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Vídeolocadoras em extinção. Saiba onde estão as ‘resistentes’ em Curitiba

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Final dos anos 1990, começo dos anos 2000. Aproximava-se o final de semana e era hora de ir à locadora de vídeo. Para conseguir o lançamento blockbuster era preciso sorte. Se não desse, catálogo certamente não faltaria para se encontrar boas opções. Dava para perder horas e horas olhando as capas nas prateleiras, lendo e relendo as sinopses. Se a indecisão persistisse, a solução era apelar ao atendente, uma espécie de oráculo do cinema, em busca de boas dicas. Chegando em casa, era preparar a pipoca, reunir a família e botar o vídeocassete para funcionar (as vezes até mastigar as fitas). Na hora da devolução, não esquecer de rebobinar, sob pena de pagar multa.
Por muitos e muitos anos essa foi a rotina dos apaixonados por cinema. E estabelecimentos para atender aos cinéfilos também não faltava. Apenas Curitiba chegou a ter mais de 500 vídeolocadoras. Para se ter alguma noção do que isso representa, podemos dizer que houve um tempo, por meados dos anos 2000, em que a cidade tinha tantas vídeolocadoras quanto farmácias. Hoje, contudo, são menos de 15 estabelecimentos trabalhando com a locação de filmes. E o número não para de cair.
Há dois anos, por exemplo, o Bem Paraná fez uma reportagem sobre as locadoras que ainda resistiam em Curitiba. Na ocasião foram visitadas as lojas da Vídeo 1 e da Cartoon, a mais antiga vídeolocadora da América Latina e a segunda mais antiga da cidade, fundadas em 1980 e em 1986, respectivamente. A primeira fechou as portas em meados de 2018, enquanto a segunda encerrou as atividades no começo de 2019.
“Até pouco tempo você achava uma locadora em casa esquina. Hoje praticamente nem tem concorrência mais, o mercado está muito fraco”, comenta Sidney Gemoski, proprietário da Screen Vídeo Locadora, há 23 anos no mercado e uma das remanescentes dos anos áureos do mercado de home video. “Esta bem difícil. Lançamentos ainda locam, agora o catálogo parou, piorou mais”, complementa.
Segundo ele, o maior problema nem é a pirataria, que chegou a abalar o mercado nos anos 2000, especialmente depois da substituição do VHS (Video Home System) pelo DVD (Digital Video Disc). Hoje, o grande vilão é a internet. “Já faz uns cinco, seis anos (que o mercado está ruim), mas a partir da metade do ano passado que caiu mais. (O grande vilão) É a internet mesmo, não é nem a pirataria. Hoje o pessoal só fica na internet. Estão deixando de ver filme, essa coisa de se reunir, chamar a família.”
Proprietário da Astro Vídeo Locadora, localizada no bairro Portão, Darío Dóris apresenta um diagnóstico parecido. “Há algum tempo está (ruim). A partir do momento que entrou o Netflix deu uma caída, depois a internet em si. As pessoas hoje baixam o filme na SmartTV e assistem direto em casa. Basicamente, a tecnologia engoliu o mercado”.

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A hora de dizer adeus se aproxima
Com 64 anos de vida, 30 dos quais dedicados à sua vídeolocadora, Dário Dóris agora se prepara para dizer adeus ao mercado de locação de filmes. “Estamos praticamente encerrando. A gente gosta, é triste, mas fazer o quê? Já estou praticamente dando baixa. Já até dei baixa pro contador”, conta o empresário. “Eu já sou aposentado, então era mais uma atividade para complementar renda, só que agora não está dando mais”.
A Screen Vídeo, de Sidney Gemoski, tende a seguir pelo mesmo caminho. “A gente está vendendo a casa, os filmes que temos, e assim que vender tudo devemos fechar”, conta Sidney. “As próprias produtoras já estão sumindo, indo embora, deixando ainda mais difícil para gente. Não lançam mais filmes em DVD, por exemplo, então eles mesmos já vão dificultando.”
Já a Liberdade Vídeo, localizada no Bairro Alto, seguirá na resistência. Fundada no começo do ano 2000, a empresa está desde 2002 nas mãos de Regina Barros Cassal. Ela reconhece que está difícil, mas vai continuar.

Adaptar para sobreviver nos novos tempos
Para se manter no mercado na era do Streaming, a Liberdade Vídeo realizou uma série de adaptações ao longo desses anos, baixando o preço da locação, aumentando os prazos para devolução dos filmes e criando pacotes promocionais.O aluguel de um lançamento, por exemplo, custa R$ 6. Filme de catálogo, R$ 3. Mas se a pessor pegar 3 filmes, irá pagar R$ 7. Se locar cinco, o valor é R$ 10. E se pegar sete filmes, paga R$ 15.
“O que eu conto mesmo é com os clientes, muitos vêm desde que começamos a loja. São clientes fiéis, gostam de vir, escolher o filme, fazer pacote. O principal é trabalhar com maior tempo. Antigamente lançamento era entrega em 24 horas, hoje trabalhamos com mais dias, maior prazo para entrega dos fimes. È o que está mnantendo ainda”, explica Regina.
Outros, como Sidney Gemoski, apostaram em agregar serviços e produtos ao negócio. “A gente vai agregando coisa: salgadinho, refrigerante e outras bebidas, carregador de celular, coisa para celular. Também consertamos máquinas, notebooks, PCs.”

