Agro
Safra 2025/26 em São Paulo deve crescer com impulso de milho, soja e café
O Estado de São Paulo inicia a safra 2025/26 com perspectivas positivas para importantes culturas agrícolas. Dados divulgados pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, apontam crescimento na produção de milho primeira safra, soja e café. As informações fazem parte do levantamento elaborado pelo Instituto de Economia Agrícola em conjunto com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral.
Enquanto o cenário é de expansão para grãos e café, culturas tradicionais como laranja e cana-de-açúcar encerram a safra 2024/25 com desafios relacionados à área plantada e à produtividade.
Milho primeira safra deve crescer 38% em São Paulo
A produção de milho primeira safra no estado deve atingir 2,01 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 38% em relação ao ciclo anterior. O avanço é resultado da combinação entre aumento de área plantada e melhora na produtividade.
A área destinada ao cultivo deve crescer 23,1%, enquanto a produtividade média é estimada em 7.469 kg por hectare, alta de 12,2%. A produção segue concentrada em regiões estratégicas, que respondem por 58,6% do volume total estadual.
Soja avança com produtividade recorde
A soja também apresenta desempenho positivo nas projeções para a safra 2025/26. A produção deve alcançar 4,57 milhões de toneladas, avanço de 11% em relação à safra anterior.
O crescimento é impulsionado por uma produtividade recorde estimada em 3.663 kg por hectare. A região de Itapeva se destaca, concentrando quase 19% da produção estadual. Juntamente com Assis e Ourinhos, essas regiões somam 39,7% da produção prevista no estado.
Café mantém força com alta na produtividade
No setor cafeeiro, o primeiro levantamento da safra 2025/26 projeta produção de 4,7 milhões de sacas de 60 kg. Apesar de uma leve redução de 0,9% na área cultivada, a produtividade deve crescer 5,7%.
A região de Franca segue como principal polo produtor, responsável por mais de 57% da produção estadual, com cerca de 2 milhões de sacas. A regional de São João da Boa Vista aparece na sequência, com 1,1 milhão de sacas, equivalente a 23,6% do total.
Outras regiões como Ourinhos, Marília, Bragança Paulista e Jaú também contribuem para a produção, com destaque para Ourinhos, que pela primeira vez supera Marília no ranking estadual.
Laranja registra queda de área e impacto do greening
O fechamento da safra 2024/25 aponta dificuldades para a citricultura paulista. A produção de laranja foi estimada em 268,7 milhões de caixas, com produtividade de 30.965 kg por hectare, alta de 2,8% em relação ao ciclo anterior.
Apesar do ganho produtivo, a área cultivada recuou 9,5%. O resultado reflete, principalmente, o impacto do greening, doença que afeta pomares em escala global, além das condições climáticas adversas.
Cana-de-açúcar recua, mas mantém estabilidade na produtividade
A produção de cana-de-açúcar destinada à indústria também apresentou retração na safra 2024/25. O volume total foi de 390,9 milhões de toneladas, queda de 4,6% em comparação ao ciclo anterior.
A área plantada diminuiu 4,8%, totalizando 5,5 milhões de hectares. Por outro lado, a produtividade teve leve alta de 0,5%, alcançando 78.057 kg por hectare.
A cultura segue distribuída por praticamente todas as regionais da CATI, com destaque para São José do Rio Preto, Barretos e Ribeirão Preto, que juntas concentram 22,2% da produção estadual.
Levantamento envolve todos os municípios paulistas
Os dados do levantamento foram coletados entre novembro e dezembro de 2025, com participação de técnicos das Casas de Agricultura nos 645 municípios do estado.
O estudo considera os principais produtos agrícolas em termos de valor econômico, com base no Valor da Produção Agropecuária Paulista. O Instituto de Economia Agrícola publica anualmente cinco relatórios com estimativas e previsões das safras no Estado de São Paulo, acompanhando a evolução da área plantada, produção e produtividade das principais culturas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Terminação Intensiva a Pasto avança no Brasil e eleva produtividade da pecuária sem ampliar áreas de pastagem
A Terminação Intensiva a Pasto (TIP) vem ganhando espaço na pecuária brasileira como alternativa eficiente para elevar a produtividade do rebanho sem necessidade de abertura de novas áreas. O modelo, que combina suplementação concentrada com pastagens bem manejadas, tem se consolidado como uma solução intermediária entre o sistema extensivo tradicional e o confinamento.
Com ganhos expressivos em desempenho animal, redução de custos operacionais e melhora no aproveitamento das áreas de pastagem, a TIP se tornou uma ferramenta estratégica para produtores que buscam aumentar rentabilidade e atender às crescentes exigências por sustentabilidade no agronegócio.
