Agro
Café enfrenta pressão de oferta e cotações oscilam com mercados globais voláteis
O mercado internacional de café segue em um momento de tensão entre oferta crescente e fatores macroeconômicos que influenciam as cotações, como câmbio, petróleo e geopolítica. No Brasil, a perspectiva de uma safra recorde de arábica para 2026/27 e os preços médios de fevereiro em níveis mais baixos desde meados de 2025 pressionam o mercado físico, enquanto os contratos futuros apresentam oscilações nas bolsas de Nova York e Londres.
Perspectiva de safra brasileira reduz preço médio do café arábica
Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/ESALQ), o preço médio do café arábica tipo 6, bebida dura, registrado em fevereiro ficou próximo do menor nível desde julho de 2025, em termos reais, pressionado pelas projeções de uma colheita recorde no Brasil na safra 2026/27 — o que não ocorre desde 2021.
O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica fechou o mês com média em torno de R$ 1.853 por saca de 60 kg, refletindo uma queda mensal significativa. Apesar da desvalorização recente, o valor ainda figura entre os mais elevados para um mês de fevereiro em termos históricos da série do Cepea, que começou em 1996.
Mercado futuro de café opera com oscilações em NY e Londres
No mercado futuro, os contratos de café arábica na Bolsa de Nova York (ICE) exibem movimentos mistos entre os principais vencimentos, segundo cotações mais recentes: alguns contratos próximos registram leve alta, enquanto outros recuam, refletindo ajustes técnicos e influência de fatores externos.
Em Londres, os futuros de café robusta também apresentam variações, com alguns vencimentos em alta e outros em baixa, em meio à sensibilidade dos investidores a questões logísticas e custos de transporte.
Cotações de referência (dados recentes)
- Café Arábica – Bolsa de Nova York (Mar/26): próximo de 286 cents por libra-peso (valor padrão KC).
- Contratos B3 (Brasil): arábica varia entre contratos futuros como março e maio/26 com cerca de R$ 374,75 a R$ 371,45 por saca de 60 kg.
- Café robusta – Bolsa de Londres: contratos em torno de US$ 3,7 mil por tonelada.
Fatores externos influenciam mercado: petróleo, câmbio e clima
Os preços internacionais do café estão sendo influenciados por uma combinação de fatores macroeconômicos:
Conflitos geopolíticos e custos logísticos
A instabilidade no Oriente Médio e o aumento dos preços do petróleo pressionam os custos de frete marítimo e seguros de transporte, impactando os fluxos de exportação de commodities agrícolas, incluindo o café.
Câmbio e competitividade do café brasileiro
O fortalecimento do real frente ao dólar pode reduzir a competitividade do café brasileiro no mercado externo, limitando o potencial de valorização das cotações locais mesmo com oferta relativamente ajustada.
Clima nas áreas produtoras
No campo, as condições climáticas seguem no radar dos operadores. Embora partes das áreas produtoras estejam recebendo chuva que ajuda a reposição de umidade, a qualidade e distribuição de precipitação continuam sendo fatores de risco para estimativas de produção e, consequentemente, para os preços.
Mercado físico brasileiro segue com baixa disposição de venda
No mercado físico, conforme relatado por operadores, os volumes de negócios com café arábica permanecem baixos, com produtores relutantes em vender a produção remanescente da safra 2025/26 diante dos atuais níveis de preços. Ainda assim, há demanda compradora presente para diferentes padrões de café.
Por outro lado, o conilon (robusta) apresenta maior fluidez de negócios, indicando mais atividade no segmento apesar da pressão nos preços gerais.
Tendências e perspectivas para o mercado de café
Analistas destacam que, mesmo com as projeções de safra abundante no Brasil, outros elementos — como custos de transporte, câmbio flutuante e pressões geopolíticas — continuam a moldar a trajetória dos preços no curto e médio prazo. A volatilidade nas bolsas internacionais e as reações dos mercados futuros refletem a incerteza dos investidores diante desses movimentos combinados.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Produção de café do Brasil pode atingir recorde de 75,65 milhões de sacas na safra 2026/27
A produção brasileira de café para a safra 2026/27 foi revisada para cima pela consultoria Safras & Mercado, que passou a estimar um volume recorde de 75,65 milhões de sacas de 60 kg. A projeção anterior era de 71 milhões de sacas.
O novo número representa um crescimento de 17% em relação à temporada passada, consolidando uma expectativa positiva para o setor cafeeiro nacional.
Condições climáticas favoráveis impulsionam produtividade das lavouras
De acordo com o analista da Safras & Mercado, Gil Barabach, o bom desempenho das lavouras está diretamente ligado às condições climáticas observadas nos primeiros meses do ano.
Segundo ele, o regime de chuvas adequado e temperaturas mais amenas favoreceram o desenvolvimento das plantas, resultando em maior carga produtiva.
“Chuvas em bom volume e temperaturas mais amenas garantiram bom desenvolvimento das plantas, o que acabou se refletindo em uma carga produtiva mais elevada”, destaca o analista.
Esse cenário também confirmou as boas expectativas geradas durante o período de florada, reforçando o otimismo do mercado e justificando a revisão positiva da safra.
Café arábica lidera crescimento e se destaca na produção nacional
O principal destaque da revisão é o café arábica, cuja produção está estimada em 49,95 milhões de sacas, ante 46,70 milhões projetados anteriormente.
Esse volume representa um avanço de 29% em relação à temporada passada, que foi fortemente impactada pela seca registrada em 2024.
Produção de conilon apresenta leve recuo, mas supera projeções iniciais
Já a produção de café conilon/robusta está estimada em 25,70 milhões de sacas na safra 2026/27, o que representa uma leve queda de 1,2% em relação ao ciclo anterior.
Apesar do recuo, o desempenho foi melhor do que o inicialmente projetado, que indicava queda de 6%. O resultado foi sustentado pelo crescimento da produção em Rondônia e por um desempenho acima do esperado no Espírito Santo.
Exportações de café recuam em março, com queda em volume e receita
No comércio exterior, o Brasil exportou 3,040 milhões de sacas de café em março, gerando uma receita cambial de US$ 1,125 bilhão, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Na comparação com o mesmo mês de 2025, houve queda de 7,8% no volume embarcado e retração de 15,1% na receita.
Embarques acumulados também apresentam queda no ano-safra
No acumulado dos nove primeiros meses do ano-safra 2025/2026, as exportações brasileiras somaram 29,093 milhões de sacas, volume 21,2% inferior ao registrado no mesmo período anterior.
Apesar da redução no volume, a receita cambial alcançou US$ 11,431 bilhões, alta de 2,9% na comparação com o mesmo intervalo do ciclo anterior, refletindo preços mais elevados no mercado internacional.
Desempenho no primeiro trimestre confirma retração nas exportações
No primeiro trimestre deste ano, os embarques brasileiros totalizaram 8,465 milhões de sacas, uma queda de 21,2% frente às 10,739 milhões exportadas no mesmo período do ano passado.
A receita cambial no período foi de US$ 3,371 bilhões, recuo de 13,6% em relação aos US$ 3,901 bilhões registrados nos três primeiros meses de 2025.
Mercado acompanha safra recorde e ritmo mais lento das exportações
O cenário atual do café brasileiro combina expectativas de safra recorde, impulsionada por condições climáticas favoráveis, com um ritmo mais lento nas exportações, influenciado por fatores de mercado e logística.
A combinação desses elementos deve seguir no radar dos agentes do setor ao longo dos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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