Agro
Bactérias nativas da macadâmia avançam como bioinsumos contra doenças e podem revolucionar manejo da cultura no Brasil
Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista, da Embrapa Meio Ambiente e da empresa QueenNut identificaram bactérias nativas da macadâmia com elevado potencial para o controle biológico de doenças que afetam a produtividade e a longevidade dos pomares no Brasil.
Os estudos apontam que microrganismos dos gêneros Bacillus e Serratia apresentaram alta eficiência no combate à queima dos racemos e à podridão do tronco, consideradas atualmente dois dos principais problemas fitossanitários da cultura. A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de bioinsumos agrícolas mais sustentáveis e alinhados às exigências do mercado consumidor.
Controle biológico ganha força na macadamicultura brasileira
As pesquisas fazem parte da tese de doutorado do pesquisador Marcos Abreu, desenvolvida na Unesp sob orientação do pesquisador Bernardo Halfeld, da Embrapa Meio Ambiente.
Os trabalhos tiveram origem em um amplo levantamento fitossanitário iniciado em 2018 e concluído em 2024, que mapeou as principais doenças presentes nos cultivos comerciais de macadâmia na principal região produtora do país.
Segundo os pesquisadores, o estudo representou um marco para a cadeia produtiva ao organizar, pela primeira vez, informações detalhadas sobre os principais patógenos da cultura no Brasil.
A partir desse diagnóstico, os cientistas passaram a buscar alternativas sustentáveis de manejo sanitário capazes de reduzir perdas produtivas e diminuir a dependência de agroquímicos.
Bactérias nativas combatem a queima dos racemos
Um dos estudos concentrou esforços no controle da queima dos racemos, doença causada pelo fungo Cladosporium xanthochromaticum. O problema compromete diretamente as estruturas florais da macadâmia, reduzindo a formação dos frutos e causando prejuízos expressivos em condições favoráveis ao desenvolvimento do fungo.
Os pesquisadores utilizaram bactérias naturalmente presentes nas flores da própria macadâmia para avaliar o potencial de controle biológico do patógeno.
Ao todo, foram isoladas 104 bactérias obtidas diretamente das flores da cultura. Entre os microrganismos avaliados, destacaram-se Serratia ureilytica e Bacillus subtilis, que apresentaram elevada capacidade de reduzir tanto a incidência da doença quanto a esporulação do fungo.
A redução da produção de esporos é considerada estratégica porque diminui a disseminação da doença dentro dos pomares, reduzindo novas infecções e limitando o avanço do problema sanitário.
Microrganismos atuam por múltiplos mecanismos
Os estudos mostraram ainda que os microrganismos atuam de forma simultânea por diferentes mecanismos biológicos.
Entre eles estão:
- Produção de compostos antifúngicos voláteis e não voláteis;
- Competição por nutrientes;
- Inibição direta do crescimento do fungo;
- Redução da capacidade de disseminação do patógeno.
Segundo os pesquisadores, o fato de as bactérias serem nativas da própria cultura representa um diferencial importante, já que os microrganismos apresentam maior adaptação às condições naturais da planta e maior capacidade de sobrevivência no campo.
Outro resultado relevante foi a compatibilidade da maioria das bactérias com defensivos agrícolas utilizados na macadâmia, permitindo futura integração em programas de manejo integrado de doenças.
A única restrição observada foi a sensibilidade da bactéria Serratia ureilytica a compostos à base de cobre.
Bacillus apresenta resultados promissores contra podridão do tronco
O segundo estudo avaliou o controle biológico da podridão do tronco, doença causada pelo fungo Lasiodiplodia pseudotheobromae.
Considerada uma das enfermidades mais severas da macadâmia, a doença provoca lesões em tecidos lenhosos, morte de ramos e, em situações mais graves, pode levar à perda total das plantas.
Os experimentos realizados em mudas enxertadas demonstraram que bactérias como Bacillus velezensis e Bacillus subtilis conseguiram reduzir significativamente a severidade das lesões provocadas pelo fungo.
Os cientistas também identificaram que a combinação entre cultivares e porta-enxertos influencia diretamente os níveis de resistência da planta e a eficiência do controle biológico.
Algumas combinações apresentaram menor suscetibilidade à doença, indicando potencial para programas de melhoramento genético e seleção de materiais mais resistentes.
Integração entre genética, biologia e manejo deve transformar o setor
Os resultados reforçam a tendência de integração entre controle biológico, resistência genética e manejo agronômico na construção de sistemas produtivos mais sustentáveis para a macadâmia.
Enquanto a queima dos racemos compromete diretamente a produção de frutos, a podridão do tronco afeta o estabelecimento das mudas e reduz a longevidade dos pomares.
Segundo os pesquisadores, o uso de bioinsumos à base de bactérias nativas pode ampliar a eficiência do manejo sanitário, reduzir impactos ambientais e aumentar a competitividade da cadeia produtiva brasileira.
Apesar dos avanços, ainda serão necessárias novas etapas antes da adoção comercial em larga escala, incluindo o desenvolvimento de formulações dos bioinsumos e análises de viabilidade econômica.
Para Bernardo Halfeld, o futuro do manejo fitossanitário da macadâmia será baseado em estratégias integradas.
