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Rally da Safra 2026 começa com cenário estável e projeção recorde de 182,2 milhões de toneladas de soja

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Depois de quase dez anos de instabilidades e desafios no início do ciclo produtivo, a safra de soja 2025/26 começa em um cenário inédito de normalidade climática e expansão de área cultivada. A nova edição do Rally da Safra, a maior expedição técnica privada do agronegócio brasileiro, inicia suas atividades em campo com expectativas positivas e potencial de crescimento consistente.

De acordo com dados prévios da Agroconsult, organizadora do Rally, a produção nacional deve atingir 182,2 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 5,9% em relação à safra anterior. A produtividade média está estimada em 62,3 sacas por hectare, acima das 60 sacas da temporada 24/25.

Expansão moderada, mas contínua da área cultivada

A área plantada de soja deve alcançar 48,8 milhões de hectares, um crescimento próximo de 1 milhão de hectares. Embora o ritmo seja inferior à média da última década — de 1,7 milhão de hectares ao ano —, o avanço reflete a resiliência e o otimismo do produtor brasileiro, mesmo em um ambiente econômico desafiador.

Segundo André Debastiani, sócio-diretor da Agroconsult e coordenador do Rally da Safra, o movimento de expansão é sustentado por investimentos estratégicos de longo prazo, valorização das terras agrícolas e pela solidez financeira de produtores que seguem ampliando suas operações.

Entre os destaques regionais, o Mato Grosso lidera a expansão, com acréscimo de 277 mil hectares. Em seguida aparecem Goiás (+159 mil ha) e a região do MAPITO (Maranhão, Piauí e Tocantins), com 108 mil ha adicionais. O único estado com retração é o Rio Grande do Sul, que reduziu 42 mil hectares devido ao retorno de parte das áreas de soja para o milho e às restrições financeiras locais.

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Tecnologia e sustentabilidade garantem produtividade elevada

Mesmo com um ambiente econômico mais apertado, os investimentos em tecnologia e fertilização foram mantidos na maioria dos estados. “Os produtores seguem priorizando boas práticas de manejo e tecnologia agrícola, o que sustenta o potencial produtivo nacional”, explica Debastiani.

Somente o Rio Grande do Sul apresentou redução significativa no uso de tecnologia, enquanto as demais regiões mantêm padrões sólidos de investimento com foco em altas produtividades e eficiência.

Plantio começa com atrasos, mas clima favorece recuperação

O início do plantio da safra 25/26 apresentou atrasos em setembro e outubro, devido à irregularidade das chuvas — cenário semelhante ao observado em 2023/24. Estados como Goiás, Minas Gerais, Maranhão, Piauí e o leste do Mato Grosso enfrentaram demora na regularização do regime de chuvas, mas a melhora climática em novembro permitiu recuperação rápida e consistente.

Enquanto isso, regiões do Oeste do Paraná e Sul do Mato Grosso do Sul registraram avanço acelerado no plantio, com destaque para o plantio mais adiantado da história no Oeste paranaense. No Mato Grosso, o quadro foi misto: o médio-norte e o oeste plantaram dentro do calendário ideal, favorecendo o planejamento da segunda safra.

Produtividade pré-Rally indica safra equilibrada

A estabilização do clima entre novembro e dezembro consolidou o potencial produtivo nas principais regiões. No Rio Grande do Sul, as chuvas de janeiro elevaram a projeção para 52 sacas por hectare, acima da média dos últimos cinco anos. No Paraná, a produtividade deve alcançar 65 sacas, próxima ao recorde de 66 sacas registrado em 2022/23.

No Centro-Oeste, o Mato Grosso deve colher 65 sacas por hectare, ligeiramente abaixo da safra passada. Já o Mato Grosso do Sul deve superar as duas últimas safras com 61,5 sacas, e Goiás projeta 66 sacas, mesmo com o plantio mais tardio.

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Na região Nordeste, a Bahia combina expansão de áreas irrigadas com recuperação das lavouras de sequeiro, mantendo 66 sacas por hectare. No MAPITO, a produtividade média estimada é de 60 sacas, dentro da estabilidade histórica.

No Sudeste, São Paulo projeta 62 sacas por hectare, enquanto Minas Gerais mantém potencial de 66 sacas, apesar do atraso no plantio que pode afetar o calendário do milho.

“As projeções climáticas são positivas para as próximas semanas, e, se esse padrão se mantiver, poderemos ver melhora adicional nos índices de produtividade”, afirma Debastiani.

