Agro
Agro brasileiro enfrenta crise de crédito e endividamento e pressiona governo por medidas emergenciais
A agropecuária brasileira vive um cenário de instabilidade marcado por custos elevados, desvalorização de commodities e encarecimento do crédito, fatores que têm ampliado o endividamento dos produtores rurais. Diante desse quadro, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou o diálogo com o governo federal em busca de medidas emergenciais para o setor.
A bancada, composta por 341 parlamentares, recebeu o novo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, em reunião realizada nesta terça-feira (14), quando apresentou uma série de propostas consideradas prioritárias.
Projeto de lei propõe crédito para renegociação de dívidas rurais
Entre as medidas defendidas pela FPA está o Projeto de Lei 5.122/2023, de autoria do deputado Domingos Neto (PSD-CE), que prevê a criação de uma linha de crédito específica para repactuação de dívidas rurais, utilizando recursos do Fundo Social.
A proposta tramita na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal e tem como relator o senador Renan Calheiros (MDB-AL).
Na última semana, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) articulou reunião com o Ministério da Fazenda e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para discutir o avanço do projeto.
Apesar da previsão de cerca de R$ 30 bilhões em recursos, parlamentares avaliam que o montante é insuficiente diante do atual nível de endividamento no campo.
FPA pede apoio do governo para acelerar medidas no Congresso
O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), destacou a necessidade de apoio institucional do governo para dar celeridade à proposta.
Segundo ele, o volume de recursos previsto no projeto não cobre a dimensão da crise enfrentada pelos produtores rurais, reforçando a urgência de novas soluções estruturais.
Pauta do agro inclui crédito, regulação e segurança jurídica
Durante o encontro, a FPA entregou ao Ministério da Agricultura um conjunto de pleitos que envolvem desde crédito rural até regulamentações e políticas públicas. Entre os principais pontos estão:
Revisão de normas do Conselho Monetário Nacional (CMN) que restringem crédito com base no PRODES;
- Ampliação do Plano Safra para facilitar o acesso de pequenos e médios produtores;
- Criação de soluções estruturantes para renegociação de dívidas rurais;
- Definição de cronogramas para regulamentações de leis como a de pesticidas, bioinsumos e autocontrole;
- Redução de carga tributária sobre insumos agropecuários;
- Maior participação do setor produtivo em acordos comerciais internacionais;
- Revisão de normas sobre certificação de grãos e uso de tecnologias como drones;
- Atuação nas negociações do Regulamento Europeu de Desmatamento (EUDR).
Ministro sinaliza reaproximação com bancada ruralista
O ministro André de Paula afirmou estar aberto a fortalecer o diálogo com a FPA e acenou positivamente para a realização de reuniões periódicas com a bancada.
A sugestão foi apresentada pela ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que destacou a importância da articulação entre Executivo e Legislativo para enfrentar os desafios do setor.
Parlamentares cobram ações urgentes para salvar produtores
Durante a reunião, deputados e senadores reforçaram a gravidade da situação no campo e a necessidade de medidas imediatas.
O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) destacou a urgência na implementação do Código Florestal e criticou restrições de crédito vinculadas ao PRODES.
Já o deputado Alceu Moreira (MDB-RS) afirmou que produtores enfrentam condições adversas e precisam de apoio para manter suas atividades.
A deputada Marussa Boldrin (MDB-GO) ressaltou a necessidade de atenção aos produtores endividados, enquanto o deputado Pezenti (MDB-SC) defendeu o fortalecimento do seguro rural.
Crédito caro ameaça próxima safra, alertam lideranças
Parlamentares também alertaram para o risco de comprometimento da próxima safra diante do alto custo do financiamento.
O deputado Fabio Garcia (União-MT) destacou a importância de um Plano Safra com volume adequado de recursos e juros mais baixos.
Já o deputado Pedro Westphalen (PP-RS) afirmou que diversos segmentos, com exceção do café, enfrentam dificuldades para viabilizar a produção.
Propostas de securitização e orçamento ganham destaque
O senador Irajá (PSD-TO) defendeu a tramitação do Projeto de Lei 320/2025, voltado à securitização das dívidas rurais, comparado a um “Refis do campo”.
Além disso, o deputado Tião Medeiros (PP-PR) cobrou maior participação da agropecuária no orçamento público, proporcional à relevância do setor para a economia brasileira.
Diversos segmentos do agro enfrentam dificuldades
A deputada Ana Paula Leão (PP-MG) chamou atenção para a situação de cadeias produtivas como leite, banana, cebola, morango e alho, que enfrentam desafios crescentes.
Segundo ela, o setor leiteiro, em especial, atravessa um momento crítico, exigindo ações específicas para garantir a sustentabilidade da atividade.
Setor pede medidas estruturais para garantir sustentabilidade do agro
Diante do cenário, a avaliação predominante entre parlamentares e representantes do setor é de que soluções pontuais não serão suficientes.
A defesa é por medidas estruturais que envolvam crédito acessível, segurança jurídica, políticas públicas consistentes e maior integração entre governo e setor produtivo, com o objetivo de garantir a continuidade da produção e a sustentabilidade da agropecuária brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%
A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.
Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.
Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.
A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.
Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.
A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.
O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.
A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.
Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.
A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.
A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.
O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.
O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.
Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.
A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.
Fonte: Pensar Agro
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