“A tendência é que o manejo de doenças evolua para abordagens integradas, combinando biologia, genética e práticas agronômicas. O controle biológico tem potencial para ocupar papel central nesse processo”, destaca o pesquisador.
Com os avanços das pesquisas, a cadeia da macadâmia ganha novas perspectivas para elevar produtividade, reduzir perdas e fortalecer a sustentabilidade da cultura no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Governo de SP amplia apoio às mulheres do agro e anuncia R$ 753 milhões em investimentos durante Caravana 3D em Bauru
O Governo do Estado de São Paulo reforçou o apoio às mulheres do agronegócio paulista durante a passagem da Caravana 3D pela região de Bauru. A agenda da Secretaria de Agricultura e Abastecimento destacou os resultados da linha de crédito FEAP Mulher, programa voltado exclusivamente ao fortalecimento das produtoras rurais do estado.
A visita à propriedade da agricultora Lucinda Golin Flores, em Bauru, marcou a programação oficial do evento. Ao lado do secretário estadual de Agricultura, Geraldo Melo Filho, a produtora apresentou os impactos positivos obtidos após acessar o financiamento rural destinado às mulheres do campo.
Com investimento de R$ 22 mil via FEAP Mulher, Lucinda implantou um sistema de energia fotovoltaica utilizado no abastecimento da irrigação da produção de hortaliças. Segundo a produtora, a iniciativa reduziu em cerca de 80% os custos com energia elétrica da propriedade.
Atualmente, a agricultora se dedica à produção de alface crespa destinada ao abastecimento de empresas da região de Bauru.
Crédito rural fortalece permanência no campo
Durante a visita, o secretário destacou a importância do acesso facilitado ao crédito rural para pequenos e médios produtores paulistas.
Segundo Geraldo Melo Filho, programas como o FEAP Mulher permitem que produtores invistam em tecnologia, aumentem a produtividade e mantenham a atividade rural economicamente sustentável.
A linha de crédito foi criada para ampliar a participação feminina no agronegócio paulista e já soma R$ 52 milhões em investimentos desde 2024.
O programa oferece financiamentos de até R$ 30 mil, com juros subsidiados de 3% ao ano, voltados à modernização da produção rural, aquisição de equipamentos, sustentabilidade e infraestrutura nas propriedades.
De acordo com a Secretaria de Agricultura, cerca de 43% de todo o volume de recursos operacionalizados pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP) na atual gestão foi destinado a propriedades lideradas por mulheres.
Região de Bauru recebe investimentos no agro e infraestrutura rural
Além do fortalecimento das políticas de crédito rural, a região administrativa de Bauru vem recebendo investimentos em infraestrutura, mecanização agrícola, segurança alimentar e regularização ambiental.
Desde 2023, o FEAP já operacionalizou R$ 23,33 milhões em financiamentos rurais na região, distribuídos em 1.232 contratos em 39 municípios.
Pelo programa Patrulha Rural, o Governo de São Paulo destinou R$ 14 milhões para aquisição de 37 máquinas agrícolas em 18 municípios da região. Em Bauru, também foi entregue um caminhão-pipa com investimento de R$ 492 mil.
Na área de segurança alimentar, o programa Cozinhalimento contemplou 25 municípios da região, com repasses de R$ 1,65 milhão. Bauru recebeu uma unidade inaugurada em 2024.
A agenda ambiental também avançou na região. Atualmente, mais de 22,1 mil propriedades possuem cadastro ativo no Cadastro Ambiental Rural (CAR), sendo mais de 10 mil registros já validados.
Caravana 3D anuncia pacote de R$ 753 milhões para região
Durante a Caravana 3D, o Governo de São Paulo anunciou um pacote de R$ 753 milhões em investimentos para a região de Bauru, contemplando áreas como saúde, infraestrutura, educação, segurança pública, saneamento e mobilidade urbana.
Na saúde, os aportes somam R$ 67,9 milhões, incluindo:
- construção do AME de Jaú;
- ampliação do Hospital das Clínicas de Botucatu;
- investimentos no Hospital Nossa Senhora da Piedade, em Lençóis Paulista;
- modernização do HC de Bauru.
Na educação, os investimentos chegam a R$ 29,3 milhões destinados a reformas, ampliações e aquisição de equipamentos escolares.
Já na segurança pública, foram entregues 25 viaturas e inauguradas novas estruturas de atendimento policial e perícia técnica em Bauru.
Infraestrutura e saneamento também entram no pacote
O Governo paulista também firmou 40 convênios de infraestrutura em 38 municípios da região, totalizando R$ 75,1 milhões em obras.
Entre os destaques está a implantação do atracadouro da eclusa de Bariri, com investimento de R$ 65,5 milhões, além da duplicação de 22,3 quilômetros da Rodovia SP-333, em Guarantã, obra que recebeu aporte de R$ 145 milhões.
A Sabesp anunciou ainda R$ 318 milhões em investimentos em saneamento básico entre 2026 e 2029 para 16 municípios da região.
A Caravana 3D faz parte da estratégia do Governo de São Paulo voltada aos pilares de desenvolvimento, dignidade e diálogo, promovendo investimentos regionais e fortalecendo a integração entre estado e municípios.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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