Brasil
Na COP30, Brasil apresenta modelo inédito de concessão florestal com foco em restauração e carbono
O governo federal lançou na última quarta-feira (12/11), durante a COP30, o edital de concessão da Floresta Nacional do Bom Futuro, localizada em Rondônia. A iniciativa é coordenada pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), e marca a primeira concessão florestal federal voltada exclusivamente à restauração produtiva de áreas degradadas, aliando conservação, carbono e desenvolvimento territorial.
Com área total de 98 mil hectares, o projeto prevê a restauração de aproximadamente 15 mil hectares ao longo do contrato. A arrecadação estimada é de R$ 343 mil por ano, totalizando cerca de R$ 13,7 milhões ao longo dos 40 anos de vigência. Os recursos serão distribuídos entre o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o governo estadual, o município e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF).
Além dos ganhos ambientais e da estruturação institucional do setor, o projeto prevê a geração de 535 empregos diretos e 406 indiretos, com impacto social positivo nas economias locais e fortalecimento de cadeias florestais sustentáveis, como a de sementes e mudas nativas.
O modelo foi desenvolvido com ampla participação social e diálogo técnico ao longo de 2024 e 2025, incluindo audiências públicas em Porto Velho e rodada de escuta ao mercado (market sounding). No território, o Serviço Florestal Brasileiro realizou consultas com o povo indígena Karitiana, que habita a região. Os indígenas foram ouvidos e manifestaram interesse em atuar na cadeia de sementes e mudas destinadas à restauração, reforçando o compromisso com os direitos, a valorização do saber local e a repartição de benefícios. O edital também permite a participação de associações comunitárias entre os proponentes, promovendo inclusão produtiva e desenvolvimento territorial.
A concessão abrange duas unidades de manejo e segue diretrizes técnicas que definem áreas degradadas passíveis de restauração, com ou sem silvicultura de espécies nativas, além de zonas preservadas, resguardadas de intervenção. O contrato tem duração de 40 anos, contados a partir da aprovação do Plano de Restauração Florestal (PRF).
A proposta está alinhada às diretrizes federais para carbono em florestas públicas sob concessão, permitindo o uso de metodologias internacionais de certificação no mercado voluntário e garantindo integridade ambiental, transparência em MRV (monitoramento, reporte e verificação) e aderência às metas climáticas nacionais, como a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e a recomposição de ecossistemas degradados.
“A Bom Futuro inaugura um novo ciclo para o Brasil: restaurar áreas degradadas em larga escala, com integridade climática, inclusão produtiva e receita de carbono para destravar investimentos sustentáveis. É floresta em pé gerando desenvolvimento local, empregos e segurança ambiental”, afirmou o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Garo Batmanian.
O anúncio foi feito durante o painel “Parcerias Público-Privadas Florestais no Brasil: Destravando Investimentos para o Uso Sustentável da Terra e a Restauração”, no Pavilhão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), na Blue Zone da COP30, em Belém (PA).
(Com informações da Assessoria de Comunicação do Serviço Florestal Brasileiro)
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Brasil
Julho Verde reforça prevenção e diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço
Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dificuldade para engolir e caroços no pescoço são sinais que merecem atenção e podem indicar câncer de cabeça e pescoço. Durante o Julho Verde, mês nacional de conscientização sobre a doença, o Ministério da Saúde reforça as orientações à população sobre prevenção e diagnóstico precoce, além do acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Os cânceres de cabeça e pescoço reúnem tumores que atingem estruturas como boca, língua, garganta, laringe, faringe, cavidade nasal, tireoide e glândulas salivares. Grande parte dos casos está relacionada ao tabagismo e ao consumo de bebidas alcoólicas. Alguns tipos também estão associados à infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), especialmente pelo HPV-16, um dos principais fatores de risco para o câncer de orofaringe.
Instituída pela Lei nº 14.328/2022, a campanha Julho Verde busca ampliar o conhecimento da população sobre os fatores de risco e os sinais da doença, além de incentivar a prevenção e a procura pelos serviços de saúde diante de sintomas suspeitos.
Sinais de Alerta e Tratamento pelo SUS
Os principais sinais de alerta incluem feridas na boca ou nos lábios que não cicatrizam por mais de 15 dias, manchas brancas ou avermelhadas na boca, rouquidão por mais de três semanas, dor ou dificuldade para engolir, sensação de corpo estranho na garganta, ínguas persistentes no pescoço, sangramento nasal recorrente e perda de peso sem causa aparente.
No caso de câncer de tireoide, o principal sinal é o aparecimento de um nódulo no pescoço, especialmente quando apresenta crescimento rápido ou é acompanhado de rouquidão ou dificuldade para engolir.
Ao identificar um desses sinais, a orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Após a avaliação, o paciente será encaminhado, se necessário, para atendimento especializado. A confirmação do diagnóstico é feita por biópsia, seguida de exame anatomopatológico.
O cuidado é organizado pela Rede de Prevenção e Controle do Câncer, que integra ações de prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento especializado. Conforme a indicação clínica, o tratamento pode incluir cirurgia, radioterapia e quimioterapia, de forma isolada ou combinada.
Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de sucesso do tratamento e menores os riscos de sequelas. Nos estágios iniciais, muitos casos podem ser tratados com apenas uma modalidade terapêutica, o que contribui para preservar funções importantes, como fala, deglutição e respiração.
Nos últimos cinco anos, o SUS realizou mais de 500 mil procedimentos relacionados ao tratamento dos cânceres de cabeça e pescoço.
Medidas de prevenção
Para ajudar a prevenir a doença, é recomendado evitar o cigarro e outros produtos derivados do tabaco, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, manter uma alimentação saudável, cuidar da saúde bucal, consultar o dentista regularmente e proteger os lábios e o rosto durante a exposição ao sol.
A vacinação contra o HPV, oferecida gratuitamente pelo SUS para pessoas de 9 a 14 anos, também ajuda a prevenir infecções associadas a diferentes tipos de câncer, incluindo alguns tumores de orofaringe.
Camila Marques
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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