Política Nacional
Senado fará debate sobre investigação comercial dos EUA contra o Brasil
O Senado fará uma audiência pública para discutir o andamento das investigações contra o Brasil feitas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR – United States Trade Representative). Foi o que decidiu nesta terça-feira (2) a comissão temporária de senadores que vem tratando do assunto. A previsão é que o debate aconteça no dia 24 deste mês.
A audiência foi solicitada pela relatora da comissão, senadora Tereza Cristina (PP-MS), por meio de um requerimento: REQ 1/2025 – CTEUA. Além disso, a comissão aprovou nesta terça o plano de trabalho do grupo, também elaborado pela senadora.
USTR
O USTR, órgão que coordena a política comercial internacional dos EUA, tem utilizado a Seção 301 do Código Comercial norte-americano para apurar supostas práticas irregulares do Brasil em diversas áreas.
Estão incluídas nas investigações, por exemplo, as acusações de que o Supremo Tribunal Federal praticou censura em redes sociais e de que o pix seria uma forma de concorrência desleal com serviços de pagamento norte-americanos.
Tereza Cristina afirmou que, durante a visita da comissão temporária aos EUA, em julho, o grupo recebeu de empresários e parlamentares norte-americanos a orientação de que é preciso uma “participação ativa e coordenada” no processo da USTR.
Em seu requerimento, ela argumenta que a audiência pública “será uma oportunidade para se obter, de autoridades brasileiras, representantes do setor privado dos dois países e especialistas, atualizações sobre o andamento do processo da Seção 301 e da defesa dos interesses pátrios potencialmente afetados, além de debater, no âmbito da comissão, possíveis ações complementares para salvaguardar o comércio, o sistema financeiro e a economia nacionais”.
Para o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), as negociações com as autoridades norte-americanas são o melhor caminho para se evitar novas sanções ao Brasil e reverter as já estabelecidas. Desde agosto está em vigor a tarifa de 50% imposta pelo presidente Donald Trump aos produtos brasileiros exportados aos EUA.
Nelsinho, que é o presidente da comissão temporária de senadores e também da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, lembra que a legislação atual permite a aplicação da Lei da Reciprocidade, mas argumenta “retaliações entre parceiros não constroem nada”.
— O Plano Brasil Soberano [que concede cerca de R$ 60 bilhões em linhas de crédito] oferece fôlego imediato a cadeias produtivas prejudicadas [pelo “tarifaço” de Donald Trump], mas essas medidas são transitórias e muito paliativas. Elas não substituem a necessidade de uma solução estrutural e duradoura por meio de um entendimento direto com os Estados Unidos — declarou ele.
Tereza Cristina informou que a USTR realizará a primeira reunião presencial com representantes de setores brasileiros na quarta-feira (3). A senadora destacou que o órgão investiga as ações do Brasil nas seguintes áreas:
- propriedade intelectual;
- desmatamento;
- anticorrupção;
- medidas tarifárias;
- comércio digital;
- serviços de pagamento eletrônico.
A audiência pública sobre o andamento das investigações no USTR está prevista para 24 de setembro. Serão convidados:
- representantes dos ministérios das Relações Exteriores; da Agricultura e Pecuária; e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços;
- o economista Marcos Troyjo;
- representantes das confederações nacionais da indústria e da agropecuária;
- representante da câmara americana de comércio para o Brasil.
Plano de trabalho
De acordo com o plano de trabalho elaborado por Tereza Cristina, a comissão deve concluir suas atividades em 1º de outubro, quando deve ser apresentado seu relatório final.
A senadora também ressaltou que a comissão vai acompanhar o Plano Brasil Soberano, que foi divulgado em agosto pelo governo federal e tem o objetivo de minimizar os prejuízos causados pelo “tarifaço” imposto por Donald Trump.
O Plano Brasil Soberano já conta com R$ 60 bilhões, a ser aplicado em linhas de financiamento para pessoas e empresas atingidas. Esses recursos estão previstos em duas medidas provisórias: a MP 1.309/2025 e a MP 1.310/2025.
Outro eixo de atuação da comissão é a criação de canais de comunicação com empresários e parlamentares norte-americanos. A primeira atividade do grupo, inclusive, foi a visita aos EUA entre 28 e 30 de julho — quando os senadores se encontraram com representantes do Council of the Americas (que promove laços culturais com a América Latina) e o US Chamber of Commerce (que reúne empresários americanos).
Rússia
Tereza Cristina contou que a comissão foi alertada, durante a visita aos EUA, sobre o risco de o Brasil e outros países serem punidos com novas tarifas por manterem comércio com a Rússia, especialmente no que se refere ao petróleo. O argumento é que isso seria uma forma de financiar a guerra desse país contra a Ucrânia. Com esse pretexto, os EUA anunciaram em agosto tarifas adicionais sobre a Índia.
— Apuramos que, apesar das ressalvas às tarifas de Trump, forma-se um consenso bipartidário no Congresso norte-americano para sancionar, com taxas de até 500%, países que comercializam com a Rússia, sobretudo aqueles que compram petróleo. A medida poderia alcançar também a compra de fertilizantes e de outros produtos — disse a senadora.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Política Nacional
Comissão aprova suspensão de decreto que criou a Força Nacional de Segurança Publica
A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Decreto Legislativo 328/24, que susta os efeitos do decreto presidencial responsável pela criação da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP).
O autor do projeto, deputado Marcos Pollon (PL-MS), argumentou que o Decreto 5.289/04 extrapola os limites do Poder Executivo, invadindo uma competência que seria do Congresso Nacional.
Segundo ele, a existência permanente de uma força federalizada afronta a autonomia que os estados e o Distrito Federal possuem para conduzir suas próprias políticas de segurança.
Autonomia e recursos
Favorável ao texto, o relator, deputado Sanderson (PL-RS), defendeu que a segurança pública ostensiva tem dimensão federativa e que o governo federal não pode ampliar suas competências de forma a interferir permanentemente nos estados.
“A manutenção de força operacional federalizada, estruturada por decreto presidencial, representa significativa ampliação da atuação administrativa da União sobre matéria sensível e tradicionalmente vinculada à competência estadual. A segurança pública deve ter preservada sua autonomia operacional”, disse o relator.
Para Sanderson, os custos operacionais para manter a Força Nacional deveriam ser repassados para as polícias civis e militares locais.
Força Nacional
A FNSP foi criada em 2004 como um programa de cooperação entre estados e governo federal para atuar em emergências e promover ação integrada de segurança em diversas missões, como:
- combate ao narcotráfico;
- combate ao desmatamento ilegal;
- controle de rebeliões em presídios; e
- garantia da segurança em grandes eventos.
A Força Nacional é composta por policiais militares, civis, bombeiros militares e peritos dos estados e do Distrito Federal.
Próximos passos
A proposta será analisada agora pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Em seguida, o texto será apreciado pelo Plenário.
Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Marcia Becker
Fonte: Câmara dos Deputados
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