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Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável debate avanços e próximos passos da reinserção de produtores na cadeia da carne

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Evento discute evolução da reinserção de produtores na pecuária

A Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável (MBPS) realizou, na última quinta-feira (29/01), o segundo webinar da trilha de diálogos sobre reinserção de produtores, reunindo representantes do setor produtivo, do poder público e de organizações do agronegócio.

O encontro teve como foco avaliar avanços, impactos e desafios da reinserção como ferramenta de requalificação comercial na cadeia da carne, dentro das ações conduzidas pelo Grupo de Trabalho (GT) de Terra da entidade.

Reinserção como instrumento de requalificação e inclusão produtiva

Durante o debate, especialistas explicaram que a reinserção vem sendo estruturada com critérios técnicos, uso de evidências e mecanismos de monitoramento contínuo, o que permite distribuir responsabilidades entre produtores, empresas e órgãos públicos.

A proposta é atuar de forma complementar à regularização ambiental, tornando o processo mais ágil e eficiente.

“A reinserção é um processo estruturado, com critérios e responsabilidades bem definidas, que gera impactos positivos tanto para o produtor quanto para a cadeia como um todo”, destacou Beatriz Pressi, coordenadora técnica da MBPS.

Setor privado vê ganhos na manutenção de fornecedores e governança

Representantes do setor privado compartilharam dados e experiências que mostram como a reinserção tem contribuído para fortalecer parcerias de longo prazo e reduzir riscos socioambientais.

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Segundo Jay Neto, coordenador de pecuária sustentável da MBRF, o foco deixou de ser apenas a exclusão e passou a ser a criação de caminhos de apoio ao produtor.

“Quando estruturamos soluções de reinserção, fortalecemos a governança, reduzimos riscos e mantemos uma base de fornecimento mais consistente e alinhada aos compromissos socioambientais”, explicou.

Poder público destaca integração entre sustentabilidade e inclusão produtiva

Na visão do setor público, a reinserção também tem um papel fundamental na inclusão produtiva e na regularização ambiental.

A diretora da Semas-PA, Indará Aguilar Roumiê, ressaltou que a estratégia permite transformar bloqueios comerciais em oportunidades de regularização.

“Quando o produtor recebe informação, apoio técnico e incentivos adequados, ele consegue retornar ao mercado formal. Isso é positivo para o meio ambiente, para o Estado e para toda a cadeia da carne”, afirmou.

Resultados e impactos observados até agora

O debate trouxe exemplos práticos de produtores que já foram reinseridos no mercado formal, mostrando resultados como:

  • Retomada da comercialização e maior previsibilidade;
  • Valorização do produtor e da produção sustentável;
  • Redução de riscos socioambientais;
  • Melhoria da governança e transparência nas compras.
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Para Stefannie Leffler, coordenadora do GT de Terra e gerente de produtos da Agrotools, a reinserção é uma forma de transformar exclusão em requalificação.

“Quando os critérios são claros e o acompanhamento é contínuo, criamos condições mais consistentes para a permanência do produtor no mercado formal”, destacou.

Próximos passos: escala e fortalecimento das ações

O grupo apontou como próximos passos a necessidade de:

  • Ampliar a disseminação de informações sobre reinserção;
  • Fortalecer a assistência técnica e a capacitação dos produtores;
  • Alinhar iniciativas públicas e privadas;
  • Dar visibilidade a casos de sucesso, para inspirar novas adesões e replicar o modelo em outros territórios.

Essas medidas buscam consolidar a reinserção de produtores como um caminho efetivo e escalável para o fortalecimento da pecuária sustentável no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno

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O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.

A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.

No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.

O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.

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Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.

No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.

No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.

O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.

A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.

A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.

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Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.

A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.

No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.

O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.

Fonte: Pensar Agro

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