Brasil
Paraíba realiza etapa estadual da II Conferência Nacional do Trabalho
A Paraíba sediou, nesta quinta-feira (30), a etapa estadual da II Conferência Nacional do Trabalho (II CNT). O evento foi realizado no Centro de Cultura, Arte e Esporte do Sesc, em João Pessoa, reunindo representantes de trabalhadores, empregadores e do governo para discutir os desafios do mundo do trabalho e propor ações voltadas à promoção do trabalho decente.
Ao final dos debates, foram aprovadas 15 propostas relacionadas aos eixos temáticos das transformações do mundo do trabalho diante das transições tecnológica, digital, ambiental e demográfica, e às políticas públicas para a promoção do emprego, do trabalho decente e da transição justa. As propostas serão encaminhadas à etapa nacional da II CNT, prevista para março de 2026, em São Paulo.
A II CNT é um espaço tripartite, paritário e democrático, coordenado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com o objetivo de construir coletivamente diretrizes e políticas voltadas à valorização do trabalho e à promoção de um desenvolvimento socialmente justo e sustentável.
A cerimônia de abertura contou com a presença do secretário-executivo do MTE, Chico Macena, que representou o ministro Luiz Marinho. Também participaram autoridades locais e representantes das três esferas do diálogo social. Segundo Macena, com as etapas estaduais realizadas em todo o país, a II Conferência Nacional do Trabalho reafirma o compromisso do MTE com a escuta democrática e o diálogo tripartite como instrumentos fundamentais para o avanço do trabalho decente e da justiça social no Brasil.
O superintendente regional do Trabalho na Paraíba, Paulo Lima, destacou a importância do encontro como espaço de fortalecimento da participação social e da construção conjunta de políticas públicas. “A Conferência é uma oportunidade de fortalecer o diálogo social e propor políticas que tornem o mercado de trabalho paraibano mais inclusivo, produtivo e seguro. O diagnóstico mostra que o estado está avançando, mas ainda há desafios importantes a superar”, afirmou.
A abertura da etapa estadual na Paraíba também contou com representantes das esferas trabalhista, sindical e institucional. Participaram ainda a presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região, desembargadora Herminegilda Leite; o superintendente regional do Trabalho na Paraíba, Paulo Marcelo de Lima; o diretor da Fecomércio-PB, Guilherme Marconi; o presidente da CUT-PB, Sebastião José; e o oficial de Cooperação Sul-Sul da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Natanael Lopes.
Brasil
Por que é tão importante registrar e mapear a biodiversidade brasileira? A ciência explica
A biodiversidade brasileira é riquíssima. O Brasil é líder em número de espécies de anfíbios e peixes de água doce, por exemplo, e está no top 5 quando se trata de outros vertebrados, como aves, mamíferos e répteis. Com tamanha variedade e importância mundial, mapear os exemplares é fundamental para o monitoramento científico.
A pesquisadora do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) Thais Condez explica que o monitoramento facilita a identificação de padrões de migração, de reprodução e de ocupação dos habitats; e gera informações para pesquisadores, como dados sobre polinização, essenciais para a produção de frutos. Além disso, esse tipo de conhecimento tem impacto na saúde humana, visto que a perda de habitats naturais e a redução da diversidade biológica podem aumentar o contato das pessoas com animais silvestres, favorecendo a transmissão de vírus e bactérias.
Os registros de espécies são uma parte fundamental da pesquisa e podem ser feitos pelo próprio pesquisador. Fotografias, gravação de sons, registros de pegadas, identificação de fezes e coleta de material, tanto de animais quanto de plantas, são artifícios que podem ajudar. Em alguns casos, porém, as espécies são catalogadas e mapeadas de formas diferentes. Os equipamentos utilizados para registrar peixes, por exemplo, são distintos daqueles utilizados para anfíbios.
O pesquisador do Instituto de Pesquisa do Pantanal (INPP), unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Leonardo Moreira explica que algumas espécies, por serem migratórias, são de difícil detecção. “Em muitos casos, os pesquisadores enfrentam dificuldades em dizer se determinada espécie passou ou permanece na região”, diz. Essas informações são fundamentais para a criação de estratégias de conservação que considerem não apenas um território específico, mas toda a rota utilizada pelos animais.
A participação da comunidade também está presente nesse tipo de pesquisa. A chamada ciência cidadã, ou ciência comunitária, ocorre quando a população pode auxiliar de algumas formas na identificação de espécies migratórias. Segundo pesquisa do Instituto Brasilieiro de Geografia e Estatística (IBGE), a participação da população passou a ter um papel central na fornecendo registro, respondendo por 49,83% das ocorrências disponíveis. Pequenos registros, como fotos, ajudam a identificar a passagem de animais. “A imagem é uma informação super importante, que mostra que determinada espécie ocorre naquela área, ou que, pelo menos, passa por ali em determinada época do ano”, explica.
O levantamento tem como base os dados do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), que ajuda na junção dessas informações, como um nó, conectando dados nacionais e internacionais. Isso permite que pesquisadores de diferentes países utilizem esses dados em estudos de escala regional e global.
De acordo com o estudo do IBGE, em 2025, os maiores volumes absolutos de espécies catalogadas no Brasil concentram-se nos grupos de aves (19.011.519 registros), plantas (11.157.476) e artrópodes (3.694.793). Já os maiores incrementos em relação a 2022 foram observados em fungos, com aumento de 176,6%, seguidos por mamíferos (155%) e peixes (139,9%).
Entre outros meios de mapeamento estão os satélites, como o Amazônia-1B que ajuda órgãos de monitoramento ambiental a orientar ações de fiscalização, planejamento e resposta a eventos extremos. Estudar a movimentação na área juntamente com pesquisadores que fazem esses registros de espécies torna possível entender em quais áreas determinadas espécies estão ameaçadas.
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