusão social”, disse o presidente.
Ao detalhar as principais ações implementadas com o apoio do Fundo, no âmbito do MMA, o secretário-executivo da pasta, João Paulo Capobianco, enfatizou que a parceria com a comunidade internacional tem potencializado a execução de compromissos assumidos pelo Governo do Brasil. A redução de 39,5% na média nacional de incêndios, quando comparados os anos de 2017 e 2024, com destaque para a Amazônia (-75,8%) e o Pantanal (-93,3%), e a implementação do programa União com os Municípios, que já conta com a adesão de 70 dos 81 municípios prioritários no combate ao desmatamento e incêndios florestais na Amazônia Legal, foram algumas das medidas mencionadas. A estruturação de órgãos ambientais, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), também foi ressaltada.
“O apoio da comunidade internacional não reduz o nosso empenho. Pelo contrário, ele se soma ao esforço crescente do Governo do Brasil para cumprir suas metas. Estamos cumprindo nossos compromissos e criando adicionalidade. Realizando concursos, integramos mais de 800 novos servidores ao Ibama e aumentamos significativamente o orçamento do órgão”, pontuou Capobianco.
Segundo o superintendente da Área de Meio Ambiente do BNDES, Nabil Kadri, os resultados reforçam a confiança na capacidade operacional do Fundo.
“O desempenho de 2025 mostra que o Fundo Amazônia está preparado para operar em escala, com carteira diversificada e capacidade técnica para acompanhar a execução. A ampliação da base de doadores e o volume de recursos disponíveis indicam um ciclo consistente de novos investimentos.”
Fundo Amazônia
Criado em 2008, o Fundo Amazônia tem como objetivo viabilizar o apoio nacional e internacional a projetos para a conservação e o uso sustentável das florestas na Amazônia Legal, região que engloba os nove estados da região. Em coordenação do MMA, que preside o Comitê Orientador do Fundo Amazônia, o BNDES é responsável pela captação e pela gestão de recursos e pela contratação e pelo monitoramento das iniciativas financiadas pelo Fundo Amazônia.
Mais informações sobre os projetos apoiados pelo Fundo Amazônia estão disponíveis aqui.
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Brasil
Ministério da Saúde recebe contribuições do mercado para desenvolver encomenda tecnológica que identificará tuberculose
O Ministério da Saúde anunciou, na última quarta-feira (8/7), a abertura de prazo para que pesquisadores, instituições e representantes do setor produtivo colaborem com o mapeamento técnico e econômico para o desenvolvimento de um dispositivo portátil de detecção de tuberculose. A iniciativa será viabilizada por meio de uma Encomenda Tecnológica (Etec), instrumento de compra pública que fomenta à inovação para atender um desafio real. As contribuições deverão ser registradas em formulário virtual até 8 de agosto.
O objetivo é desenvolver um dispositivo integrado, de baixo custo de operação, que não exija uma infraestrutura laboratorial complexa e muitas manutenções. Ao detalhar os critérios de elegibilidade, o diretor do departamento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE/MS), Igor Bueno, enfatizou a exigência de atuação nacional para as instituições interessadas.
“A empresa proponente deve ser brasileira, possuir sede no território nacional, estar registrada na Junta Comercial ou Registro Civil de Pessoas Jurídicas, ter objeto social compatível e comprovar atividade operacional nos 12 meses anteriores. Consórcios com instituições públicas ou empresas estrangeiras são permitidos”, pontuou.
As manifestações recebidas irão subsidiar a elaboração de um relatório final que deverá ser publicado em agosto. O documento apoiará ainda a estruturação do edital de chamamento para selecionar a entidade responsável pela construção do dispositivo. A assinatura do contrato deverá ocorrer ainda neste ano.
Além disso, os potenciais fornecedores poderão solicitar reuniões individuais com o Ministério da Saúde para obterem mais informações sobre o processo. O diálogo deverá ser solicitado pelo e-mail [email protected], com o título “Solicitação de Reunião Individual – ETEC”, até o dia 17 deste mês. As interações serão realizadas exclusivamente por meio de encontros virtuais até o dia 31 de julho, os quais serão gravados e transcritos.
A audiência pública de escuta de mercado foi realizada de forma virtual para apresentar a Etec e apresentar o desafio proposto a partir do atual contexto da tuberculose no Brasil. O encontro abriu espaço para o diálogo e a resolução das dúvidas iniciais.
O que é uma Etec?
Diferentemente das licitações tradicionais, que servem para comprar bens e serviços já disponíveis no mercado, a Etec é usada quando há uma barreira real que precisa ser superada a partir de uma inovação que ainda não existe.
A encomenda conta com o apoio técnico da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), a partir de Acordo de Cooperação Técnica (ACT). O Ministério da Saúde fica responsável pelas decisões e diretrizes estratégicas, pela implementação do instrumento, por efetuar a contratação e monitorar o andamento do projeto.
A tuberculose no Brasil
Embora o Brasil tenha diagnóstico da tuberculose, os métodos atuais ainda enfrentam algumas limitações. A baciloscopia, exame laboratorial para detecção de bactérias, por exemplo, é ofertado no SUS, mas apresenta sensibilidade limitada, especialmente em crianças e pessoas com HIV. O método também não permite a identificação da resistência aos medicamentos.
A cultura para micobactérias, tecnologia de referência para confirmação da doença, por sua vez, exige infraestrutura laboratorial e tempo prolongado para obtenção dos resultados. Já o teste molecular (TRM-TB), que detecta a enfermidade em poucas horas, está disponível em polos urbanos com maior alcance para populações em situação de vulnerabilidade, uma vez que necessita de instalações laboratoriais.
Nesse cenário, a Etec terá como foco o desenvolvimento de um dispositivo que deverá atender critérios como o baixo custo de operação, a dispensa de infraestrutura laboratorial complexa e a capacidade de identificar se a doença é resistente aos dois principais medicamentos do tratamento atual, a rifampicina e a isoniazida.
Confira a audiência pública de apresentação do desafio tecnológico em tuberculose
Janine Russczyk
Roberta Paola
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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