Brasil
Pescado é destaque na feira Brasil na Mesa
O pescado brasileiro faz sucesso dentro e fora do país. Desta vez, foi um dos grandes destaques da feira Brasil na Mesa, realizada entre os dias 23 e 25 de abril, na sede da Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF). Marisqueiras, pesquisadores e produtores apresentaram seus produtos e encantaram os visitantes, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O evento, promovido pela Embrapa em comemoração aos 53 anos da instituição, reuniu inovações, tecnologias e alimentos típicos do Brasil. Foi uma oportunidade para a troca de conhecimentos, experiências e sabores que representam a cultura e o cotidiano dos brasileiros.
A programação contou com palestras, workshops, debates e degustações. Os visitantes puderam experimentar produtos elaborados com ingredientes tipicamente nacionais, como castanhas, frutas, grãos e, claro, o pescado.
A seguir, conheça três projetos apresentados na feira que se destacam nas mesas brasileiras e têm grande potencial para impulsionar a produção e a geração de renda.
Trilha das Marisqueiras
Um dos projetos apresentados foi a Trilha das Marisqueiras, de Sirinhaém (PE). A iniciativa de turismo sustentável de base comunitária valoriza o trabalho das marisqueiras e apresenta os frutos do mar aos turistas. Durante a experiência, os visitantes podem conhecer o dia a dia das pescadoras e experimentar os mariscos capturados no passeio.
O projeto é coordenado pela Associação das Marisqueiras do Sul de Sirinhaém. A presidente da entidade, Viviane Wanderley, explicou que a trilha é composta por quatro estações, cada uma dedicada a uma espécie: maracuru, sururu, marisquinho e ostra.
Segundo Viviane, o projeto foi fundamental para a valorização da atividade e dos mariscos. “Eu via que era um trabalho que não era reconhecido. Então começamos a desenvolver a trilha e a divulgar. Com o apoio da Embrapa e de outros parceiros, conseguimos fazer o projeto crescer”, explicou.
Durante a feira, as marisqueiras ofereceram degustação de caldo de mariscos aos visitantes. O presidente Lula passou pelo espaço e se encantou com a iguaria e com a história das trabalhadoras.
Aproveitamento de resíduos do pescado
O Biomaré também foi apresentado durante a feira. A iniciativa tem como objetivo reaproveitar resíduos do pescado, como a casca do camarão. A idealizadora do projeto, a engenheira de pesca Toya Yoshikawa, explicou que cerca de 70% do pescado não é utilizado na alimentação.
“Esses resíduos são fontes importantes de proteínas, enzimas e minerais, e tudo isso estava indo para o lixo. A Biomaré surge nesse cenário com a missão de coletar esses resíduos e transformá-los em alimentos, gerando uma nova fonte de renda para as comunidades pesqueiras”, afirmou.
Toya destaca que o projeto é essencial para agregar valor ao pescado e ampliar a renda dos pescadores. Para isso, conta com parceiros como o MPA e a Universidade Federal do Maranhão no desenvolvimento de pesquisas e produtos. “Por meio dos projetos que o MPA financiou e apoiou, conseguimos mapear comunidades pesqueiras e aproximar a startup desse público que fornece a matéria-prima”, ressaltou.
Pirarucu defumado
Nas degustações, a Embrapa também apresentou o lombo de pirarucu defumado, cujo preparo foi aprimorado em pesquisa desenvolvida pela instituição. O processo inclui salga, marinada e defumação da carne em temperatura entre 50 e 70 graus, por até três horas e meia, com lenha de goiabeira. A técnica contribui para preservar a cor, o brilho e o sabor do peixe.
Para o consumidor, trata-se de uma forma diferenciada de consumo, que oferece mais versatilidade no preparo. Para o produtor, a técnica representa maior valor agregado ao pescado e pode ser aplicada até mesmo por pequenos pescadores e produtores.
Brasil
Ministério da Saúde realiza etapa Nordeste do Hackathon SUS e seleciona startups para desafio nacional em oncologia
A busca por soluções inovadoras que possam reforçar o enfrentamento ao câncer no Sistema Único de Saúde (SUS) reuniu representantes de startups durante a etapa Nordeste do Hackathon SUS – Desafio Tecnológico. O evento foi realizado em Recife (PE), nos dias 10 e 11 de setembro, sob a coordenação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE), do Ministério da Saúde.
