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MJSP divulga relatório sobre verificação de idade na internet

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Brasília 03/02/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Direitos Digitais (SEDIGI), publica o relatório “Mecanismos de Aferição de Idade: análise das contribuições à consulta pública e subsídios para regulamentação da Lei nº 15.211/2025”, que cria o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital).

O documento foi desenvolvido em parceria com a professora doutora Ticianne Darin, da Universidade Federal do Ceará, e contou com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e com a participação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

O relatório, que pode ser acessado na íntegra aqui, apresenta a sistematização das 70 contribuições recebidas durante a consulta pública realizada na plataforma Participa + Brasil, entre 15 de outubro e 14 de novembro de 2025. A consulta coletou subsídios técnicos para a definição dos padrões nacionais de aferição de idade, previstos como obrigatórios no ECA Digital, para acesso a conteúdos, produtos e serviços proibidos a crianças e adolescentes.

Os subsídios sistematizados no relatório serão utilizados para fundamentar a elaboração do decreto que regulamentará o ECA Digital, legislação que entra em vigor em 17 de março. O decreto regulamentador do ECA Digital está em produção conjunta entre o MJSP, a Casa Civil, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) e a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom-PR).

O Governo avalia a necessidade de etapas de adequação para alguns dispositivos da lei que receberão maior detalhamento regulatório e novas exigências que demandem elevado nível de adaptação de produtos e serviços por parte do setor privado.

A ANPD, que, por determinação do Decreto nº 12.622/2025, tem a atribuição de disciplinar os aspectos técnicos da regulamentação, definir padrões e fixar os prazos de adequação, buscará assegurar previsibilidade, segurança jurídica e condições concretas para o cumprimento da lei pelos diferentes agentes do ecossistema digital.

A consulta pública integrou a Estratégia Crescer em Paz, do MJSP, e teve como objetivo reunir perspectivas de diferentes setores da sociedade brasileira sobre como implementar mecanismos de proteção que equilibrem a segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital com a preservação da privacidade dos usuários.

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Convergências e divergências na consulta pública

As pessoas e as empresas que participaram da consulta pública apontaram que não é possível adotar uma regra única e rígida para todos os sites ou aplicativos verificarem a idade dos usuários. A sugestão é que se adote um método mais leve ou mais rigoroso, dependendo do risco que oferecem. Por exemplo, um fórum de adultos precisaria de uma verificação mais rigorosa do que um site de receitas.

Os participantes da consulta pública apoiam a interoperabilidade, ou seja, que as plataformas usem padrões técnicos (como conectores universais) para que sistemas diferentes possam “conversar” entre si. Isso facilita a experiência do usuário e evita que uma empresa crie um sistema fechado. Além disso, a consulta apontou que as regras devem ser testadas antes da entrada em vigor das normas do ECA Digital.

Apesar de haver consenso em alguns pontos, surgiram divergências em duas questões principais: a definição do nível de risco de cada aplicativo ou plataforma e a decisão sobre quem deve prover a solução de aferição de idade — se uma solução pública ou privada.

Principais temas identificados

O relatório organiza a análise da consulta pública em nove eixos temáticos:

1. Por que regular e quem deve agir: Há consenso de que a mera declaração de idade (“tenho mais de 18 anos”) não é suficiente em situações de risco, mas há divergências sobre quem deve ser responsável pela verificação: empresas, famílias ou Estado.
2. O que deve ser regulado: Alguns defendem verificação rigorosa apenas para conteúdos proibidos por lei (como pornografia e apostas), enquanto outros propõem regras também para redes sociais e jogos com interação entre desconhecidos.
3. Onde a verificação deve ocorrer: Debate sobre se a checagem deve acontecer nas lojas de aplicativos, nos sistemas operacionais dos celulares ou em cada aplicativo individualmente, considerando que muitas famílias brasileiras compartilham o mesmo aparelho.
4. Quais tecnologias usar: Avaliação de métodos como estimativa de idade por foto, documentos digitais, dados bancários e sistemas que comprovam a idade sem revelar a identidade do usuário.
5. Como cada setor justifica sua posição: Mapeamento de argumentos, incluindo empresas que já cumprem a lei e aquelas que defendem tecnologias que incluem pessoas sem acesso a documentos.
6. Como calibrar as exigências: Há consenso de que regras mais rigorosas devem valer para serviços de maior risco, enquanto serviços de baixo risco podem ter regras mais simples, sempre coletando o mínimo de dados possível.
7. Riscos para a privacidade: Preocupações com vazamento de dados, uso indevido de informações pessoais e vigilância dos usuários.
8. Impactos práticos: Consideração sobre custos para empresas menores, exclusão de pessoas sem acesso a tecnologias avançadas e dificuldades de famílias com pouca familiaridade digital.
9. Como deve ser a regulamentação: Demandas por regras claras, prazos adequados, certificação de fornecedores de tecnologia e testes antes da obrigatoriedade geral.

