Agro
Custos da safra 2026/27 disparam em Mato Grosso e pressionam rentabilidade de soja, milho e algodão
Os custos de produção das principais culturas agrícolas de Mato Grosso seguem em trajetória de alta para a safra 2026/27, ampliando a preocupação dos produtores rurais com a rentabilidade da próxima temporada. Soja, milho e algodão registraram avanço nas despesas em abril, pressionados principalmente pela valorização dos fertilizantes, defensivos agrícolas e pelas incertezas do cenário internacional.
Os dados constam no boletim divulgado pelo Imea e pelo Senar MT, por meio do Projeto CPA-MT – Custo de Produção Agropecuária.
Segundo análise do boletim, os movimentos recentes do mercado internacional têm ampliado a volatilidade dos preços dos insumos importados, fator que vem impactando diretamente o planejamento financeiro do produtor mato-grossense.
Soja tem aumento de custos puxado por fertilizantes e defensivos
A soja apresentou alta de 1,88% no custeio projetado para a safra 2026/27 em comparação com março deste ano.
De acordo com o levantamento do CPA-MT, o custo estimado da cultura alcançou R$ 4.286,89 por hectare em abril.
O principal fator de pressão veio dos fertilizantes, cujas despesas registraram forte elevação, além do avanço nos custos com defensivos agrícolas, que subiram 2,17% no período.
O relatório destaca que a comercialização e aquisição de insumos para a próxima safra ainda estão em andamento, mantendo o custo de produção como um dos principais pontos de atenção do setor agrícola neste momento.
Conforme aponta o boletim do Imea e Senar MT, a volatilidade internacional segue influenciando diretamente a formação de preços no mercado brasileiro de insumos.
Milho lidera alta dos custos em Mato Grosso
Entre as principais culturas do estado, o milho apresentou o maior avanço mensal nos custos de produção.
Segundo o CPA-MT, o custeio da safra 2026/27 subiu 2,32% em abril frente ao mês anterior.
A elevação foi impulsionada principalmente pela alta de 4,30% nos fertilizantes e corretivos, além do aumento de 2,46% nos defensivos agrícolas. Também houve crescimento nas despesas com sementes.
O boletim ressalta que o ambiente internacional mais instável elevou a volatilidade nos mercados e impactou diretamente os preços futuros dos insumos importados utilizados no cultivo do cereal.
Com isso, o Custo Operacional Efetivo (COE) do milho avançou 1,72% no comparativo mensal, enquanto o Custo Total (CT) apresentou incremento de 1,25%.
Algodão exige preço mínimo acima de R$ 127 por arroba
O algodão também registrou aumento expressivo nos custos para a safra 2026/27 em Mato Grosso.
Segundo os dados do CPA-MT, o custeio da cultura foi estimado em R$ 10.642,28 por hectare em abril, avanço de 1,05% em relação ao mês anterior.
O relatório aponta que a alta foi puxada principalmente pelos custos com macronutrientes, influenciados pelas tensões do mercado internacional.
Com isso, o Custo Operacional Efetivo da pluma ficou projetado em R$ 15.227,56 por hectare, crescimento de 0,55% no mês.
O dado que mais chamou atenção do mercado foi o preço mínimo necessário para cobrir os custos operacionais da produção.
Segundo o boletim divulgado pelo Imea e Senar MT, considerando a produtividade média estimada em 119,82 arrobas por hectare de pluma, o produtor precisará comercializar o algodão a pelo menos R$ 127,09 por arroba apenas para cobrir o custo operacional efetivo.
Cenário internacional amplia pressão sobre o agro brasileiro
A análise do Projeto CPA-MT mostra que as tensões geopolíticas, oscilações cambiais e incertezas econômicas globais continuam impactando diretamente os custos do agronegócio brasileiro.
A dependência de insumos importados, especialmente fertilizantes e defensivos agrícolas, mantém o produtor rural mais exposto à volatilidade internacional.
Além disso, o cenário de juros elevados e margens mais apertadas vem exigindo maior cautela na aquisição de insumos e no planejamento da safra 2026/27.
Produtor rural monitora custos e rentabilidade da próxima safra
Com o avanço dos custos de produção em Mato Grosso, produtores intensificam o acompanhamento do mercado de commodities, câmbio e preços internacionais dos insumos agrícolas.
O cenário reforça a necessidade de estratégias mais eficientes de gestão, comercialização e proteção de margem para reduzir os riscos da próxima temporada agrícola.
As informações foram divulgadas no boletim do Projeto CPA-MT, elaborado pelo Imea e Senar MT.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar
A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.
Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.
A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.
Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.
Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.
Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.
A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.
O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.
Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.
A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.
Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.
A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.
A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.
Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.
Fonte: Pensar Agro
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