Brasil
Programa Manuel Querino qualifica 103 indígenas no Amazonas
No dia 12 de setembro, 103 indígenas de 17 etnias concluíram cursos do Programa Manuel Querino de Qualificação Social e Profissional (PMQ) em Manaus. As formações foram nas áreas de Agente de Fiscalização Ambiental e Assistente Administrativo, realizadas em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
Os cursos fazem parte do Projeto Onda Verde, que tem como objetivo qualificar 1.580 pessoas em oito áreas estratégicas, promovendo inclusão social e profissional, sustentabilidade e valorização da cultura indígena na região.
A diretora do Departamento de Qualificação Social e Profissional do MTE, Cristina Kavalkievicz, ressaltou o compromisso do PMQ com a inclusão de grupos em situação de vulnerabilidade social no mercado de trabalho. O programa prioriza jovens, mulheres, pessoas negras, quilombolas, indígenas, trabalhadoras domésticas, trabalhadores rurais, a comunidade LGBTQIA+, além de internos e egressos do sistema prisional.
“A cada novo projeto pactuado e a cada nova certificação entregue, renovamos nossa convicção de que o PMQ veio para ampliar o acesso ao trabalho, ao emprego e à geração de renda para quem vive do trabalho neste país”, afirmou Cristina.
Os cursos foram planejados para atender às necessidades das comunidades da região metropolitana de Manaus, promovendo sustentabilidade, autonomia e valorização da cultura indígena. “Formamos profissionais com o conhecimento técnico necessário para atuar na fiscalização e preservação ambiental, além de interagir com a sociedade, para que possam realmente fazer a diferença em nosso município”, explicou Walkíria Monteiro, professora do curso de Agente de Fiscalização Ambiental em Iranduba.
O cacique Natalino, um dos formandos, destacou a importância da formação para a proteção da floresta. “O Amazonas, assim como o Brasil, precisa de saúde, e isso começa pela floresta, da qual somos os guardiões.”
Formação continuada, interculturalidade e protagonismo da mulher amazônida na COP30 – 2025 – tem como objetivo promover a qualificação social e profissional de mulheres indígenas, negras, caboclas e LGBTQIA+ em diferentes contextos de vulnerabilidade social no Amazonas. A iniciativa busca reduzir os impactos do preconceito estrutural e das opressões interseccionais, oferecendo oportunidades de geração de renda e empregabilidade, com foco na economia verde e sustentável.
Os cursos oferecidos abrangem as áreas de Agente de Desenvolvimento Socioambiental, Auxiliar de Fiscalização Ambiental, Agente de Gestão de Resíduos Sólidos, Agente de Limpeza e Conservação, Agente de Inclusão Digital em Centros Públicos de Acesso à Internet, Artesã de Artigos Indígenas, Assistente Administrativo e Assistente de Recursos Humanos. As formações foram realizadas nas cidades de Manaus, Careiro Castanho, Iranduba e Itacoatiara.
Programa Manuel Querino de Qualificação Social e Profissional
No final de 2023, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) firmou parceria com 12 universidades e 8 institutos federais, no âmbito do Programa Manuel Querino, para oferecer 36 mil vagas em cursos de qualificação em todo o país. Desde a criação do programa, o PMQ já disponibilizou mais de 182 mil vagas em parceria com estados, municípios, conveniados do Sistema Nacional de Emprego (Sine) e organizações da sociedade civil (OSCs).
Novo edital de seleção
No dia 18 de setembro de 2025, o MTE publicou o Edital de Chamamento Público nº 2/2025, destinado à seleção de projetos de organizações da sociedade civil para oferecer qualificação profissional gratuita a 18 mil pessoas.
Confira o edital aqui.
Brasil
Brasil recebe 75,6 mil pedidos de refúgio em 2025 e ultrapassa 165 mil refugiados reconhecidos
O levantamento mostra que o número de pessoas reconhecidas como refugiadas cresceu 5,9% entre 2024 e 2025. Desde 2010, o País acumulou 551.072 solicitações de reconhecimento da condição de refugiado.
Realizado no Palácio da Justiça, em Brasília (DF), o evento reuniu representantes do Governo Federal, organismos internacionais, academia, sociedade civil e comunidades refugiadas para debater os desafios da proteção internacional e os avanços do Brasil no acolhimento e na integração de pessoas refugiadas.
O relatório também registra uma mudança no perfil dos solicitantes de refúgio. Pela primeira vez, Cuba ultrapassou a Venezuela em número de novos pedidos e respondeu por 55,4% das solicitações registradas em 2025. Os venezuelanos representaram 28,1% do total. O levantamento identificou ainda solicitantes oriundos de 177 países.
