Brasil
Proconve completa 40 anos com avanços para a melhoria do ar nas cidades brasileiras
O secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Adalberto Maluf, participou, na última quinta-feira (12/3), da comemoração dos 40 anos do Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve), em Brasília (DF).
O evento celebrou a trajetória do programa, com a apresentação dos avanços alcançados e a discussão de perspectivas para o futuro da iniciativa no país. A cerimônia reuniu representantes do governo, da sociedade civil e especialistas da área.
Criado pela Resolução Conama nº 18, de 6 de maio de 1986, o programa tem como objetivo reduzir a emissão de poluentes gerados por veículos automotores e melhorar a qualidade do ar, especialmente nos grandes centros urbanos.
Na sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o secretário destacou as contribuições do Proconve para a redução da poluição veicular e a melhoria da qualidade de vida da população. “O Proconve foi responsável por reduzir em mais de 95% a emissão de poluentes por veículos, desde a implementação de suas primeiras fases, há quatro décadas, tanto para veículos leves quanto pesados”, afirmou.
“A qualidade do ar é um direito básico de todos, e sabemos cada vez mais da relação entre qualidade do ar, clima e política econômica e social. Quanto mais as emissões são controladas, maior é a inovação, o desenvolvimento de novas tecnologias, o aumento de investimentos, a geração de empregos e o adensamento da cadeia produtiva. São políticas altamente complementares”, completou Adalberto Maluf.
Criado em 1986, o Proconve transformou a indústria automotiva brasileira, contribuiu para a modernização dos combustíveis e elevou o padrão ambiental nas grandes cidades.
Com sua implementação, o Brasil tornou-se o primeiro país da América Latina a adotar esse tipo de regulamentação, passando a limitar, de forma gradual, a emissão de poluentes prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana, como monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio, hidrocarbonetos, álcoois, aldeídos, fuligem e material particulado, ao longo dos anos.
Segundo a diretora de Qualidade Ambiental do Ibama, Rosângela Muniz, esses avanços são exemplos do sucesso do programa. “É o que buscamos enquanto política pública ambiental: resultados concretos para o meio ambiente e também para a qualidade de vida das pessoas”, destacou.
Resultados
Antes da criação do programa, o nível de emissão de monóxido de carbono por quilômetro rodado chegava a 54 g/km. Considerando que um veículo percorre, em média, cerca de 13 mil quilômetros por ano, aproximadamente 702 kg do poluente eram emitidos anualmente por cada um dos 13 milhões de veículos automotores registrados no país em 1985.
Atualmente, o nível de emissão está em cerca de 0,4 g/km, o que representa uma redução superior a 98% em relação ao início da implementação do programa. Considerando o mesmo cálculo, os atuais 129 milhões de veículos em circulação emitem cerca de 92% menos poluentes do que há cerca de 40 anos.
Essas reduções impactaram diretamente a qualidade de vida e a saúde da população, contribuindo para a diminuição de mortes associadas a doenças pulmonares e para a redução da incidência de enfermidades respiratórias.
Hoje, o país conta com 570 estações de monitoramento da qualidade do ar em todo o território nacional, um aumento de 44% em relação a 2022. “Se há 40 anos o Proconve nasceu como resposta a um problema ambiental emergente, hoje se consolida como uma política estratégica para a saúde pública, a inovação e o desenvolvimento sustentável”, afirmou a diretora do Departamento de Qualidade Ambiental da SQA/MMA, Thaiane Fábio.
Emissões do transporte rodoviário
Na ocasião, também foi apresentado o Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários. O documento, publicado pelo MMA em parceria com o Ministério dos Transportes, consolida uma série histórica de 45 anos (1980–2024).
A publicação é um dos instrumentos previstos na Política Nacional de Qualidade do Ar (PNQA), instituída pela Lei nº 14.850/2024, que estabelece diretrizes, objetivos e mecanismos para a gestão da qualidade do ar em todo o território nacional. Saiba mais aqui https://www.gov.br/mma/pt-br/noticias/mma-e-ministerio-dos-transportes-divulgam-inventario-nacional-de-emissoes-do-transporte-rodoviario-com-serie-historica-de-45-anos
Também participaram do evento o professor do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Paulo Saldiva, e os cofundadores do programa, Paulo Macedo e Márcio Veloso.
(Com informações da Assessoria de Comunicação do Ibama)
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Brasil
Nova tecnologia reduz ruído e emissões em embarcações de pesca brasileiras
Uma nova tecnologia está sendo testada em embarcações de pesca para reduzir ruídos e emissões durante as operações. A iniciativa é desenvolvida pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e busca contribuir para a transição energética da atividade pesqueira nas regiões Sul e Sudeste do país. Em Torres (RS), representantes das instituições acompanharam uma das etapas do projeto, que prevê a adoção de tecnologias de energia limpa em embarcações utilizadas na pesca de emalhe e de arrasto.
A iniciativa utiliza motores de guincho movidos a energia elétrica e busca avaliar, na prática, os benefícios da tecnologia para os pescadores, entre eles a redução de emissões e do nível de ruído durante as operações. O projeto também considera as características das embarcações e a realidade socioeconômica das comunidades pesqueiras, com o objetivo de desenvolver soluções que possam ser incorporadas ao cotidiano dos trabalhadores.
Durante a atividade na cidade gaúcha, foram apresentados os principais resultados alcançados e as perspectivas para as próximas etapas. Um dos avanços foi a instalação de um novo equipamento na embarcação do pescador Benjamin Alves, que participou dos testes da tecnologia.
Para o professor Federico Sucunza, um dos coordenadores do projeto, a experiência demonstra a importância da integração entre o conhecimento científico e os saberes dos pescadores para o desenvolvimento de tecnologias que atendam às necessidades reais da pesca artesanal. “Foi um desafio muito grande conseguir trazer essa tecnologia e instalar nas embarcações de pesca artesanal. Os benefícios são muitos, como a redução do ruído e das emissões, além de todo o impacto positivo que isso pode ter para o pescador”, destacou.
Segundo Federico, a participação dos pescadores no desenvolvimento e na avaliação da tecnologia foi fundamental para aprimorar a solução. “É o conhecimento do pescador que vai garantir que essa tecnologia desenvolvida na universidade seja aplicada durante o trabalho”, afirmou. O professor também ressaltou a importância da parceria entre universidade, comunidades pesqueiras e poder público. “Essa colaboração entre universidade, pesca e comunidade, junto com o apoio do Ministério da Pesca, foi fundamental”, disse.
A instalação do novo motor representa ainda um avanço na busca por melhores condições de trabalho a bordo. Entre os benefícios observados está a redução do ruído durante a operação, um aspecto destacado pelo pescador Benjamin, primeiro profissional a receber o equipamento no âmbito do projeto. Além da redução de ruídos e emissões, a iniciativa busca avaliar a viabilidade da tecnologia e sua adaptação às diferentes condições da pesca. A experiência realizada em Torres poderá contribuir para o aprimoramento dos equipamentos e para futuras ações de transição energética no setor.
A ação está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e aos compromissos assumidos pelo Brasil relacionados às mudanças climáticas. A parceria entre o MPA e a UFJF busca contribuir para o desenvolvimento de soluções tecnológicas que promovam uma atividade pesqueira mais sustentável, reduzindo emissões e impactos ambientais sem desconsiderar as condições de trabalho e a realidade das comunidades que dependem da pesca.
ASCOM
Ministério da Pesca e Aquicultura
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