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Profecia
‘Vai fechar tudo, infelizmente vai’
Segundo Dario Dóris, proprietário da Astro Vìdeo Locadora, os grandes lançamentos ainda são o carro-chefe para as locadoras. Em seguida aparecem as obras clássicas, difíceis de serem encontradas na internet. “Quando não conseguem baixar um clássico, algo assim, ligam para ver se a gente tem para locar. Quando falamos que o aluguel do filme é R$ 3, as pessoas até se assustam”, revela. O prognóstico do empresário, contudo, não é positivo. “Olha, talvez fique uma ou outra (locadora) para funcionar como museu, como uma espécie de sebo. Eu acho que vão se transformar em sebos”, aposta Doris, enquanto Sidney Gemoski faz previsões mais catastróficas. “Vai fechar tudo, infelizmente vai. E muito filme vai se perder, porque você não acha na internet. Quem tem, tem. Quem não tem, vai ficar sem assistir”, profetiza. Enquanto isso, os cinéfilos que curtem os DVDs vão se acostumando com a perda, que parece mesmo irreversível.

89 Cidade do Paraná
possuem hoje vídeolocadoras, conforme dados do Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC), divulgado recentemente pelo IBGE. Isso equivale a 22,3% dos 399 municípios paranaenses. Mas o número já foi bem maior. Em 2001, por exemplo, 299 municípios do estado (74,9% do total) possuíam ao menos uma vídeolocadora. Desde o início do milênio, portanto, o número de cidades com esse tipo de estabelecimento caiu 70,23%.

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Curitiba tem um bairro gigante que supera municípios da Região Metropolitana

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A Cidade Industrial de Curitiba (CIC) carrega o título de bairro mais populoso da capital paranaense e figura entre os cinco maiores do Brasil. Segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 172.510 moradores, número superior ao de Pinhais e Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, que têm 127 mil e 118.730 habitantes, respectivamente.

Além da densidade populacional, a CIC se destaca pelo tamanho territorial, com 43 km² de extensão. Oficialmente fundada em 1973, a Cidade Industrial nasceu de uma parceria entre a Urbs e o Governo do Paraná.
A ideia era criar uma área planejada para receber indústrias e, ao mesmo tempo, oferecer moradia para trabalhadores. As primeiras casas começaram a surgir nos anos 1980 e, desde então, a região nunca parou de crescer.

Nos anos 1970, o bairro parecia isolado às margens da BR-116. Hoje, no entanto, faz parte do coração econômico da capital, com conexões diretas para o interior do Paraná.

Bairros mais populosos de Curitiba

Atualmente, a CIC lidera o ranking dos bairros mais populosos de Curitiba, seguida por Sítio Cercado, Cajuru, Uberaba e Boqueirão. Somadas, essas cinco regiões concentram 503.664 habitantes, ou seja, quase 30% de toda a população curitibana.

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Na outra ponta, bairros como Riviera, Lamenha Pequena e Cascatinha mal chegam a somar 10 mil moradores.

Boom de investimentos após a pandemia

Desde 2022, a CIC tem atraído grandes investimentos em diferentes setores. Estima-se que cerca de R$ 2 bilhões já tenham sido confirmados em projetos industriais para os próximos três anos

A região também foi a mais procurada da cidade para abertura de empresas no primeiro semestre de 2022. Segundo a prfeitura, 2.761 novos negócios se instalaram ali, número maior que o registrado no Centro e no Sítio Cercado.

Atualmente, o bairro reúne aproximadamente 20 mil empresas, responsáveis por mais de 80 mil empregos diretos e indiretos, de acordo com a Associação das Empresas da CIC.

Entre os investimentos mais expressivos estão os R$ 1,5 bilhão da Volvo em pesquisa e desenvolvimento até 2025; os R$ 200 milhões da Fiocruz na construção de uma fábrica de vacinas; e outros R$ 200 milhões da alemã Horsch, que pretende implantar uma unidade de máquinas agrícolas na região.

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Desafios do maior bairro de Curitiba

Apesar da relevância econômica e social, a CIC enfrenta desafios típicos de grandes centros urbanos. O bairro aparece em segundo lugar no ranking de crimes contra o patrimônio em 2025, com 2.545 ocorrências registradas apenas no primeiro semestre, ficando atrás apenas do Centro.
Além da questão da segurança, o trânsito intenso e as demandas por urbanização acompanham o crescimento acelerado da região.

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