Agro
Soja tem queda nos preços internos, alta em Chicago e ritmo desigual de colheita nas regiões produtoras
Queda nas cotações internas e retomada de preços de 2024
O mercado brasileiro de soja encerrou fevereiro sob pressão, com os preços recuando para níveis semelhantes aos registrados em 2024. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a desvalorização do dólar frente ao real reduziu a paridade de exportação e tirou competitividade da soja brasileira em relação à americana.
Além disso, as expectativas de alta oferta nacional contribuíram para o enfraquecimento das cotações. Mesmo com perdas pontuais causadas por problemas climáticos no Sul e Sudeste, a boa produtividade em outras regiões deve compensar as quebras, mantendo o otimismo quanto ao volume final da safra.
Soja reage na Bolsa de Chicago com avanço do petróleo
Enquanto os preços internos recuam, o mercado internacional apresentou leve recuperação. Na manhã desta segunda-feira (2), os contratos da soja na Chicago Board of Trade (CBOT) registraram altas entre 3 e 3,75 pontos, com o vencimento de março cotado a US$ 11,55 e o de maio a US$ 11,73 por bushel.
O principal fator de alta foi o aumento expressivo no preço do petróleo, que subiu mais de 7%, impulsionando também o óleo de soja, principal derivado da oleaginosa. A escalada do petróleo foi motivada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, no fim de semana, elevando as tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O movimento de valorização também atingiu outras commodities, como milho e trigo, enquanto o farelo de soja apresentou queda superior a 1%, o que limitou ganhos mais expressivos no grão. Analistas projetam um cenário de alta volatilidade, com influência tanto das condições da safra sul-americana quanto das incertezas globais.
Câmbio e volatilidade global reforçam cautela
Além das tensões geopolíticas, o mercado monitora o comportamento do câmbio e dos índices de risco. O dólar index subia 0,5% na manhã desta segunda-feira, enquanto o S&P 500 VIX, conhecido como “índice do medo”, registrava alta de 16,8%, refletindo o aumento da aversão ao risco entre investidores internacionais.
Esses fatores contribuem para um cenário de incerteza nas exportações brasileiras e de ajustes regionais nos preços internos, conforme o avanço da colheita no país.
Desempenho regional: diferenças marcam o fechamento da semana
O mercado físico da soja no Brasil terminou a semana com ajustes regionais, influenciados por condições logísticas, armazenagem e ritmo de colheita distintos entre os estados.
No Rio Grande do Sul, os preços registraram leve valorização, com a saca sendo negociada a R$ 118,00 em praças como Ijuí, Cruz Alta e Passo Fundo, e R$ 130,00 no porto de Rio Grande. A ausência de novos dados técnicos da Emater/RS-Ascar manteve o mercado em compasso de espera, enquanto produtores aguardam o fechamento da CBOT.
Em Santa Catarina, o mercado permaneceu estável, com foco no abastecimento das agroindústrias de proteína animal. No porto de São Francisco do Sul, a saca foi cotada a R$ 129,00, queda de 0,77%.
No Paraná, a logística sobrecarregada e os altos custos de frete pressionaram os preços. Filas de até 15 quilômetros no acesso ao porto de Porto de Paranaguá e falta de espaço em cooperativas levaram produtores ao uso de silos bolsa. No interior, a cotação ficou em R$ 119,50, e no porto, em R$ 125,50.
No Mato Grosso do Sul, a colheita atingiu 6,2% da área, atraso de 11 pontos percentuais frente ao ciclo anterior. A presença de ferrugem asiática em mais de 60 ocorrências confirmadas aumentou custos e reduziu o ritmo de comercialização, com preços entre R$ 110,00 e R$ 111,00.
Já o Mato Grosso segue liderando a colheita, com 46,8% da área colhida, mas enfrenta pressão logística e de armazenagem. Em Campo Verde, a saca foi negociada a R$ 105,60, e em Sorriso, a R$ 100,70, refletindo o grande volume disponível no mercado.
Panorama geral: otimismo moderado e foco na logística
Mesmo com a retração dos preços médios e os gargalos regionais, o setor mantém perspectiva positiva quanto à safra 2026, apostando na compensação entre as diferentes regiões produtoras e no apoio das exportações com a estabilização do câmbio.
No cenário global, a combinação entre volatilidade geopolítica, movimento do petróleo e andamento da colheita na América do Sul deverá continuar ditando o comportamento das cotações da soja nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Governo anuncia R$ 1,3 bilhão para impulsionar agricultura familiar e recuperação econômica na Bacia do Rio Doce
O Governo Federal anunciou um pacote de investimentos de R$ 1,3 bilhão para fortalecer a recuperação econômica das áreas rurais impactadas pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG). Os recursos serão aplicados em projetos voltados à agricultura familiar, reforma agrária, povos e comunidades tradicionais e demais populações atingidas ao longo da Bacia do Rio Doce.
A iniciativa integra o eixo rural do Novo Acordo do Rio Doce, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e executado pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater).
O anúncio foi realizado nesta segunda-feira (22), em Mariana (MG), pela ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, e pela presidente da Anater, Loroana Santana.
Estratégia busca reconstrução econômica e produtiva da região
Segundo o governo, os investimentos fazem parte da estratégia Rio+Doce Rural, que pretende promover a retomada produtiva dos territórios afetados por meio de ações estruturantes voltadas à geração de renda, recuperação ambiental e fortalecimento das cadeias produtivas locais.
