Brasil
Especialistas debatem cultura oceânica e crise climática na Casa da Ciência do MCTI
A importância da proteção do oceano para combater as mudanças do clima foi tema nesta sexta-feira (14) do painel Ciência e Cultura Oceânica como Agentes de Transformação para a Crise Climática. O debate foi realizado na Casa da Ciência, espaço do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) sediado no Museu Paraense Emílio Goeldi durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP30), em Belém (PA).
O painel foi moderado pelo diretor do Departamento de Programas Temáticos da Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos (Seppe) do MCTI, Leandro Pedron. Segundo ele, a cultura oceânica precisa englobar uma série de temas e públicos para atingir os objetivos de preservação dos mares.
“Não tem como dissociar o oceano dos debates sobre a crise climática. Isso tem ficado cada vez mais claro. Quando a gente fala de oceano, não podemos deixar de falar sobre cultura, governança, interconexão. A Década da Ciência Oceânica vem respondendo uma demanda sobre isso”.
No Brasil, o MCTI é o representante científico na Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da Unesco e é responsável pela implementação da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. A iniciativa das Nações Unidas busca cumprir os compromissos da Agenda 2030 com foco no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 14: Vida na Água.
O pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Ronaldo Christofoletti afirmou que a proteção dos oceanos envolve uma união entre os cientistas e a população para gerar conscientização e mudanças de comportamento em torno dos oceanos.
“A Década da Pesquisa Oceânica vem de um formato de pensar a participação dos demais setores da sociedade não como usuários da pesquisa, mas membros que constroem a pesquisa junto com os pesquisadores. Isso traz os conhecimentos dos povos originários e povos tradicionais, o que por si só já é uma provocação para a ciência”, disse.
O painel também demonstrou projetos desenvolvidos pela Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em torno da preservação do oceano, educação ambiental e a economia azul, que é o uso sustentável dos recursos marinhos.
Entre as principais iniciativas do MCTI para valorizar a cultura oceânica no Brasil estão o lançamento da Conferência da Década dos Oceanos, marcada para 2027, no Rio de Janeiro (RJ), e o programa Currículo Azul, protocolo assinado com o Ministério da Educação para incluir a cultura oceânica no currículo escolar nacional. Em 2023 o ministério criou o Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), uma organização social com o objetivo de ser referência nos estudos sobre oceano no Brasil.
Casa da Ciência
A Casa da Ciência do MCTI, no Museu Paraense Emílio Goeldi, é um espaço de divulgação científica, com foco em soluções climáticas e sustentabilidade, além de ser um ponto de encontro de pesquisadores, gestores públicos, estudantes e sociedade. Até o dia 21, ela será a sede simbólica do ministério e terá exposições, rodas de conversa, oficinas, lançamentos e atividades interativas voltadas ao público geral. Veja a programação completa.
Brasil
Brasil e União Europeia ampliam parceria em energia e minerais críticos em reunião no MME
O Ministério de Minas e Energia (MME) recebeu, nesta terça-feira (23/6), o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, em reunião voltada ao fortalecimento do diálogo estratégico entre Brasil e União Europeia em temas relacionados à transição energética, minerais críticos e desenvolvimento sustentável. O encontro reuniu representantes do governo brasileiro e da Comissão Europeia para discutir oportunidades concretas de cooperação e investimentos nos setores de energia e mineração.
A agenda abordou iniciativas em infraestrutura energética e elétrica, hidrogênio de baixa emissão e seus derivados, combustíveis sustentáveis, descarbonização industrial, além de mecanismos de financiamento e investimentos em cadeias de valor estratégicas. A reunião integra a visita oficial do comissário europeu ao Brasil, realizada entre 18 e 24 de junho, e reforça a convergência entre as prioridades brasileiras e europeias para uma transição energética segura, sustentável e capaz de gerar desenvolvimento econômico.
