Paraná
Rede estadual do Paraná amplia acolhimento a estudantes estrangeiros e fortalece inclusão
Mais de 24 mil estrangeiros estão matriculados na rede estadual de ensino do Paraná. O número engloba estudantes do ensino regular, da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e do Curso de Português para Falantes de Outras Línguas, ofertado pelo Centro de Línguas Estrangeiras Modernas (Celem).
Considerando os estudantes do ensino regular, a maior parte é formada por alunos vindos da Venezuela, com cerca de 12 mil matrículas, seguidos por Haiti e Cuba, com aproximadamente 2 mil alunos cada, e Paraguai, com 1,4 mil. A rede também atende estudantes de países como Argentina, Colômbia, Bolívia, Portugal, Japão, Peru, Espanha e outras nacionalidades, ampliando a diversidade cultural nas escolas paranaenses.
O cenário reforça o compromisso da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) com o acesso, a permanência e a qualidade do ensino. “Todo migrante que vem ao Brasil, em suas diferentes condições, tem direito à escolarização e ao acesso à educação básica. No processo de adaptação em um novo país, o desafio imposto pela língua se destaca”, afirma o secretário estadual da Educação, Roni Miranda.
“Por isso, além do acolhimento aos alunos estrangeiros na rede estadual, o Paraná também oferta cursos de Língua Portuguesa para não falantes da língua, com intuito de facilitar a adaptação e a compreensão”, destaca ele.
ALUNOS IMIGRANTES – No ambiente escolar, alunos estrangeiros encontram condições para se adaptar e projetar o futuro. Entre eles está o venezuelano José Luís Fermin Bellorin, de 16 anos, que cursa o 2º ano do Ensino Médio no Colégio Estadual Paula Gomes, em Curitiba. Ao chegar ao Brasil, ele também encontrou um ambiente receptivo. “O meu primeiro contato com o colégio foi bem tranquilo, eu me senti confortável”, relata.
Segundo José, as dificuldades iniciais foram pontuais, especialmente em relação à pronúncia de algumas palavras em português, superadas com o apoio de professores e colegas. “Minhas dificuldades não foram muitas. Uma delas sempre era a pronúncia das palavras ou frases longas. Nunca tive a necessidade de alguém para fazer a tradução de certas palavras. Eu sempre perguntava para algum professor ou adulto responsável”.
Com o tempo, o estudante percebeu mudanças significativas em sua trajetória. Ele se diz mais questionador, além de destacar os amigos e professores que lhe ensinam muitas coisas todos os dias.
Entre os planos para o futuro, o jovem pretende concluir os estudos e buscar oportunidades de formação. “Meus sonhos e planos, estudando aqui no Brasil, são terminar meus estudos, ganhar uma bolsa e fazer algum curso técnico, na área de Tecnologia ou Gastronomia. São minhas áreas preferidas”.
Outro caso é o do estudante Antônio Duarte, de 17 anos, natural de Angola, que cursa o 3º ano do Ensino Médio integrado ao curso técnico em Administração no Colégio Cívico-Militar (CCM) Bento Munhoz da Rocha Neto, também na Capital.
O jovem chegou ao Brasil há pouco mais de dois anos e relata uma experiência positiva desde o ingresso na rede estadual. “O meu contato com a escola pública do Paraná foi legal, tem sido uma experiência bem bacana. Estou aqui desde o primeiro ano do Ensino Médio e fui bem acolhido. Tenho tido destaque nas aulas, interagido bastante com professores e colegas. Então, digo que já me adaptei”, afirma Antônio.
Antes de vir para o Brasil, ele estudava em uma escola em Angola com características diferentes, o que exigiu um período de adaptação, tanto em relação à rotina quanto às práticas pedagógicas.
Para Roni Miranda, a presença desses estudantes nas escolas paranaenses evidencia o papel da educação pública na promoção de oportunidades e na convivência entre culturas. “Histórias como as de Antônio e José mostram como a escola pública do Paraná está preparada para acolher estudantes de diferentes nacionalidades e trajetórias. Nosso compromisso é garantir que todos tenham acesso a oportunidades de desenvolvimento e um ambiente escolar que valorize a diversidade cultural”.
ACOLHIMENTO – A integração desses estudantes é acompanhada de perto pelas equipes pedagógicas. No Colégio Estadual Paula Gomes, a diretora Rosemary de Souza destaca que o acolhimento começa já no momento da matrícula, com atenção também às famílias. Segundo ela, o acompanhamento faz com que os alunos se sintam bem na escola, e quando há dificuldade com o idioma, tanto os professores quanto os demais estudantes ajudam nesse processo.
Conforme a gestora, o domínio do espanhol facilita o primeiro contato com estudantes estrangeiros e contribui para que se sintam mais seguros no ambiente escolar. Ela também acompanha a adaptação em sala de aula e mantém diálogo constante com alunos e responsáveis.
“Atendo toda a família, dos responsáveis ao aluno, e mostro a escola para eles, falando em espanhol. Eles se sentem acolhidos porque eles estão vendo que uma pessoa entende o idioma. Passo em sala de aula depois para ver como o aluno está, se ele está bem e se está sendo bem acolhido aqui no colégio”, frisou.
A diretora ressalta ainda que a convivência entre estudantes brasileiros e estrangeiros favorece a troca cultural e o aprendizado coletivo. Entre as atividades desenvolvidas, estão ações pedagógicas que valorizam a diversidade, como trabalhos sobre comidas típicas de diferentes países, promovendo integração e compartilhamento de experiências.
