Agro
Nova resolução da Susep moderniza regras para seguro agrícola no Brasil
A Superintendência de Seguros Privados (Susep) publicou a Resolução nº 55/2025, que define condições contratuais referenciais para planos de seguro rural com subvenção do prêmio. A medida, que entrou em vigor em setembro, contempla inicialmente as culturas de soja, milho e trigo, que concentram a maior demanda por proteção no campo, segundo informações da Acrisure.
Objetivo é acelerar análise e concessão de subvenções
A nova norma faz parte do Plano de Regulação da Susep 2023/2024 e tem como foco acelerar a análise e aprovação de produtos, reduzindo prazos para a liberação de recursos no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
- Entre os principais impactos esperados estão:
- Mais clareza contratual;
- Agilidade e previsibilidade nos processos;
- Maior segurança jurídica para os agricultores.
Para pequenos e médios produtores, que dependem da subvenção para viabilizar o seguro, a simplificação promete acesso mais rápido ao benefício.
Alinhamento regulatório fortalece o setor
A Resolução nº 55 é o primeiro ato publicado em conformidade com a Lei nº 15.040/2024, que moderniza o marco regulatório do seguro rural no país.
Essa atualização deve reduzir custos regulatórios, ampliar a confiança entre produtores e seguradoras e aumentar a competitividade do setor.
Seguro rural ganha ainda mais relevância diante de eventos climáticos
Com a maior frequência de eventos climáticos extremos, o seguro rural se consolida como ferramenta de estabilidade financeira no campo.
Criado em 2003, o PSR já subsidia parte do valor do prêmio contratado e, com as novas regras, deve estimular ainda mais a adesão de produtores.
Para o agronegócio brasileiro, a padronização dos contratos representa um avanço estratégico, tornando o seguro mais acessível, transparente e capaz de sustentar a resiliência da produção agrícola nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Dependência de fertilizantes importados expõe agro brasileiro a riscos geopolíticos e acelera debate sobre transição verde
A instabilidade geopolítica em regiões estratégicas para a produção de insumos agrícolas voltou a acender um alerta no agronegócio brasileiro: a forte dependência de fertilizantes importados. Conflitos recentes no Oriente Médio, somados aos impactos ainda sentidos da guerra entre Rússia e Ucrânia, afetam diretamente a oferta global desses produtos e pressionam os custos de produção no campo.
Atualmente, o Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que consome, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Esse percentual tem aumentado nos últimos anos, ampliando a exposição do país a riscos externos.
Brasil lidera importações globais de fertilizantes e amplia vulnerabilidade
Em 2025, o Oriente Médio respondeu por 16% dos fertilizantes nitrogenados importados pelo Brasil. Considerando também países em regiões sensíveis, como Rússia e Venezuela, esse volume chega a 32% das importações nacionais.
O Brasil é hoje o maior importador mundial de fertilizantes, com crescimento médio de 3,8% ao ano entre 2014 e 2023, enquanto a média global foi de 0,8%, segundo dados da International Fertilizer Association (IFA).
Para especialistas, a baixa produção doméstica torna o país especialmente vulnerável. Além disso, a demanda segue em expansão impulsionada pela conversão de pastagens degradadas em áreas agrícolas, pela expansão dos sistemas integrados e pelo avanço da segunda safra.
Plano Nacional de Fertilizantes busca reduzir dependência até 2050
Diante desse cenário, o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), lançado em 2022, ganha relevância estratégica. O programa estabelece como meta reduzir a dependência externa para cerca de 50% até 2050.
Entre as diretrizes estão:
- Incentivo à produção nacional de fertilizantes
- Modernização da indústria do setor
- Melhorias na infraestrutura logística
- Estímulo à inovação tecnológica
Apesar das metas, o avanço do plano enfrenta desafios importantes, como o alto custo do gás natural, gargalos logísticos e a necessidade de maior coordenação entre órgãos públicos e privados.
Fertilizantes verdes surgem como alternativa para reduzir emissões
Os fertilizantes verdes são apontados como uma alternativa estratégica para o setor, tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental. Produzidos a partir de hidrogênio verde — obtido por eletrólise da água com energia renovável —, esses insumos podem reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa associadas à agricultura.
Segundo especialistas, além de diminuir a pegada de carbono, essa tecnologia pode aumentar a segurança no abastecimento ao reduzir a dependência de importações.
Tecnologia ainda enfrenta barreiras de custo e escala
Apesar do potencial, a escalabilidade dos fertilizantes verdes ainda enfrenta desafios relevantes. O principal deles é o custo de produção, que pode ser até oito vezes superior ao dos fertilizantes convencionais, baseados em combustíveis fósseis.
A viabilização dessa tecnologia depende de políticas públicas de incentivo, contratos de longo prazo e mecanismos como o mercado de carbono.
Uso eficiente de fertilizantes pode reduzir emissões no campo
Além da substituição tecnológica, especialistas destacam que o uso mais eficiente dos fertilizantes no campo também é fundamental. O manejo adequado pode reduzir desperdícios e emissões de óxido nitroso (N₂O), um gás com potencial de aquecimento global 265 vezes superior ao CO₂.
No Brasil, esse gás representa cerca de 6% das emissões provenientes do setor agrícola.
Transição verde é vista como estratégica para o futuro do agro
Para especialistas do setor, a agenda de fertilizantes deve ser tratada como estratégica para o país. O Brasil possui matriz energética majoritariamente renovável e condições favoráveis para se tornar produtor global desses insumos.
No entanto, esse avanço depende de coordenação entre setores, investimentos consistentes e planejamento de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade externa e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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