Brasil
MMA apoia expositores da Amazônia e do Cerrado na Feira Brasil na Mesa
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) apoiou a participação de expositores da Amazônia e do Cerrado na Feira Brasil na Mesa, que ocorreu na última semana, em Planaltina (DF). Cada bioma foi representado por produtos nativos, como a castanha do Brasil, farinha de jatobá, óleo de buriti, molho de pequi, e pirarucu de manejo.
Entre os expositores da Feira estava a Central do Cerrado, que é uma cooperativa com mais de 30 produtores de nove estados brasileiros, abrangendo a Amazônia, Cerrado e Caatinga. A Central do Cerrado também promoveu, com apoio do MMA e Banco Mundial, a degustação de alimentos da sociobiodiversidade, como castanhas de baru, de pequi, entre outros.
“São produtos de agricultura familiar, de base agroecológica, de comércio justo e ecossociais que respeitam a biodiversidade, produz, mantendo a floresta de pé, então é todo um trabalho político, social que gera renda e traz um retorno muito positivo para essas famílias”, comentou Giovana Cardoso, assessora comercial da organização.
O diretor do Departamento de Políticas de Gestão Ambiental Rural do MMA, Daniel Peter Beniamino, destacou o papel do Governo do Brasil no fortalecimento dessas iniciativas.
“Nós, enquanto departamento, estávamos coordenando o Projeto FIP Coordenação, do Programa FIP Cerrado, o qual trabalhou em várias regiões do Cerrado brasileiro e apoiou, juntamente com o Banco Mundial e o Fundo de Investimento Climático, diversos subprojetos voltados ao fortalecimento de povos e comunidades tradicionais no bioma. Muitos dos produtores apoiados estão cooperados na Central do Cerrado e são fruto de projetos que conseguimos viabilizar ao longo de 12 anos, entre 2012 e 2024”, relembrou Daniel.
Com artesanatos indígenas e venda de castanha do Brasil, a Cooperativa Kayapó de Produtos da Floresta (COOBAY) também participa da Feira com apoio do MMA. O assessor da COOBAY, Mattheus Costa, ressaltou a importância da comunidade indígena na preservação da Amazônia.
“A terra indígena do povo Mebengokre Kayapo é um dos últimos grandes blocos de floresta contínua que a gente tem na transição do Cerrado para a Amazônia. São mais de 3 mil hectares, com sete terras indígenas, é quase 33% da área do Japão. Então, é muita floresta. É um valor inestimável para a humanidade”, alertou Costa.
Bekwynhumti Kayapó, do povo Mebengokre, contou que os ofícios de artesanato e a colheita sustentável da castanha são conhecimentos ancestrais, ensinados através de gerações. “Nós tiramos a castanha lá na aldeia principalmente para tirar uma geração de renda para os nossos povos. Minhas avós me ensinaram, desde criança, e eu aprendi também a falar português para poder traduzir e vender”, disse.

- A cooperativa Kayapó de Produtos da Floresta (COOBAY) levou artesanatos indígenas e castanha do Brasil para comercializar
Além da COOBAY, também representou a Amazônia, a Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), que levou partes do pirarucu para serem comercializadas. A pesca da espécie é feita de forma comunitária em terras indígenas e de unidades de conservação do Amazonas.
A diretora do Departamento de Políticas de Estímulo à Bioeconomia, Bruna De Vita, destaca a importância ambiental do manejo sustentável. “É uma produção que protege cerca de 5 mil famílias e 23 mil hectares no Amazonas”, atentou.
O MMA lançou em março de 2025 o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais do Pirarucu (PSA Pirarucu), uma iniciativa inovadora que reconhece e remunera os serviços ambientais prestados por comunidades ribeirinhas que realizam o manejo sustentável da espécie na Amazônia, como o que ocorre com a ASPROC. O programa beneficia aproximadamente 5 mil pessoas de mais de 40 organizações comunitárias que atuam em 41 áreas protegidas, abrangendo mais de 20 milhões de hectares na Amazônia.