Durante a abertura do evento, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, enfatizou a importância histórica da Convenção de 1951 e o compromisso brasileiro com a proteção internacional.
“Essa data não marca apenas a assinatura de um tratado, mas a reafirmação da própria dignidade da pessoa humana diante do desafio do deslocamento forçado. Ao reconhecer a pessoa refugiada como sujeito de direitos, o Estado cumpre uma de suas funções mais elevadas: servir à lei, à justiça e à dignidade humana”, afirmou.
O ministro ressaltou ainda que o Brasil tem consolidado políticas voltadas à proteção e à integração de pessoas refugiadas, citando instrumentos como o reconhecimento da condição de refugiado, os vistos humanitários e o Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário.
“Os relatórios apresentados hoje reforçam a relevância de políticas públicas baseadas em dados e evidências para qualificar a atuação estatal. O Brasil segue sendo reconhecido internacionalmente como um País capaz de proteger, acolher e reconhecer em cada pessoa refugiada uma vida com direitos, capacidades e futuro”, declarou.

- Dia Mundial do Refugiado. Foto: Isaac Amorim/ MJSP
Acolhimento e integração
A secretária nacional de Justiça e presidente do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), Maria Rosa Loula, destacou que a política de refúgio tem papel estratégico para o desenvolvimento social e para a promoção dos direitos humanos.
“O refúgio é um instrumento de transformação da sociedade brasileira e do mundo. O Brasil consegue dar exemplo de um paradigma que reúne segurança, direitos humanos, acolhimento e desenvolvimento social”, enfatizou.
Segundo a secretária, o trabalho desenvolvido pelo Estado brasileiro é resultado da atuação articulada entre Governo Federal, organismos internacionais, academia e sociedade civil. “Trata-se de uma política pública fundamental, construída coletivamente e comprometida com a proteção da dignidade humana”, acrescentou.
Desafios globais
O representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil, Davide Torzilli, destacou que o contexto atual reforça a relevância da Convenção de 1951 e da cooperação internacional para garantir proteção às pessoas deslocadas à força.
Segundo ele, os números globais evidenciam a necessidade de fortalecer os sistemas de proteção. “Mais de 117 milhões de pessoas estão deslocadas à força em todo o mundo. Esses dados lembram que a necessidade de proteção internacional não diminuiu; ela se tornou ainda mais urgente”, observou.
Torzilli também reconheceu o papel desempenhado pelo Brasil no fortalecimento das políticas de acolhimento e integração. “O Acnur agradece ao Brasil por continuar promovendo espaços de diálogo, fortalecendo seu sistema de proteção internacional e buscando soluções que permitam não apenas proteger, mas também integrar pessoas refugiadas, deslocadas e apátridas”, disse.
O relatório Tendências Globais, com dados sobre deslocamento forçado no mundo e nas Américas, também foi apresentado no primeiro painel do evento. Acesse o relatório aqui: https://www.acnur.org/br/noticias/comunicados-imprensa/relatorio-tendencias-globais-2025

- Cantora e refugiada iraniana Mah Mooni compartilha sua trajetória de deslocamento, acolhida e reconstrução de vida no Brasil. Foto: Isaac Amorim/MJSP
Programa é institucionalizado
Durante o evento, o ministro Wellington Lima assinou o ato de institucionalização do Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário. Coordenado pelo MJSP, em articulação com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e outros órgãos do Governo Federal, e implementado em parceria com a sociedade civil, o Acnur e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o programa constitui uma iniciativa inovadora da política brasileira de acolhida humanitária.
Implementado inicialmente como projeto-piloto voltado à população afegã, o programa tem promovido a acolhida, a proteção e a integração de pessoas em situação de vulnerabilidade por meio do engajamento direto de organizações da sociedade civil e comunidades locais. Sua institucionalização representa um passo importante para consolidar a experiência e permitir sua expansão gradual a outros grupos que necessitam de proteção e acolhida humanitária.
Programação
Além da apresentação dos relatórios Refúgio em Números 2026, o encontro contou com um bate-papo com a cantora e refugiada iraniana Mah Mooni, que compartilhou sua trajetória de deslocamento, acolhida e reconstrução de vida no Brasil.
A programação também incluiu um painel dedicado aos 75 anos da Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951, reunindo especialistas, representantes do governo, da academia, da sociedade civil e de organismos internacionais para discutir os desafios atuais da proteção internacional e as perspectivas para o fortalecimento das políticas de refúgio no Brasil.
Também compuseram a mesa de abertura o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; a secretária-executiva adjunta do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Isadora Lacava; a secretária de Comunidades Brasileiras no Exterior e Assuntos Consulares do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Márcia Loureiro; o subprocurador-geral da República, André de Carvalho Ramos; e o representante do Acnur no Brasil, Davide Torzilli.
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