Agro
Dia de Campo em Pinhalzinho destaca a importância das forragens de inverno para a pecuária
Investimento em pastagens de inverno é tema central
O Dia de Campo sobre “Pastagens de Inverno” foi realizado no Parque do Itaipu Rural Show, em Pinhalzinho, reunindo inúmeros produtores rurais. A iniciativa foi organizada pelo Sistema Faesc/Senar, pelo Sindicato Rural de Pinhalzinho e pela Cooperativa Regional Itaipu (Cooperitaipu), com foco em tecnologia, prática e cooperação.
Segundo Grasiane Viêra, supervisora regional do Senar/SC, os dias de campo são parte fundamental da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), um dos pilares do Sistema Faesc/Senar no estado. O evento contou com apoio de supervisores e técnicos de campo, além da colaboração direta da Cooperitaipu.
Forragens de inverno aumentam produção e renda
O supervisor técnico da ATeG, Leandro Simioni, destacou que a iniciativa busca fornecer informações confiáveis e inovadoras aos produtores. “Investir em forragem – seja para pré-secados, pastejo ou silagem – pode gerar mais leite, mais carne e, consequentemente, mais renda”, afirmou.
Durante meses de preparo, 34 cultivares de inverno foram implantadas para demonstrar diferenças, ciclos e combinações ideais que garantem planejamento forrageiro e ausência de vazio alimentar ao longo do ano.
Manejo e adubação influenciam diretamente na qualidade da forragem
O evento contou com palestra do Dr. Daniel Augusto Barreta, que explicou como o manejo correto e a adubação impactam na qualidade das forrageiras e no seu potencial de conversão em leite e carne.
Parcerias fortalecem a produção rural
Para Valdecir Reiter, presidente do Sindicato Rural de Pinhalzinho, a diversidade de forrageiras apresentadas enriqueceu o conhecimento dos produtores. “Esse trabalho conjunto com o Sistema Faesc/Senar e a Cooperitaipu mostra a força das parcerias e resultou em um evento de sucesso, com ampla participação da comunidade rural”, comentou.
O supervisor de pecuária leiteira da Cooperitaipu, Lisandro Buriol, destacou a relevância da iniciativa para o desenvolvimento da atividade leiteira e de corte na região. O presidente da cooperativa, Arno Pandolfo, reforçou que a ATeG oferece um verdadeiro “raio X da propriedade”, fundamental para orientar o produtor, especialmente na cadeia do leite.
O prefeito de Pinhalzinho, Alexandre Beltrame, acrescentou que o encontro complementa os avanços da genética animal com a produção de alimentos mais nutritivos e em maior volume.
ATeG promove gestão e produtividade no campo
A Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) vai além do suporte técnico, oferecendo acompanhamento contínuo que amplia produtividade, eficiência e sustentabilidade nas propriedades rurais. Segundo José Zeferino Pedrozo, presidente do Sistema Faesc/Senar, o programa impulsiona a evolução socioeconômica dos produtores e difunde tecnologias e práticas de gestão alinhadas à produção sustentável de alimentos.
A ATeG atende 11 cadeias produtivas em Santa Catarina, incluindo: agroindústria, apicultura, bovinocultura de corte e leite, fruticultura, maricultura, olericultura, ovinocaprinocultura, piscicultura e turismo rural. A iniciativa é coordenada por Paula Coimbra Nunes e acompanhada de perto pelo superintendente do Senar/SC, Gilmar Antônio Zanluchi.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Plano Safra 2026/2027: crédito rural enfrenta barreiras e exclui até 40% da agricultura familiar
O acesso ao crédito rural no Brasil segue marcado por desigualdades estruturais que devem ganhar protagonismo nas discussões do Plano Safra 2026/2027. Levantamentos recentes indicam que até 40% dos agricultores familiares, especialmente povos indígenas e comunidades tradicionais, enfrentam dificuldades para acessar financiamento por falta de documentação e entraves burocráticos.
Crédito rural não alcança todos os produtores
Embora seja a principal política pública de financiamento do setor, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar ainda apresenta forte concentração regional e produtiva.