Durante o encontro, o secretário-executivo do MME, Gustavo Ataíde, destacou que o Brasil reúne condições singulares para receber investimentos, graças à combinação entre abundância de recursos naturais e uma matriz energética predominantemente limpa. Segundo ele, a parceria com a União Europeia é fundamental para transformar o potencial brasileiro em projetos concretos capazes de gerar emprego, renda e desenvolvimento tecnológico.
“Há um alinhamento estratégico importante entre Brasil e União Europeia, e a determinação do ministro Alexandre Silveira é de que aproveitemos o momento de transformar intenções em ações concretas, capazes de gerar investimentos, empregos e renda. O Brasil oferece condições únicas para isso, mas busca parcerias que promovam a agregação de valor local, a formação de capital humano e a transferência de tecnologia”, afirmou.
Segurança jurídica e agregação de valor aos minerais críticos
Ao tratar das oportunidades na mineração, a secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Ana Paula Bittencourt, ressaltou que o Brasil oferece previsibilidade regulatória, estabilidade institucional e elevados padrões de sustentabilidade. Segundo ela, a diretriz do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é transformar a vantagem geológica brasileira em desenvolvimento socioeconômico e industrial.
A secretária destacou que o desafio atual vai além da expansão da produção mineral e passa pelo domínio tecnológico e pela formação de mão de obra especializada. Também defendeu o fortalecimento das cadeias produtivas para reduzir a concentração global do processamento desses minerais.
“Com um parceiro estratégico como a União Europeia, o Brasil pode avançar em saltos, e não apenas em passos. Temos condições de produzir materiais e insumos industriais de baixa pegada de carbono, aproveitando uma matriz elétrica com cerca de 90% de fontes renováveis”, disse.
O encontro ocorre em um momento de crescente interesse internacional pelas reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras, consideradas estratégicas para setores como mobilidade elétrica, semicondutores, indústria de defesa e tecnologias de baixo carbono. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras e busca ampliar a agregação de valor às cadeias produtivas associadas a esses recursos.
Hidrogênio de baixa emissão e infraestrutura energética
A secretária substituta de Transição Energética e Planejamento, Lorena Perim, destacou o protagonismo do Brasil como um dos principais polos globais de energias renováveis e ressaltou o interesse de empresas europeias em projetos de hidrogênio de baixa emissão. Segundo ela, o país trabalha para garantir que os investimentos em novas cadeias energéticas resultem em benefícios estruturantes para a economia brasileira. A regulamentação do hidrogênio de baixa emissão, atualmente em fase final de elaboração, deverá contribuir para acelerar decisões de investimento e ampliar a cooperação com parceiros internacionais.
“Nós sabemos que há um grande interesse por parte dos investidores, considerando que o Brasil é um grande hub de energia renovável, mas a nossa regulamentação e as nossas discussões internas sempre passam por internalizar ganhos além de simplesmente a implantação do projeto; nós precisamos trazer parte desse valor, dessa cadeia para o Brasil”, destacou Lorena.
Parceria mira investimentos e resultados concretos
Representando a União Europeia, o comissário para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, destacou que Brasil e Europa compartilham valores e interesses estratégicos e defendeu maior foco na implementação das iniciativas em curso.
“Temos valores compartilhados, competências dos dois lados e determinação. Agora precisamos fazer acontecer. Precisamos acelerar, avançar em medidas práticas e alinhar marcos e propostas específicas”, afirmou.
Síkela também ressaltou o crescente interesse de empresas europeias em investir no Brasil e defendeu a construção de projetos emblemáticos capazes de impulsionar novos investimentos, inclusive em outros mercados da América Latina.
A reunião no MME integra uma agenda mais ampla de aproximação entre Brasil e União Europeia, que inclui iniciativas no âmbito da estratégia Global Gateway e da parceria em matérias-primas críticas. A cooperação busca fortalecer cadeias produtivas resilientes, promover investimentos sustentáveis e ampliar a participação brasileira em segmentos de maior valor agregado ligados à transição energética global.
Assessoria Especial de Comunicação Social – MME
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