Entre as iniciativas previstas estão a regularização fundiária e ambiental gratuita, recuperação de solos degradados, ampliação do acesso ao crédito rural, incentivo à agroindustrialização, implantação de tecnologias digitais no campo, fortalecimento da produção agroecológica e apoio técnico às comunidades atingidas.
De acordo com a ministra Fernanda Machiaveli, a proposta busca reconstruir não apenas a economia local, mas também os vínculos sociais e produtivos das comunidades impactadas.
“A retomada econômica da região passa pela geração de renda, produção de alimentos, recuperação ambiental e fortalecimento das famílias rurais que tiveram suas vidas profundamente afetadas pela tragédia”, destacou.
Programa de Transferência Rural já repassou mais de R$ 418 milhões
Durante o primeiro ano de implementação do Novo Acordo do Rio Doce, o Governo Federal concentrou esforços em ações de reparação individual.
Por meio do Programa de Transferência de Renda Rural (PTR-Rural), já foram transferidos R$ 418,7 milhões para 14.667 agricultores familiares dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.
Além disso, mais de 100 mil pessoas atingidas receberam apoio por meio de 20 Assessorias Técnicas Independentes (ATIs) contratadas pela Anater.
O PTR-Rural prevê repasses mensais equivalentes a 1,5 salário mínimo durante três anos, além de um salário mínimo no último ano de vigência do programa. Ao final do período, a expectativa é que sejam destinados aproximadamente R$ 1,7 bilhão às famílias cadastradas.
Principais projetos anunciados para a Bacia do Rio Doce
Regularização fundiária e ambiental receberá R$ 316 milhões
O projeto Rio Doce Sustentável contará com investimentos de R$ 316,1 milhões ao longo de dez anos para promover a regularização fundiária e ambiental de cerca de 40 mil famílias rurais.
A iniciativa prevê a atualização do Cadastro Ambiental Rural (CAR), georreferenciamento de aproximadamente 1,8 milhão de hectares e ampliação do acesso ao crédito para cerca de 20 mil famílias.
Recuperação de solos terá aporte de R$ 125 milhões
O projeto ProDoce, desenvolvido em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), receberá R$ 125,4 milhões para restaurar áreas produtivas afetadas e fortalecer sistemas agroecológicos.
A expectativa é atender quase 17 mil agricultores em 40 municípios ao longo de quatro anos.
Assentamentos da reforma agrária terão investimento de R$ 49,9 milhões
Os 52 assentamentos localizados na Bacia do Rio Doce serão contemplados com R$ 49,9 milhões destinados à retomada agroecológica da produção.
A ação beneficiará aproximadamente 4 mil famílias assentadas em 24 municípios.
Projeto Florestas Produtivas com Barraginhas investirá R$ 100,8 milhões
Com foco na conservação ambiental e na geração de renda, o projeto prevê a implantação de sistemas agroflorestais, recuperação de nascentes e construção de mais de 4 mil barraginhas para retenção de água.
O investimento total será de R$ 100,8 milhões em cinco anos, atendendo cerca de 4,5 mil propriedades rurais.
Tecnologia digital chegará a 14 mil produtores
Em parceria com a Embrapa, o projeto Semear Digital receberá R$ 30 milhões para levar conectividade e soluções tecnológicas às cadeias produtivas de café, cacau, pecuária e hortifrutigranjeiros.
Serão instalados quatro centros digitais para atendimento de aproximadamente 14 mil produtores rurais.
Cooperativas e agroindústrias receberão R$ 186,7 milhões
Outra frente de atuação será o fortalecimento da agroindustrialização regional.
O projeto Agroindústrias e Mercados Cooperativos contará com R$ 186,7 milhões para apoiar 18 associações e cooperativas da agricultura familiar.
O objetivo é ampliar a agregação de valor à produção local, fortalecendo o beneficiamento, a comercialização e o acesso a mercados institucionais e privados.
Mulheres rurais serão beneficiadas com quintais produtivos
As mulheres também estão entre os públicos prioritários das ações de reparação.
O projeto Quintais Produtivos para Mulheres Atingidas receberá R$ 57,9 milhões para implantação de dois mil quintais agroecológicos destinados a agricultoras familiares, assentadas, campesinas e produtoras periurbanas.
Além da estrutura física, o programa prevê assistência técnica, acesso à água, equipamentos e apoio à comercialização da produção.
Comunidades tradicionais ampliam participação na reparação
O governo também destacou o avanço das consultas junto aos povos tradicionais da região.
Após quase um ano de diálogo e investimento de R$ 4,5 milhões em processos participativos, os Garimpeiros Tradicionais e os Faiscadores aceitaram integrar o Novo Acordo do Rio Doce, passando a ter acesso aos recursos previstos para a reparação coletiva.
Além disso, foram assinados novos contratos de Assessorias Técnicas Independentes, elevando para R$ 492,5 milhões o total destinado a esse tipo de apoio às comunidades atingidas.
Plano projeta desenvolvimento sustentável para os próximos 10 anos
O pacote de investimentos inclui ainda a elaboração do Plano de Desenvolvimento Integrado da Bacia do Rio Doce, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Com investimento de R$ 2,2 milhões, o estudo irá definir estratégias de curto, médio e longo prazo para promover o desenvolvimento sustentável, reduzir desigualdades e aumentar a resiliência econômica e social das comunidades rurais da região.
Com o novo conjunto de investimentos, o Governo Federal busca consolidar uma das maiores iniciativas de recuperação econômica rural já implementadas no país, transformando a Bacia do Rio Doce em referência nacional de reconstrução produtiva, inclusão social e sustentabilidade no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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