Na prática, produtores ligados à sociobioeconomia — como extrativistas, pescadores artesanais e sistemas agroflorestais — encontram mais obstáculos para acessar crédito, sobretudo em regiões remotas do Norte e Nordeste.
Entre os principais entraves estão:
- Exigência de documentação, como o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF)
- Dificuldade de atualização cadastral
- Baixa oferta de assistência técnica qualificada
- Limitações logísticas e acesso restrito a serviços financeiros
Esse cenário acaba excluindo uma parcela significativa de produtores que atuam em sistemas sustentáveis e de baixo impacto ambiental.
Falta de documentação é um dos principais gargalos
O Cadastro da Agricultura Familiar é requisito essencial para acessar linhas como o Pronaf e programas públicos de comercialização.
No entanto, estimativas apontam que cerca de 40% das famílias da sociobioeconomia não possuem o cadastro ativo, o que limita o acesso não apenas ao crédito, mas também a políticas como:
- Programa Nacional de Alimentação Escolar
- Programa de Aquisição de Alimentos
Em regiões mais isoladas, o problema se agrava com a dificuldade de emissão de documentos, falta de internet e distância de agências bancárias.
Recursos seguem concentrados na pecuária
Outro ponto crítico é a concentração dos recursos do crédito rural. Atualmente:
- Cerca de 70% do crédito do Pronaf está nas regiões Sul e Sudeste
- Mais de 85% das operações estão ligadas à pecuária
Na região Norte, por exemplo, 85,4% dos recursos foram destinados à atividade pecuária em 2025, enquanto menos de 8% chegaram às cadeias da sociobioeconomia.
Entre as atividades menos financiadas estão:
- Produção de açaí, cacau e castanha-do-Brasil
- Óleos vegetais
- Pesca artesanal
- Sistemas agroflorestais
Apesar de algum avanço recente, as operações ainda se concentram fortemente em poucas cadeias — como o cacau — impulsionadas por fatores de mercado, como valorização de preços.
Plano Safra será decisivo para reequilibrar o crédito
Especialistas apontam que o Plano Safra 2026/2027 será estratégico para corrigir distorções e ampliar o acesso ao financiamento rural.
Entre as principais medidas esperadas estão:
- Ampliação do crédito para cadeias da sociobioeconomia
- Descentralização da emissão do CAF
- Fortalecimento da assistência técnica no campo
- Criação de mecanismos de garantia para cooperativas
- Incentivos para instituições financeiras ampliarem a oferta de crédito
O objetivo é tornar o crédito mais alinhado à diversidade produtiva do país, promovendo inclusão e desenvolvimento sustentável.
Sociobioeconomia ganha espaço como estratégia de desenvolvimento
A sociobioeconomia tem ganhado destaque como alternativa estratégica para o agronegócio brasileiro, ao combinar geração de renda com conservação ambiental.
Essas cadeias produtivas apresentam alto valor agregado e potencial de expansão, especialmente em regiões com forte presença de biodiversidade.
No entanto, a falta de acesso ao crédito ainda limita o crescimento dessas atividades, reduzindo oportunidades de desenvolvimento local e manutenção dos ecossistemas.
Tecnologia surge como aliada no acesso ao crédito
Iniciativas digitais começam a surgir como solução para reduzir barreiras. Um exemplo é o desenvolvimento de plataformas que auxiliam cooperativas e produtores na organização documental e na elaboração de projetos de financiamento.
Essas ferramentas permitem:
- Facilitar o cadastro para acesso ao crédito
- Organizar documentação exigida
- Conectar produtores a instituições financeiras
A digitalização pode acelerar a inclusão financeira no campo, especialmente em regiões mais isoladas.
Desafio vai além do volume de recursos
Mais do que ampliar o volume de crédito, o principal desafio do Plano Safra está em reestruturar o modelo atual, tornando-o mais acessível, inclusivo e eficiente.
A reorientação do crédito rural é vista como essencial para:
- Fortalecer a agricultura familiar
- Valorizar comunidades tradicionais
- Impulsionar cadeias sustentáveis
- Promover desenvolvimento regional equilibrado
O sucesso dessa agenda pode redefinir o papel do crédito rural como instrumento de transformação econômica e ambiental no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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