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Participação plural

O processo consultivo contou com empresas de tecnologia, associações setoriais, organizações da sociedade civil, instituições acadêmicas, órgãos públicos e cidadãos. O setor privado respondeu por 41,4% das contribuições, seguido pela sociedade civil, com 34,3%. A região Sudeste concentrou 54,3% das manifestações, refletindo a localização das sedes da maioria das empresas participantes.

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Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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Governo do Brasil anuncia medidas de proteção socioambiental e desenvolvimento sustentável na área da BR-319 nos estados do AM e RO

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O Governo do Brasil anunciou, nesta quarta-feira (27/5), um conjunto de medidas voltadas à proteção socioambiental e ao desenvolvimento sustentável na área de influência da rodovia BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). A iniciativa prevê a contratação de um modelo inédito de concessão no país, que pela primeira vez integra serviços de monitoramento e suporte à governança ambiental e manutenção rodoviária.

A região onde a estrada está inserida, no interflúvio dos rios Purus e Madeira, é uma das áreas de maior integridade ambiental na Amazônia, e, portanto, central para que o Brasil implemente suas políticas ambientais, em especial, a meta de redução de emissões de gases de efeito estufa no âmbito da ONU – a NDC, na sigla em inglês – e o objetivo de zerar o desmatamento em todo o país até 2030. 

As medidas apresentadas para a região da BR-319 buscam convergir os objetivos de preservar a área, fundamental para a regulação do ciclo de chuvas e a manutenção da segurança energética e da sustentabilidade do setor agropecuário, e pavimentar a rodovia, resgatando e garantindo a integridade do licenciamento ambiental. Sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Casa Civil e os Ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e dos Transportes vêm coordenando a iniciativa, com a participação de diversos órgãos.

A cerimônia de anúncio ocorreu com a presença do presidente Lula, dos ministros do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, da Casa Civil, Miriam Belchior, dos Transportes, George Santoro, de Minas e Energia, Alexandre Silveira, da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, e do governador do Amazonas, Roberto Cidade, além de parlamentares do estado.

O presidente Lula afirmou que a BR-319 poderá se tornar uma referência internacional em infraestrutura com governança ambiental. “Ambientalmente, vai ser a estrada mais moderna do mundo. Qualquer estrangeiro que venha dar palpite na questão climática aqui, vamos mostrar o que fizemos”, declarou.

“A pavimentação é um direito das pessoas, mas tem que ser feita com cuidado ambiental. É necessário preservar e monitorar uma das regiões mais sensíveis da Amazônia, além de promover o aumento significativo de áreas protegidas e a regularização das áreas passíveis de serem regularizadas e que fomentam a atividade produtiva”, afirma o ministro João Paulo Capobianco.

Ele destacou o ineditismo do modelo de parceria proposto pelo Governo do Brasil para a BR-319.  “Estamos, pela primeira vez, contratando esse serviço, que vai garantir toda a infraestrutura necessária à operação dos órgãos públicos e o monitoramento ambiental preciso, em tempo real, da rodovia em sua integralidade. Consideramos que é um projeto modelo: ao ser implementado da forma adequada, pode ser uma nova forma de endereçar as demandas de outras regiões do país.”

As iniciativas incluem a criação de um corredor de Unidades de Conservação e Terras Indígenas no entorno da BR-319, ações de segurança pública e fiscalização ambiental, ordenamento territorial, regularização fundiária e ambiental de propriedades rurais, promoção de concessões florestais voltadas ao manejo e à restauração e fomento à bioeconomia a partir dos produtos da rica biodiversidade local. Completa o pacote de medidas a contratação de um inovador modelo de concessão dos serviços de monitoramento ambiental, suporte logístico e manutenção da rodovia.

As ações serão conduzidas de maneira coordenada por diversos órgãos federais, abrangendo as faixas de 50 km de cada lado da rodovia, além da totalidade das áreas protegidas federais que extrapolam esse limite. Estão organizadas em três frentes de atuação: proteção ambiental, desenvolvimento sustentável e mobilidade com integração regional, a serem executadas progressivamente, em etapas que passam a vigorar já em 2026, em 2027 e em 2028.

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Parceria

A Parceria Público-Privada (PPP) será concretizada até 2028 e terá duração de 20 anos, até 2048, com um valor estimado de R$ 9 bilhões a ser desembolsado pela União ao longo da execução do contrato. O modelo inédito a ser implementado deve servir como referência de gestão ao conciliar o serviço de manutenção da rodovia ao monitoramento ambiental do entorno da BR-319, com torres de observação, estações meteorológicas, central de atendimento e gerenciamento de alertas.  

Além do encontro realizado em Manaus, está prevista uma série de escutas à sociedade e ao setor privado para o detalhamento da iniciativa, incluindo audiências públicas em Brasília e São Paulo (SP). 

Nos próximos meses, será concluído o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) para subsidiar a contratação da parceria. A proposta passará por consulta pública e avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU) antes da publicação do edital.

Eixo de proteção ambiental

O entorno da BR-319 conta atualmente com cerca de 85 mil km² de áreas protegidas. O Governo do Brasil ampliará a proteção ambiental a partir da criação de um corredor de novas Terras Indígenas e Unidades de Conservação (UCs), que totalizarão cerca de 121 mil km².

