Brasil
Síntese do dia — COP15 — 28 de março
Os delegados da 15ª Reunião da Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS, na sigla em inglês) concentraram os esforços finais na manhã de sábado (28/3) para destravar os pontos ainda em aberto antes da plenária decisiva, que acontece neste domingo (29/3).
Na plenária, as discussões avançaram sobre a consolidação dos textos que reúnem o resultado de negociações conduzidas ao longo da semana em diferentes frentes temáticas, desde a proteção de aves e espécies terrestres e aquáticas até questões institucionais e transversais.
Parte significativa dessas propostas foi encaminhada para deliberação final da Conferência, como medidas voltadas ao fortalecimento da mobilização de recursos, tema sensível para a implementação dos acordos.
AGENDA DE NEGOCIAÇÃO
O Brasil sinalizou que pretende propor, na próxima Conferência, a criação de uma área de conservação dedicada ao boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), espécie que ocorre no país e já faz parte do Anexo II da CMS. A iniciativa busca engajar outras nações da bacia amazônica que ainda não integram a Convenção, além de fortalecer parcerias regionais voltadas à proteção da biodiversidade.
Um dos momentos mais delicados ocorreu durante o debate sobre a incorporação de trechos da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, adotada na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92), em 1992, em documentos oficiais da Conferência. Após horas de impasse, os países chegaram a um entendimento e fecharam um pacote de documentos, que seguiu para avaliação da plenária.
A inclusão da Declaração do Rio adicionou peso político às negociações da COP15. O debate envolve princípios como desenvolvimento sustentável e responsabilidades diferenciadas, que influenciam diretamente o equilíbrio entre conservação ambiental e crescimento econômico, tema central para países em desenvolvimento como o Brasil.
Neste caso e em outros pontuais, o Brasil:
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Defendeu a inclusão da Declaração do Rio como referência central nos documentos da COP15;
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Sustentou que a Declaração deve ser incorporada em sua totalidade, e não apenas por meio de princípios isolados;
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Reforçou a importância da Declaração do Rio como base do desenvolvimento sustentável, destacando sua relevância para temas da CMS, como o declínio de insetos;
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Chamou a atenção para a resistência de alguns países à aplicação do princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas (RCD), defendido por nações do Sul Global;
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Propôs a reabertura das negociações sobre mobilização de recursos, com apoio de países como Equador e Chile;
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Apoiou a renovação de ações de conservação para a toninha, também conhecida como franciscana (Pontoporia blainvillei), ao lado do Uruguai e da República Dominicana, além de organizações internacionais como a Comissão Internacional da Baleia (CIB), o Instituto Bem-Estar Animal e a Oceancare;
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Também apoiou medidas para o boto-de-Lahille (Tursiops truncatus gephyreus), reforçando a cooperação internacional para proteção da espécie;
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Anunciou a intenção de propor, na próxima conferência, uma área de conservação para o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), espécie que ocorre no Brasil, buscando ampliar a adesão de países da bacia amazônica à Convenção;
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Liderou a proposta de criação de uma área de conservação para o tubarão-mangona (Carcharias taurus), com foco na atualização do plano regional de proteção da espécie, obtendo apoio internacional.
Também ganhou destaque a apresentação, pelo Comitê de Gestão, de 11 propostas de ações concertadas (sejam novas ou renovadas) voltadas a espécies migratórias já listadas ou candidatas à inclusão nos anexos da Convenção. As iniciativas foram amplamente apoiadas pelos países membros, que ressaltaram a necessidade de ampliar a cooperação internacional diante das múltiplas ameaças enfrentadas por essas espécies ao longo de suas rotas.
Resumo da negociação com propostas e envolvimento do Brasil até sábado (28/3)
PARA AVALIAÇÃO NA PLENÁRIA FINAL
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Inclusão do surubim-pintado (Pseudoplatystoma corruscans) no Anexo II;
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Inclusão da ariranha (Pteronura brasiliensis) nos Anexos I e II (proposta francesa com apoio brasileiro);
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Resolução e plano de ação para bagres amazônicos, como a dourada (Brachyplatystoma rousseauxii) e a piramutaba (Brachyplatystoma vaillantii);
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Inclusão do cação-cola-fina (Mustelus schmitti) no Anexo II;
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Inclusão de petréis — ou grazinas — dos gêneros Pterodroma e Pseudobulweria (há espécies que ocorrem no Brasil);
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Inclusão do maçarico-de-bico-torto (Numenius phaeopus hudsonicus) no Anexo I;
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Inclusão do maçarico-de-bico-virado (Limosa haemastica) no Anexo I;
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Inclusão do caboclinho-do-Iberá (Sporophila iberaensis) no Anexo II;
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Ação concertada para o tubarão-mangona (Carcharias taurus);
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Ação concertada para o tubarão-peregrino (Cetorhinus maximus), que não ocorre no Brasil, mas que o país apoia na proposta do Irish Basking Shark Group;
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Ação Concertada para a toninha, também conhecida como franciscana (Pontoporia blainvillei), incluindo renovação da iniciativa;
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Ação Concertada para o boto-de-Lahille (Tursiops truncatus gephyreus);
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Propostas de ações concertadas e planos de ação para raias do gênero Mobula (há espécies que ocorrem no Brasil).