INTERCÂMBIO – Além de alunos que migraram para o Paraná em busca de uma nova vida, a Seed-PR também participa de programas de intercâmbio para recepção a estudantes estrangeiros. O Colégio Estadual Júlia Wanderley, de Curitiba, por exemplo, recebe alunos vindos de diversos países, que chegam ao Brasil para aprender português. Atualmente, a escola soma cinco intercambistas, oriundos de Alemanha, Polônia e Turquia.
DIREITO À ESCOLARIZAÇÃO – O acesso pleno à educação em todos os níveis e modalidades de ensino é garantido aos estudantes estrangeiros de acordo com a Deliberação n°09/01 do Plano Estadual de Educação. O aluno migrante que chega ao Paraná sem nenhum documento que comprove sua escolaridade, mas quer estudar, tem três maneiras de ingressar no ensino regular: classificação; matrícula na série compatível com a idade; e revalidação de estudos incompletos.
O primeiro passo é verificar o nível de conhecimento da Língua Portuguesa por meio de uma prova de classificação. Se o estudante não fala suficientemente o português, então é matriculado em série compatível com a sua idade e, junto com a matrícula da escola, pode fazer também o curso Português para Falantes de Outras Línguas (Pfol), oferecido pelo Celem. O curso é aberto à comunidade e pode ser feito por toda a família.
Fonte: Governo PR
Paraná
Alunos de 88 colégios da rede estadual participam do Parlamento Jovem
Estudantes participaram, nesta terça-feira (2), das eleições do projeto Parlamento Jovem em 88 colégios da rede estadual, distribuídos em 64 municípios paranaenses. A iniciativa, desenvolvida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), por meio da Escola Judiciária Eleitoral (EJE-PR), conta com a parceria da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) e proporciona aos alunos vivência prática do processo democrático e do funcionamento das eleições.
Em todo o Paraná, cerca de 26 mil estudantes atuaram como eleitores e 988 concorreram como candidatos-mirins. Para a realização da votação, foram disponibilizadas 238 urnas eletrônicas, entre equipamentos utilizados e de contingência.
Para o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, o projeto contribui para a formação cidadã dos estudantes ao aproximá-los das instituições democráticas. “A participação no Parlamento Jovem é uma oportunidade singular para que os estudantes vivenciem, na prática, o funcionamento do sistema democrático e do Poder Legislativo. Incentivamos fortemente a adesão dos alunos porque iniciativas como essa fortalecem o protagonismo juvenil, ampliam a compreensão sobre o processo eleitoral e contribuem para a formação de cidadãos mais conscientes e participativos”, afirmou o secretário.
Para o chefe da Seção de Educação para a Cidadania Política (SECP) do TRE-PR, Frederico Rafael Martins de Almeida, o projeto representa uma oportunidade de aproximar jovens da Justiça Eleitoral e incentivar a participação cidadã. “Ao conhecer na prática o funcionamento das eleições e do Poder Legislativo, os estudantes desenvolvem competências relacionadas à cidadania, ao diálogo, à ética pública e à participação política responsável”.
CIDADANIA – Segundo ele, o Parlamento Jovem é uma das principais ações de educação para a cidadania política desenvolvidas pelo TRE-PR. “Contribuímos para a formação de novas gerações de eleitores conscientes, participativos e comprometidos com os valores democráticos”, declarou Almeida.
A coordenadora dos Programas Especiais da Seed-PR, Adriana Rigon Wille, destacou que a iniciativa complementa o trabalho desenvolvido pelas escolas na formação cidadã dos estudantes. “É uma experiência muito rica porque os estudantes vivenciam uma eleição de verdade dentro da escola. Eles organizam as chapas, apresentam propostas, fazem campanha e utilizam a urna eletrônica no processo de votação. Tudo isso ajuda a aproximá-los da democracia e torna o aprendizado muito mais significativo”, afirmou.
NOVIDADES – “A edição de 2026 marca uma nova fase do Parlamento Jovem, resultado de um amplo processo de modernização”, destacou Almeida. Entre os avanços implementados recentemente pelo TRE-PR, estão a criação do Regulamento Oficial do Parlamento Jovem e o lançamento de um hotsite que reúne informações sobre todas as etapas do projeto, incluindo cronogramas, materiais pedagógicos, vídeos explicativos, manuais operacionais, modelos de documentos e orientações destinadas às escolas, Cartórios Eleitorais e Câmaras Municipais.
Também foram promovidas capacitações para servidores, professores, equipes pedagógicas e representantes das Câmaras Municipais, além da disponibilização de vídeos, checklists, cartilhas e manuais para consulta permanente. Neste ano, as instituições participantes passaram a formalizar a adesão ao projeto por meio de termos específicos, ampliando a integração entre a Justiça Eleitoral e os parceiros envolvidos.
VEREADORES – O Parlamento Jovem permite aos estudantes vivenciarem todas as etapas de uma eleição, de forma semelhante ao que ocorre nas disputas para cargos políticos. Nos meses que antecederam a votação, os alunos participaram de atividades como registro de candidaturas, campanhas eleitorais, apresentação de propostas e debates, utilizando as mesmas regras e procedimentos adotados pela Justiça Eleitoral.
Os estudantes eleitos serão diplomados e empossados como vereadores-mirins em seus respectivos municípios, passando a desenvolver atividades legislativas ao longo do ano. A proposta busca estimular o protagonismo juvenil e ampliar o conhecimento sobre o funcionamento dos poderes públicos e os mecanismos de participação democrática.
Fonte: Governo PR
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