Brasil
Jovens Defensores Populares amplia acesso à Justiça e abre novas turmas no Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, 21/01/2026 – O projeto Jovens Defensores Populares lançou novas turmas da primeira etapa da iniciativa no estado do Rio de Janeiro (RJ), em evento realizado no sábado (17). A atividade reuniu jovens, educadores, gestores públicos e representantes de instituições parceiras, fortalecendo o diálogo entre sociedade civil e poder público. A ação consolida uma política pública voltada à formação cidadã e à ampliação do acesso à Justiça em territórios periféricos.
Nesta etapa, 100 jovens passaram a integrar novas turmas nos territórios do Jardim Catarina, na Maré, na Rocinha e na Vila Vintém, em São Gonçalo. Esses participantes se somam às turmas já existentes na Baixada Fluminense, na Zona Norte e na Zona Oeste, que concluirão o percurso formativo em fevereiro, beneficiando outros 90 jovens. Ao todo, o projeto registra 979 jovens matriculados em seis Unidades da Federação.
Na aula inaugural, a secretária nacional de Acesso à Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Sheila de Carvalho, destacou sua trajetória como resultado de políticas públicas e ressaltou a importância da atuação coletiva. “Foi uma longa caminhada, e estamos vendo o impacto desse investimento nas comunidades. Criamos esse projeto para transformar a vida das pessoas. Fico muito feliz em participar de mais este momento dos Jovens Defensores Populares. Trata-se de uma política federal que já transforma a realidade de jovens em seis estados. A partir de agora, vocês também fazem parte dessa história”, disse a titular da Saju.
O projeto
O Jovens Defensores Populares é uma parceria entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Acesso à Justiça (Saju); a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio da Agenda Jovem Fiocruz (AJF); e a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ). Os territórios atendidos foram definidos como prioritários pelo Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). A iniciativa é financiada com recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública.
Voltado à formação de agentes de transformação social, o projeto busca ampliar o acesso à Justiça nas periferias, fortalecer o engajamento cívico e político das juventudes e estimular a construção de soluções locais para desafios sociais, ampliando a presença do Estado em contextos historicamente marcados por desigualdades.
O coordenador da Cooperação Social da Fiocruz, José Leonídio Madureira de Souza Santos, explicou como o conceito ampliado de saúde contribui para a formulação de políticas públicas como o Jovens Defensores Populares. “Entendemos que saúde não é apenas a ausência de doença, mas um estado de bem-estar social, físico, mental e ambiental. Para isso, é preciso intervir nos territórios, lutar por direitos e reconhecer que muitas violações são históricas, estruturais e de alcance mais amplo”, afirmou aos integrantes da nova turma.
Os participantes têm entre 18 e 29 anos e foram selecionados por meio de busca ativa e articulação com cursinhos populares, organizações da sociedade civil e coletivos de base. A maioria é composta por jovens negros, de baixa renda e com forte atuação comunitária, o que potencializa o impacto da iniciativa nos territórios atendidos.
Histórico
Ao longo de 2025, a primeira etapa do Jovens Defensores Populares contou com turmas na Bahia (BA), no Distrito Federal (DF), no Pará (PA), em Pernambuco (PE), no Rio de Janeiro (RJ) e em São Paulo (SP). Os resultados indicam impacto positivo na formação cidadã: 96,4% dos participantes afirmaram conhecer melhor seus direitos após a participação no projeto, e 86,25% avaliaram como úteis as ferramentas apresentadas ao longo do percurso formativo.
Até dezembro de 2025, a iniciativa realizou 623 encontros formativos, com 30 turmas, e mobilizou 499 educadores. O projeto conta ainda com 71 profissionais, distribuídos em seis equipes locais de coordenação nos estados e no Distrito Federal.
Com metodologia baseada na educação popular, antirracista e no arte-ativismo, o percurso formativo amplia o repertório crítico dos jovens para interpretar e intervir em suas realidades. As atividades incluem pesquisa de campo, diagnósticos participativos e estratégias de intervenção territorial, como incidência política, comunicação comunitária e educação popular.
Brasil
Brasil recebe 75,6 mil pedidos de refúgio em 2025 e ultrapassa 165 mil refugiados reconhecidos
O levantamento mostra que o número de pessoas reconhecidas como refugiadas cresceu 5,9% entre 2024 e 2025. Desde 2010, o País acumulou 551.072 solicitações de reconhecimento da condição de refugiado.
Realizado no Palácio da Justiça, em Brasília (DF), o evento reuniu representantes do Governo Federal, organismos internacionais, academia, sociedade civil e comunidades refugiadas para debater os desafios da proteção internacional e os avanços do Brasil no acolhimento e na integração de pessoas refugiadas.
O relatório também registra uma mudança no perfil dos solicitantes de refúgio. Pela primeira vez, Cuba ultrapassou a Venezuela em número de novos pedidos e respondeu por 55,4% das solicitações registradas em 2025. Os venezuelanos representaram 28,1% do total. O levantamento identificou ainda solicitantes oriundos de 177 países.