Durante o evento o secretário-adjunto da SCTIE, Eduardo Jorge Valadares Oliveira, destacou que o desenvolvimento de tecnologias deve considerar as necessidades de pacientes, dos profissionais e dos serviços de saúde. Segundo ele, uma solução só tem utilidade quando pode ser aplicada às realidades regionais, levando em conta estrutura, logística, materiais e treinamento.
“O Hackathon estimula empreendedores e ideias locais a construírem um ambiente adequado para propor novas soluções e estruturar uma rede sólida de inovação tecnológica em saúde”, ressaltou Eduardo Jorge.
Ao longo da programação, as equipes participaram de visita técnica ao Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC/UFPE) e passaram por atividades de mentoria, palestras e treinamento personalizado que aconteceram no Parque Tecnológico e Científico da UFPE, um ambiente de inovação criado para conectar a pesquisa acadêmica ao mercado.
Tecnologia regional no fortalecimento do SUS
A Região Nordeste selecionou três startups para a etapa nacional. Os empreendedores apresentaram diferentes caminhos para lidar com desafios relacionados ao câncer, desde a identificação da doença até ao atendimento e ao acompanhamento dos pacientes. As propostas incluem dispositivos para diagnóstico, ferramentas de apoio à decisão clínica e soluções voltadas a procedimentos cirúrgicos.
Em ordem alfabética, a startup “Aratus Life Sciences” desenvolveu um dispositivo portátil e não invasivo para fazer uma triagem rápida de possíveis casos de anemia e neutropenia, uma emergência quando o paciente tem poucos glóbulos brancos de defesa e apresenta febre. Com uma câmera microscópica, o equipamento analisa os vasos sanguíneos da unha e, em cerca de um minuto, indica possíveis alterações que precisam ser confirmadas por exames, como o hemograma.
“A ideia é disponibilizar o dispositivo não apenas em centros oncológicos, mas também em unidades mais próximas dos pacientes para identificar rapidamente a situação e iniciar o tratamento”, explicou um dos fundadores da empresa João Marcelo.
Eleonidas Moura Lima, representante da “Bioensaios & Diagnósticos Laboratórios Clínicos Ltda”, desenvolveu um teste molecular que identifica 14 subtipos do HPV e verifica a integração ao material genético das células infectadas dos tipos 16, 18 e 31, considerados de relevância para acompanhamento clínico. Feito a partir de uma coleta semelhante à do Papanicolau, o exame pode ajudar a diferenciar infecções e complementar a avaliação médica em casos relacionados a tumores associados ao vírus, como os de colo do útero, pênis, garganta e ânus.
“O grande diferencial da tecnologia é que ela não identifica apenas o subtipo do HPV. Ela também informa qual é a condição do genoma viral na célula infectada. Essa informação faz toda a diferença porque permite indicar se a infecção é persistente ou não”, afirmou.
A startup “eLight Ltda”, liderada pelo cirurgião coloproctologista e professor Thales Paulo Batista desenvolveu um dispositivo portátil e sem fio que produz imagens de fluorescência, que permite visualizar estruturas não identificadas a olho nu. O mecanismo foca no auxílio em cirurgias e exames. Conectada a um aplicativo, a tecnologia pode apoiar a avaliação da circulação dos tecidos, a identificação de tumores e a localização do linfonodo sentinela, primeiro gânglio linfático que recebe a drenagem da região do tumor.
“Esse procedimento pode reduzir a retirada de gânglios e as complicações em cirurgias oncológicas. O paciente consegue ter um tratamento mais preciso e com menos morbidade”, explicou.
Etapa Nacional
O diretor do Departamento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde da SCTIE/MS, Igor Bueno, lembrou que as seleções regionais estão terminando. A próxima etapa será no Sul, nos dias 06 e 07 de outubro, em Curitiba. Com isso, até 15 equipes serão classificadas para a fase nacional, prevista para início de dezembro.
Igor Bueno ressaltou que o Hackathon oferece capacitação e oportunidades de desenvolvimento às startups participantes. Segundo ele, a iniciativa aproxima as empresas dos desafios dos hospitais e do SUS, além de reduzir a distância entre a produção acadêmica e as necessidades cotidianas dos serviços de saúde. “A combinação entre a demanda do sistema e o apoio às startups pode contribuir para a criação de políticas públicas ainda mais eficientes”, afirmou.
O Hackathon SUS – Desafio Tecnológico conta com uma rede de parceiros, incluindo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), HU Brasil e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Janine Russczyk
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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