Em maio, foram realizadas as consultas públicas para as três primeiras UCs federais a serem implementadas – as Reservas de Desenvolvimento Sustentável Tupana Igapó-açu I, Tupana Igapó-açu II e Canaã, todas na porção norte da rodovia BR-319.

Ainda este ano, também serão publicados os estudos de reconhecimento de três Terras Indígenas na região.

Até 2027, serão instalados três portais de fiscalização integrada nos municípios de Humaitá, Careiro e Manicoré (AM), a partir de um trabalho integrado do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF), que intensificará imediatamente as operações de controle ambiental ao longo de toda a rodovia por meio do Plano Estratégico de Ações Integradas para BR-319. 

Em Humaitá, será implantada, em 2028, uma sede multiagências para atuação conjunta dos quatro órgãos com participação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

As ações fazem parte do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Plano Amas) e têm como foco a intensificação da presença efetiva do Estado para incremento da segurança pública e da proteção ambiental.

Além disso, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) realiza um mutirão de análise dos processos de regularização fundiária dos assentamentos rurais da área, enquanto os governos federal e estaduais colocam em prática um plano de trabalho de análise de cerca de 26 mil registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR) que incidem sobre terras públicas federais, que deve ser concluído em 2027. Serão criados, em 2026, quatro escritórios para apoiar o processo de regularização fundiária.

O MMA, por meio do Programa União com Municípios e do Projeto Floresta+ Amazônia, apoia a análise dos registros do CAR.

Eixo de desenvolvimento sustentável 

No pilar do desenvolvimento sustentável, o Governo do Brasil atuará, junto aos governos estaduais e locais, em diferentes frentes. Uma delas é a promoção de concessões florestais por meio do Serviço Florestal Brasileiro (SFB).

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Neste mês, será publicado o edital para a concessão da Floresta Nacional de Balata-Tufari, localizada no Amazonas, com 267 mil hectares. Estima-se que serão gerados R$ 2,5 bilhões em receita ao longo do contrato, além da destinação de R$ 2,6 milhões para o SFB, R$ 2,5 milhões para o ICMBio e R$ 1,2 milhões para os estados impactos pela concessão – mesmo valor direcionado aos municípios e ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF). A concessão traz benefícios diretos para as populações do entorno, com a geração anual de aproximadamente 578 empregos diretos e 1.155 indiretos, além da destinação de R$ 2,2 milhões por às comunidades locais.

Por sua vez, a concessão florestal da Gleba Castanho está com o seu edital aberto e previsão para realização do leilão em 6 de julho. Localizada no município de Careiro (AM), A a Unidade de Manejo tem aproximadamente 60 mil hectares, e sua concessão é considerada a primeira fora de uma Unidade de Conservação federal, com expectativa de movimentar R$ 521 milhões e gerar benefícios diretos para a população do entorno, com geração de 124 empregos diretos e 248 indiretos por ano e destinação anual de R$ 463 milhões para às comunidades locais.

Outra medida a ser tomada ainda em 2026 é a conclusão da Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), instrumento voltado à análise integrada dos impactos e oportunidades para o território no médio e longo prazos. Sua elaboração é coordenada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). O estudo – que abrange o interflúvio dos rios Madeira e Purus, seus municípios e sub-bacias hidrográficas – indicará locais, públicos e políticas adequadas para a redução dos impactos ambientais relacionados à BR-319. A previsão é de que em agosto seja apresentado o resultado final da avaliação, que fornecerá diretrizes para o desenvolvimento sustentável da região.

Por fim, as iniciativas para promover o desenvolvimento sustentável envolvem ações de fomento à bioeconomia. Em 2026, haverá o lançamento de uma plataforma de cadastro de empreendimentos comunitários e a formação de 50 agentes de crédito rural para viabilizar o financiamento de atividades sustentáveis na Amazônia. Em 2027, serão anunciados 10 editais para o fortalecimento de cadeias produtivas da sociobioeconomia e a implementação de dois Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia.

Fortalecimento dos resultados 

As medidas compõem uma política de fortalecimento da presença do Estado na região da BR-319 e chegam em um momento de consolidação de resultados positivos na agenda ambiental.

Em 2025, o Amazonas registrou redução de 62% no desmatamento, com 979 km² de área desmatada, em comparação aos 2.594 km² registrados em 2022, segundo o sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A queda do desmatamento nas faixas de 50 km de cada lado da BR-319 foi ainda maior, alcançando, em 2025, 75% em relação ao pico ocorrido em 2022, também de acordo com o Prodes.

A área de influência da BR-319 abrange aproximadamente 270 mil km² nos estados do Amazonas e de Rondônia. O território compreende 18 municípios e um mosaico territorial composto por 33% de Unidades de Conservação federais e estaduais, 19% de Terras Indígenas, 30% de glebas públicas, 10% de assentamentos federais e apenas 8% de áreas privadas.

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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