O sistema também se conecta diretamente a temas centrais do setor, como recuperação de áreas degradadas, prevenção do desmatamento e intensificação sustentável da produção de carne bovina.
Sistema intensifica produção usando o pasto como base alimentar
Na prática, a Terminação Intensiva a Pasto mantém o capim como principal fonte alimentar dos animais, utilizando suplementos concentrados para acelerar o ganho de peso na fase final antes do abate.
Entre os ingredientes mais utilizados estão DDG — subproduto do milho utilizado na produção de etanol —, casca de soja e núcleos nutricionais. A estratégia permite ajustar a dieta conforme as condições das pastagens ao longo do ano.
Durante o período chuvoso, quando há maior disponibilidade de forragem, o uso de concentrados pode ser reduzido. Já nos meses de seca, a suplementação aumenta para compensar a queda na oferta de capim.
Segundo Lucas Pimenta, diretor do grupo Aguiar & Azevedo, que utiliza o sistema há décadas em propriedades no Mato Grosso, a flexibilidade operacional é um dos principais diferenciais da TIP.
“O sistema é mais maleável. A base da alimentação é o capim, e conseguimos ajustar conforme a necessidade dos animais”, afirma.
Ganho de peso se aproxima do confinamento
Os resultados zootécnicos da Terminação Intensiva a Pasto têm chamado atenção do mercado pecuário. De acordo com produtores e técnicos do setor, o desempenho animal fica próximo ao observado em sistemas de confinamento.
Enquanto operações intensivas podem atingir ganhos de até 1,6 quilo por animal por dia, a TIP registra médias de 1,4 quilo diário durante o período das águas e cerca de 1,25 quilo por dia na seca.
Outro benefício destacado é a redução do chamado “efeito sanfona”, quando os bovinos ganham peso nas águas e perdem desempenho durante o período seco.
“O ideal é que o animal continue ganhando peso o ano inteiro”, destaca Lucas Pimenta.
Tecnologia amplia eficiência e reduz custos operacionais
O avanço tecnológico também tem impulsionado a adoção da TIP no Brasil. Em parceria com a Nutripura, propriedades do grupo Aguiar & Azevedo implementaram o sistema KonectPasto, ferramenta de monitoramento das pastagens que auxilia no ajuste do fornecimento de suplemento conforme a qualidade do capim.
Segundo Pimenta, o sistema permite maior precisão no manejo nutricional e melhora o controle de custos.
“Se o pasto está bom, reduzimos o concentrado. Isso melhora o custo sem prejudicar o desempenho”, explica.
Além disso, a eficiência operacional também aparece como vantagem econômica. Segundo o produtor, um único funcionário consegue realizar o manejo alimentar de até 2.500 animais por dia.
Lotação aumenta e sustentabilidade ganha destaque
Outro ponto relevante da TIP é o aumento significativo da capacidade de lotação das áreas de pastagem. Em um piquete de 20 hectares, por exemplo, a lotação pode saltar de cerca de 1,5 a 2 unidades animais para até 8 ou 10 unidades.
“Você aumenta muito a produtividade usando basicamente o mesmo espaço”, afirma Pimenta.
Os resíduos orgânicos deixados pelos animais também ajudam na fertilização do solo, favorecendo a recuperação das áreas de pastagem e reduzindo a necessidade de expansão territorial.
Bem-estar animal e eficiência fortalecem modelo no campo
Além dos ganhos produtivos, produtores destacam o bem-estar animal como um diferencial importante da Terminação Intensiva a Pasto. Diferentemente do confinamento tradicional, os bovinos mantêm maior liberdade de movimentação e podem alternar entre o consumo de pasto e suplemento.
Para Luciano Resende, CEO da Nutripura, a TIP está entre os sistemas pecuários que mais crescem no Brasil devido à combinação entre rentabilidade e sustentabilidade.
“É um sistema que funciona muito bem, especialmente nas águas. Quando se maneja corretamente o pasto e se fornece a quantidade certa de concentrado, há ganhos substanciais em termos de sustentabilidade e rentabilidade”, afirma.
O executivo ressalta que o sucesso do modelo depende diretamente da gestão eficiente da propriedade.
“Não é simplesmente colocar comida à vontade. É preciso estratégia, planejamento e uso eficiente dos insumos”, destaca.
Com a crescente demanda global por carne produzida de forma sustentável e eficiente, a Terminação Intensiva a Pasto avança como uma das principais alternativas para aumentar a competitividade da pecuária brasileira sem ampliar a pressão sobre novas áreas agrícolas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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