Agro
Varejo brasileiro recua 5,1% em fevereiro, aponta índice IGet
A Getnet divulgou os resultados do IGet em fevereiro de 2026, índice que acompanha o desempenho dos setores da economia brasileira. O levantamento aponta queda nos serviços às famílias e desempenho misto no varejo, refletindo os efeitos da política monetária restritiva e a espera por estímulos fiscais no início do ano.
Serviços às famílias recuam 5,4% em fevereiro
O segmento de serviços prestados às famílias registrou queda de 5,4% na comparação mensal (m/m), devolvendo o ganho observado em janeiro. Na métrica anual, o índice apresenta retração de 4,0% (a/a).
Entre os setores mais impactados estão:
- Alojamento e alimentação: -2,9% m/m
- Outros serviços às famílias: -1,2% m/m
Segundo analistas, a redução reflete a continuidade da política monetária restritiva, embora a resiliência do mercado de trabalho e impulsos fiscais sigam oferecendo suporte à atividade econômica no primeiro trimestre.
Varejo apresenta desempenho misto em fevereiro
O índice ampliado do varejo avançou 0,3% m/m, sustentado principalmente pelo segmento de materiais de construção (+19,5% m/m). Em contrapartida, o índice restrito recuou 1,1% m/m, pressionado por setores que têm maior peso no indicador:
- Supermercados: -0,7% m/m
- Combustíveis: -1,0% m/m
Entre os destaques positivos do índice restrito estão:
- Artigos farmacêuticos: +1,4% m/m
- Outros segmentos: +1,2% m/m
Já segmentos como móveis e eletrodomésticos (-1,1% m/m) e automóveis, partes e peças (-2,7% m/m) contribuíram para a oscilação negativa do índice.
Na comparação anual, o varejo ampliado apresentou queda de 5,1% (a/a), enquanto o varejo restrito recuou 7,5% (a/a).
Perspectivas para o consumo e o primeiro trimestre de 2026
Apesar do desempenho misto em fevereiro, especialistas projetam aceleração da atividade econômica no 1º trimestre de 2026, especialmente com os efeitos da isenção do imposto de renda para rendimentos de até R$ 5 mil, que deve impulsionar o consumo das famílias nos próximos meses.
O resultado reforça a ideia de que, embora a política monetária restritiva ainda pressione a economia, fatores como estímulos fiscais e emprego estável podem contribuir para recuperação gradual do varejo e dos serviços.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Cerrado Mineiro tem um dos melhores rendimentos dos últimos anos
A colheita do café arábica chegou a 99% nas propriedades acompanhadas pela Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), no Cerrado Mineiro. Além do avanço dos trabalhos, o beneficiamento apresenta rendimento médio de 455 litros de café colhido para a formação de uma saca de 60 quilos, um dos melhores resultados registrados nos últimos anos.
O levantamento considera a situação das lavouras até 11 de setembro. Aproximadamente 90% da produção já passou pelo beneficiamento, etapa em que são retiradas a casca, a palha e as impurezas para obtenção dos grãos que serão classificados e comercializados.
O resultado de 455 litros por saca indica uma relação favorável entre o volume retirado da lavoura e a quantidade de café beneficiado. Quanto menor o volume de frutos necessário para formar uma saca de 60 quilos, melhor tende a ser o aproveitamento industrial da produção.
Esse rendimento ajuda a compensar parte dos custos da colheita, da secagem e do beneficiamento. Para o produtor, significa obter mais sacas comerciais a partir do mesmo volume colhido, embora o resultado financeiro também dependa da qualidade da bebida, da classificação dos grãos e dos preços negociados.
O Cerrado Mineiro reúne cerca de 4,5 mil produtores em 55 municípios e possui aproximadamente 255 mil hectares cultivados. A região produz, em média, 6 milhões de sacas por ano, equivalentes a 12,7% da produção brasileira, e comercializa café com mais de 30 países.
A cafeicultura regional também se diferencia pela Denominação de Origem Cerrado Mineiro, a primeira reconhecida para cafés no Brasil. O selo identifica produtos cultivados dentro da área delimitada e que atendem aos critérios de origem, rastreabilidade e qualidade.
A etapa final da colheita está concentrada principalmente no recolhimento dos frutos que caíram no chão. A Expocacer estima que esse café represente cerca de 30% do volume da safra. Aproximadamente 80% dessa parcela já foi recuperada.
O índice médio de catação, que representa a retirada de grãos defeituosos durante o beneficiamento, está próximo de 21%. O percentual foi influenciado justamente pela maior participação do café recolhido do chão, normalmente mais sujeito à umidade, fermentação e contato com impurezas.
As chuvas registradas entre os dias 5 e 9 de setembro impediram o encerramento completo da colheita. A umidade elevada do solo dificultou o tráfego das máquinas e interrompeu temporariamente o recolhimento em algumas propriedades. Como a maioria das áreas já concluiu o trabalho, o avanço do percentual restante ocorre de forma mais lenta.
As precipitações, por outro lado, estimularam a abertura das primeiras flores da próxima safra. A florada observada corresponde, em média, a 33% do potencial estimado para as lavouras acompanhadas pela cooperativa.
Nas áreas que produziram menos nesta temporada, a abertura das flores foi mais intensa e uniforme. Nas lavouras que sustentaram cargas elevadas, a florada apresentou menor intensidade, comportamento relacionado ao esforço realizado pelas plantas durante a formação da safra atual.
A continuidade das chuvas poderá favorecer uma segunda florada de proporção semelhante. O restante do potencial deve se distribuir entre outubro e novembro, conforme a disponibilidade de umidade e as condições de temperatura.
A abertura das flores é uma sinalização positiva, mas ainda não garante o tamanho da próxima produção. Para que se transformem em frutos, as lavouras precisarão de umidade suficiente durante o pegamento, a formação dos chumbinhos e o início da granação.
Com a safra atual praticamente recolhida, rendimento de beneficiamento favorável e as primeiras flores abertas, o Cerrado Mineiro encerra um ciclo e inicia outro. O acompanhamento das chuvas e o manejo nutricional e fitossanitário das lavouras serão decisivos para transformar o potencial observado agora em produção na próxima colheita.
Fonte: Pensar Agro
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