Rally da Safra 2026 percorrerá 100 mil km em 14 estados

A 23ª edição do Rally da Safra cobrirá mais de 100 mil quilômetros, atravessando 14 estados brasileiros que representam 97% da área de soja e 72% da área de milho do país. As equipes já estão em campo desde 6 de janeiro e seguem até abril de 2026, avaliando o desenvolvimento das lavouras, o manejo e o impacto climático nas principais regiões produtoras.

O projeto conta com o patrocínio de BASF, Credenz®, SoyTech®, xarvio®, OCP Brasil, Banco Santander, Agrivalle, John Deere, Mitsubishi e JDT Seguros.

A primeira equipe iniciou os trabalhos no Oeste do Paraná, enquanto outras seguem percorrendo o Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e demais estados do Centro-Oeste e Sul, ampliando o mapeamento das condições reais das lavouras.

“O Rally permite observar diretamente o campo e gerar informações confiáveis para o setor, ajudando produtores e investidores a compreenderem melhor os cenários de produtividade e riscos climáticos”, conclui Debastiani.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mercado de trigo mantém preços firmes no Brasil em maio apesar da baixa liquidez nas negociações

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O mercado brasileiro de trigo encerrou o mês de maio com ritmo lento de negociações, mas com preços sustentados pela escassez de produto disponível nas principais regiões produtoras do país. A restrição de oferta, especialmente de trigo com padrão de qualidade adequado para moagem, limitou movimentos de baixa e manteve vendedores firmes ao longo do período.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, mesmo diante de compradores mais cautelosos e com dificuldades para repassar custos ao mercado de farinha e farelo, a oferta reduzida continuou sendo o principal fator de sustentação das cotações.

Segundo ele, o mercado permaneceu seletivo, mas sem pressão consistente para recuos nos preços. A disponibilidade limitada de trigo panificável foi determinante para manter o equilíbrio entre oferta e demanda.

Paraná registra valorização de 2% em maio

No Paraná, principal referência da formação de preços do trigo no mercado interno, a média FOB interior fechou maio em R$ 1.430 por tonelada, acumulando valorização de 2% no mês.

Nos últimos dias de maio, as cotações apresentaram estabilidade, refletindo um ambiente mais acomodado, embora ainda sustentado pela baixa disponibilidade de cereal no mercado físico.

No acumulado de 2026, os preços do trigo no estado avançam 22%. Já na comparação com o mesmo período do ano passado, a valorização chega a 2%.

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Apesar da baixa fluidez nos negócios, o mercado paranaense consolidou uma recuperação importante ao longo do ano, apoiado principalmente pela restrição de oferta e pela busca dos moinhos por matéria-prima de melhor qualidade.

Rio Grande do Sul tem alta mais intensa e mercado segue pouco líquido

No Rio Grande do Sul, o movimento de valorização foi ainda mais expressivo durante maio. A média FOB interior subiu 5% no mês, encerrando o período em R$ 1.360 por tonelada.

A firmeza das cotações também foi observada na reta final do mês, com negócios pontuais realizados em patamares mais elevados e maior resistência por parte dos vendedores.

Segundo Bento, o mercado gaúcho continua operando com baixa liquidez, mas o encurtamento da oferta disponível e o escalonamento dos preços conforme os prazos de pagamento reforçaram a sustentação das referências internas.

Em 2026, o trigo gaúcho já acumula valorização de 32%, enquanto o avanço frente ao mesmo período de 2025 é de 5%.

Trigo argentino segue sustentando mercado brasileiro

No cenário internacional, a Argentina — principal fornecedora de trigo ao Brasil e referência importante para a formação da paridade de importação — encerrou maio com preços estáveis em US$ 250 por tonelada.

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Mesmo sem variações no mês, o cereal argentino acumula alta de 11% em 2026 e avanço de 4% na comparação anual.

Para o analista, o comportamento do mercado externo mostra que o custo de reposição via Mercosul continua acima dos níveis observados no início do ano, fator que segue oferecendo sustentação ao mercado brasileiro.

Além disso, a qualidade do trigo argentino permanece como variável estratégica para os moinhos nacionais, especialmente diante da necessidade de abastecimento com cereal panificável de melhor padrão.

Mercado de trigo segue atento à oferta e à qualidade do cereal

Com estoques internos mais ajustados e compradores priorizando lotes de melhor qualidade, o mercado brasileiro de trigo deve continuar operando com viés firme no curto prazo.

A combinação entre oferta restrita, custos elevados de importação e necessidade de trigo de padrão superior para moagem segue limitando pressões baixistas, mesmo em um ambiente de comercialização ainda lenta no país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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