Durante a abertura do evento, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, enfatizou a importância histórica da Convenção de 1951 e o compromisso brasileiro com a proteção internacional.
“Essa data não marca apenas a assinatura de um tratado, mas a reafirmação da própria dignidade da pessoa humana diante do desafio do deslocamento forçado. Ao reconhecer a pessoa refugiada como sujeito de direitos, o Estado cumpre uma de suas funções mais elevadas: servir à lei, à justiça e à dignidade humana”, afirmou.
O ministro ressaltou ainda que o Brasil tem consolidado políticas voltadas à proteção e à integração de pessoas refugiadas, citando instrumentos como o reconhecimento da condição de refugiado, os vistos humanitários e o Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário.
“Os relatórios apresentados hoje reforçam a relevância de políticas públicas baseadas em dados e evidências para qualificar a atuação estatal. O Brasil segue sendo reconhecido internacionalmente como um País capaz de proteger, acolher e reconhecer em cada pessoa refugiada uma vida com direitos, capacidades e futuro”, declarou.

- Dia Mundial do Refugiado. Foto: Isaac Amorim/ MJSP
Acolhimento e integração
A secretária nacional de Justiça e presidente do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), Maria Rosa Loula, destacou que a política de refúgio tem papel estratégico para o desenvolvimento social e para a promoção dos direitos humanos.
“O refúgio é um instrumento de transformação da sociedade brasileira e do mundo. O Brasil consegue dar exemplo de um paradigma que reúne segurança, direitos humanos, acolhimento e desenvolvimento social”, enfatizou.
Segundo a secretária, o trabalho desenvolvido pelo Estado brasileiro é resultado da atuação articulada entre Governo Federal, organismos internacionais, academia e sociedade civil. “Trata-se de uma política pública fundamental, construída coletivamente e comprometida com a proteção da dignidade humana”, acrescentou.
Desafios globais
O representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil, Davide Torzilli, destacou que o contexto atual reforça a relevância da Convenção de 1951 e da cooperação internacional para garantir proteção às pessoas deslocadas à força.
Segundo ele, os números globais evidenciam a necessidade de fortalecer os sistemas de proteção. “Mais de 117 milhões de pessoas estão deslocadas à força em todo o mundo. Esses dados lembram que a necessidade de proteção internacional não diminuiu; ela se tornou ainda mais urgente”, observou.
Torzilli também reconheceu o papel desempenhado pelo Brasil no fortalecimento das políticas de acolhimento e integração. “O Acnur agradece ao Brasil por continuar promovendo espaços de diálogo, fortalecendo seu sistema de proteção internacional e buscando soluções que permitam não apenas proteger, mas também integrar pessoas refugiadas, deslocadas e apátridas”, disse.
O relatório Tendências Globais, com dados sobre deslocamento forçado no mundo e nas Américas, também foi apresentado no primeiro painel do evento. Acesse o relatório aqui: https://www.acnur.org/br/noticias/comunicados-imprensa/relatorio-tendencias-globais-2025

- Cantora e refugiada iraniana Mah Mooni compartilha sua trajetória de deslocamento, acolhida e reconstrução de vida no Brasil. Foto: Isaac Amorim/MJSP
Programa é institucionalizado
Durante o evento, o ministro Wellington Lima assinou o ato de institucionalização do Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário. Coordenado pelo MJSP, em articulação com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e outros órgãos do Governo Federal, e implementado em parceria com a sociedade civil, o Acnur e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o programa constitui uma iniciativa inovadora da política brasileira de acolhida humanitária.
Implementado inicialmente como projeto-piloto voltado à população afegã, o programa tem promovido a acolhida, a proteção e a integração de pessoas em situação de vulnerabilidade por meio do engajamento direto de organizações da sociedade civil e comunidades locais. Sua institucionalização representa um passo importante para consolidar a experiência e permitir sua expansão gradual a outros grupos que necessitam de proteção e acolhida humanitária.
Programação
Além da apresentação dos relatórios Refúgio em Números 2026, o encontro contou com um bate-papo com a cantora e refugiada iraniana Mah Mooni, que compartilhou sua trajetória de deslocamento, acolhida e reconstrução de vida no Brasil.
A programação também incluiu um painel dedicado aos 75 anos da Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951, reunindo especialistas, representantes do governo, da academia, da sociedade civil e de organismos internacionais para discutir os desafios atuais da proteção internacional e as perspectivas para o fortalecimento das políticas de refúgio no Brasil.
Também compuseram a mesa de abertura o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; a secretária-executiva adjunta do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Isadora Lacava; a secretária de Comunidades Brasileiras no Exterior e Assuntos Consulares do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Márcia Loureiro; o subprocurador-geral da República, André de Carvalho Ramos; e o representante do Acnur no Brasil, Davide Torzilli.
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