RETIRADO
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Inclusão do cação-anjo-espinhoso (Squatina guggenheim) no Anexo II.
Legado vivo: plantio de mudas
A Conferência deixou um legado em Campo Grande (MS) com a criação do Bosque da COP15. Inaugurado neste sábado (28/3) pelo presidente da COP15 e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, o espaço ganhou 250 mudas de espécies nativas do Cerrado e árvores frutíferas, reunindo delegações internacionais e autoridades locais em torno do tema “Conectando a natureza para sustentar a vida” (leia mais aqui).
Concebido como um refúgio ecológico permanente em área urbana, o bosque reúne espécies como ipês, jacarandás e angicos, contribuindo para a circulação de fauna, apoio a polinizadores e fortalecimento da conectividade entre habitats. A iniciativa, fruto da parceria entre o Governo do Brasil, o Governo do Mato Grosso do Sul e a Prefeitura de Campo Grande, também contribui para compensar as emissões de gases de efeito estufa da COP15.
Além do impacto ambiental, o plantio simbolizou o compromisso coletivo com a biodiversidade e a sustentabilidade urbana. Durante a inauguração, Capobianco destacou o potencial do espaço para promover troca genética e abrigo à fauna, enquanto a secretária-executiva da CMS, Amy Fraenkel, ressaltou o caráter simbólico da ação ao aproximar pessoas e natureza. O Bosque Carandá se consolida, assim, como um legado duradouro da COP15, integrando conservação ambiental ao cotidiano da cidade.
O maior aquário de água doce do mundo
Integrando a agenda da COP15 delegadas e delegados participaram de uma visita técnica ao BioParque Pantanal. A atividade proporcionou uma imersão na biodiversidade brasileira e nas estratégias de conservação desenvolvidas no Mato Grosso do Sul, com destaque na articulação entre ciência, educação ambiental e conservação (leia mais aqui).
Situado no Parque das Nações Indígenas, o complexo se diferencia pela estrutura robusta e pela atuação voltada à pesquisa. Com centenas de espécies, o BioParque Pantanal vai além da visitação pública e se firma como um centro relevante para a conservação da fauna neotropical. Grande parte de seus tanques é destinada a estudos científicos, com resultados expressivos, como o registro de reproduções inéditas e o manejo de espécies ameaçadas.
Entre os destaques, o trabalho do Centro de Conservação de Peixes Neotropicais chamou a atenção das delegações internacionais. Os resultados alcançados reforçam a função do espaço como apoio à conservação de espécies em risco e contribuem para a manutenção da biodiversidade. Ao mesmo tempo, a iniciativa evidencia a importância de aproximar o conhecimento científico da sociedade.
A visita também ressaltou o impacto do BioParque Pantanal na educação e na valorização ambiental. Representantes de diferentes países destacaram a relevância de iniciativas que conectam pessoas à natureza, especialmente em um cenário de crescentes pressões sobre as espécies migratórias. Desde a inauguração, em 2022, o local já recebeu mais de 1 milhão de visitantes e se consolida como referência em conservação na América Latina.
Conexão sem Fronteiras
A programação educativa reuniu oficinas, atividades lúdicas e exibições audiovisuais voltadas à conscientização ambiental, com foco em temas como incêndios florestais e conservação dos recursos hídricos.
Entre as ações, a oficina “A Turma do Labareda: falando sobre incêndios florestais” utilizou o Cine Labareda para abordar, de forma didática, os impactos do fogo sobre os ecossistemas. A atividade foi acompanhada por dinâmicas com materiais educativos, voltadas principalmente ao público infantojuvenil.
A agenda também teve a Sala Verde EducaPantanal Itinerante, que promoveu sessões do Cine Ecofalante, com os temas “Água e Gênero” e “Cuidar das Águas”, e debate sobre sustentabilidade e uso responsável dos recursos naturais.
A programação foi encerrada com a atividade “Abraçando o Jorge”, uma tarde educativa realizada em parceria com o Instituto Tamanduá, voltada à sensibilização sobre a conservação da fauna brasileira.
(Com informações da Earth Negotiations Bulletin)
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Brasil
Tomé Franca visita aeroportos de Araripina e Serra Talhada e acompanha avanços do programa AmpliAR
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, realizou neste sábado (18) visitas técnicas aos aeroportos de Araripina e Serra Talhada, em Pernambuco, que passam por um processo de modernização e ampliação da infraestrutura por meio do Programa de Investimento Privado em Aeroportos Regionais (AmpliAR). As agendas marcam o início de uma nova etapa para os terminais, após a assinatura dos contratos de concessão com a concessionária GRU Airport, realizada na última terça-feira (14).