Além de alimentos nativos, a Feira também abriu espaço para a exposição e venda de artesanatos de comunidades indígenas e tradicionais. O Banco Mundial apoiou a participação da indígena Waithy Xerente, representante de comunidade indígena do Cerrado, que está expondo artesanatos feitos com capim dourado, um capim nativo da região, evidenciando o grande potencial de utilização de produtos e subprodutos da sociobiodiversidade.
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Brasil
Ministério da Saúde lança projeto de enfrentamento aos impactos da crise climática na saúde em Recife (PE)
Para fortalecer o debate e as ações de enfrentamento aos impactos da crise climática na saúde e na alimentação, o Ministério da Saúde lançou o projeto “Mudanças Climáticas, Saúde e Alimentação – Rede de Comitês Populares Ambientais em Territórios das Periferias”. A iniciativa conta com investimento de R$ 3,5 milhões e marca o início da formação de uma rede de comitês populares ambientais.
O lançamento aconteceu nesta segunda-feira (24), na Fiocruz, em Recife (PE), e deu início às atividades do projeto. A ação é voltada para representantes de movimentos sociais e da sociedade civil — com escolaridade de nível fundamental, médio ou superior — que atuem ou residam em territórios da Paraíba e de Pernambuco. Estudantes de graduação e pós-graduação, além de docentes de instituições públicas de ensino e pesquisa, também podem participar.
A representante do Ministério da Saúde, Lívia Méllo, destacou a importância de envolver a população na construção de soluções, especialmente diante dos desafios ambientais. “Esse projeto é fundamental porque, muitas vezes, a gente só atua quando os desastres já aconteceram. A própria pandemia é um exemplo de crise relacionada à interferência humana no meio ambiente. Precisamos valorizar as experiências que as comunidades já desenvolveram nesses contextos e incorporá-las como tecnologias sociais dentro do Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirmou.
Além de enfrentar os impactos da crise climática na saúde e na alimentação, o projeto prevê a criação de 135 Comitês Populares Ambientais em periferias de regiões metropolitanas — sendo 90 em Pernambuco e 45 na Paraíba. A proposta é fortalecer a articulação entre clima, saúde e alimentação a partir dos princípios da educação popular.
Os comitês vão estimular a solidariedade comunitária e a vigilância popular em saúde, promovendo o diálogo entre saberes técnicos e populares. A iniciativa também busca transformar em ações práticas as diretrizes da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) e da Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS-SUS).
Para viabilizar essa estrutura, o projeto vai formar 27 estudantes de graduação e pós-graduação, que atuarão como monitores responsáveis por preparar 270 Agentes Populares Ambientais. Esses monitores também vão apoiar o planejamento e o acompanhamento das atividades nos territórios.
Formação dos Agentes Populares Ambientais
A formação terá carga horária de 168 horas. Cada comitê contará com dois Agentes Populares Ambientais e até dez participantes da comunidade. Cada monitor será responsável por cinco comitês, acompanhando diretamente dez agentes.
Os agentes terão papel central na criação e no fortalecimento da rede, atuando no planejamento e na coordenação das atividades nos territórios. Também vão desenvolver estratégias de comunicação popular, contribuindo para dar visibilidade às comunidades e combater a desinformação sobre clima e saúde.
Para Alice Albuquerque, agente popular ambiental e estudante de artes, moradora do Centro de Recife, o projeto é uma oportunidade de fortalecer o diálogo com os territórios. “A gente vai poder escutar quem vive ali, quem conhece de perto os problemas, para buscar soluções coletivas. Nosso papel não é dar aula, mas construir conhecimento junto, de forma popular e coletiva”, destacou.
Os agentes serão indicados por movimentos sociais e devem ter atuação nos territórios periféricos das regiões metropolitanas de Recife e João Pessoa. Entre os requisitos estão: ter no mínimo 16 anos, disponibilidade de horário, experiência com educação popular e atuação em grupo, além de afinidade com o tema das mudanças climáticas. A iniciativa, coordenada pelo Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz PE), em parceria com o Mãos Solidárias e a Universidade de Pernambuco (UPE) e Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Nádia Conceição
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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