Os dois aeroportos foram arrematados na primeira rodada do programa, em novembro de 2025, que garantiu a inclusão de terminais regionais em contratos de concessão já existentes, com o objetivo de ampliar a conectividade e impulsionar o desenvolvimento econômico em regiões estratégicas do país.
Aeroporto de Araripina
A primeira visita técnica do dia foi ao Aeroporto de Araripina, que contará com investimentos de R$ 19,6 milhões, com foco na ampliação do terminal de passageiros, expansão do estacionamento e implantação de áreas de segurança de fim de pista (RESA), que aumentam a segurança das operações e permitem a ampliação da oferta de voos.
Esse terminal atende diretamente o polo gesseiro do Araripe, responsável pela maior parte da produção nacional.
Na ocasião, o ministro Tomé Franca celebrou essa conquista para a cidade e para toda a região. “Mais do que um investimento de quase R$ 20 milhões, a assinatura desse contrato significa uma gestão de excelência para o aeroporto. Isso vai permitir que a gente tenha a manutenção desse ativo para que ele seja um canal de crescimento da economia do polo gesseiro e atraia novos investimentos para cá e para toda a região”, disse.
“Isso vai permitir que a gente tenha a manutenção desse ativo para que ele seja um canal de crescimento da economia do polo gesseiro e atraia novos investimentos para cá e para toda a região” Tomé Franca
Já o prefeito de Araripina, Evilásio Mateus, agradeceu pela parceria do governo federal e citou o ‘sonho realizado’ que essa assinatura representa para o município. “Quero iniciar agradecendo ao ministro Tomé e dizer que este aeroporto é o sonho de uma gestão moderna para Araripina. Para nós, que temos uma gestão voltada para o crescimento, a modernidade e o resgate da esperança de nossos araripinenses, a ampliação e a modernização da gestão do aeroporto, chegam para somar, e muito, com esse projeto”, declarou.
Também presente na ocasião, a deputada estadual Roberta Arraes fez questão de demonstrar sua gratidão ao governo do presidente Lula e também afirmar que se trata da realização de um sonho. “Eu sempre disse que ninguém faz nada sozinho. Isso foi um sonho que muitos achavam que era impossível. Mas a gente persistiu, insistiu e realizou. E é isso que a gente tem que fazer. Vocês chegam aqui hoje através do presidente Lula, trazendo um investimento de quase R$ 20 milhões pra nossa terra. Então, só gratidão e vamos continuar trabalhando para que o nosso Sertão se desenvolva muito mais”, afirmou.
Aeroporto de Serra Talhada
A segunda visita técnica do dia foi ao Aeroporto de Serra Talhada, que receberá investimentos previstos de R$ 40,5 milhões, voltados à ampliação do terminal de passageiros, do pátio de aeronaves e do estacionamento, além de melhorias operacionais que devem elevar a capacidade e o nível de serviço do aeroporto.
O terminal, que possui uma das maiores pistas da região, é considerado estratégico para a conexão do Sertão do Pajeú com outros centros urbanos.
Tomé Franca destacou os objetivos e as possibilidades de longo prazo para Serra Talhada com a assinatura desse contrato. “O que a gente deseja fazer é gerar a infraestrutura para crescer o número de passageiros voando e deixar esta área pronta para poder receber grandes aeronaves aqui e, com isso, trazer e levar desenvolvimento. Levar nossa produção para onde precisa ser levada e trazer investidores para abrirem empresas, abrirem negócios, abrirem comércios”, concluiu.
“O que a gente deseja fazer é gerar a infraestrutura para crescer o número de passageiros voando e deixar esta área pronta para poder receber grandes aeronaves” Tomé Franca
Já a prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado, fez questão de destacar as mudanças que esses investimentos trarão. “A gente vai melhorar a forma de atender todas as pessoas que vêm, não só para Serra Talhada, mas para toda a região. Quando a gente encurta distâncias, a gente aumenta desenvolvimento, a gente aumenta oportunidades. E é isso que o aeroporto tem sido aqui na nossa região”, disse.
Programa AmpliAR
Criado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, o AmpliAR inaugura um modelo inovador para a aviação regional ao integrar aeroportos de menor porte a contratos de concessão já existentes, garantindo escala, eficiência operacional e atração de investimentos privados. A iniciativa busca superar limitações históricas desses terminais, que muitas vezes operavam com baixa capacidade de investimento e restrições operacionais.
Com a inclusão desses aeroportos na gestão de concessionárias consolidadas, como a GRU Airport, o programa permite levar padrões mais elevados de operação e gestão para a aviação regional, estimulando a criação de novas rotas, ampliando a oferta de voos e fortalecendo a conectividade entre o interior e os grandes centros.
Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos
Fonte: Portos e Aeroportos
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