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Brasil

Na Colômbia, países megadiversos defendem financiamento para proteção da biodiversidade

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Representantes de mais de 190 países reúnem-se desde segunda-feira (21/10) em Cali, na Colômbia, para a 16ª Conferência das Partes (COP16) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB, na sigla em inglês). O encontro de 11 dias é o principal fórum para a cooperação internacional pela conservação e o uso sustentável da biodiversidade.

Um dos principais objetivos da COP16 é a regulamentação de partes do Marco Global de Kunming-Montreal, documento que definiu em 23 metas para 2030 e 4 objetivos de longo prazo para 2050. Entre outros objetivos, a acordo firmado em 2022, na COP15, busca reverter a perda de biodiversidade e promover o seu uso sustentável e a restauração ecológica. 

O embaixador André Corrêa do Lago, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, discursou na plenária de abertura em nome dos 20 países megadiversos, que representam 70% da biodiversidade do mundo:

“O Marco Global de Kunming-Montreal nos forneceu um roteiro para deter e reverter a perda de biodiversidade. O principal objetivo da COP16 é avançar em sua implementação. Como países megadiversos, estamos na linha de frente dos esforços para colocar a natureza no caminho da recuperação“, disse o embaixador, que reforçou a necessidade de mecanismos para financiar, monitorar e revisar o cumprimento das metas.

Corrrêa do Lago defendeu que o financiamento para a proteção da biodiversidade vá para onde a biodiversidade está: de países desenvolvidos para países tropicais e em uma reforma do sistema financeiro internacional e debates para a criação de um mecanismo financeiro inclusivo e inovador para a biodiversidade.

Ao todo, o Fundo do Marco Global para a Biodiversidade recebeu até o momento menos de US$ 200 milhões, doados por seis países. A meta acordada em 2022 era de US$ 200 bilhões anuais. 

“Em termos de escala, velocidade e previsibilidade, [doações privadas e filantropia] não substituem a responsabilidade legal dos países desenvolvidos”, disse o embaixador.

O marco global também busca garantir a repartição justa e equitativa dos benefícios gerados pelo uso de recursos genéticos e da correspondente informação de sequência digital, assim como dos conhecimentos tradicionais associados dos povos indígenas e comunidades tradicionais.

A COP15 determinou a criação de um mecanismo para o compartilhamento de benefícios, financeiros ou não, do uso de recursos genéricos com os países detentores do organismo gerador da sequência. Um grupo de trabalho negocia o desenvolvimento deste instrumento multilateral para garantir a repartição adequada. 

Os países megadiversos destacam ainda a necessidade de garantir os direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais e o reconhecimento efetivo de seu papel na conservação da biodiversidade.

A delegação brasileira nas negociações da COP16 é formada pelos Ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima; das Relações Exteriores; da Agricultura e Pecuária; da Ciência Tecnologia e Inovações; e da Saúde

Espaço Brasil

O governo brasileiro tem ainda um espaço próprio na COP da Biodiversidade, cujo primeiro dia foi focado em debates relacionados a povos indígenas e comunidades tradicionais e seu papel no combate à crise climática e na preservação da biodiversidade. Os participantes destacaram a necessidade de financiamento e políticas públicas robustas para a conservação dos ecossistemas, entre outros pontos. 

A Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) foi apresentada como exemplo na gestão compartilhada de territórios e na promoção do uso sustentável da biodiversidade. Representantes do ICMBio e da Funai reforçaram o papel da cooperação entre órgãos governamentais e povos indígenas para a manutenção do equilíbrio ambiental e a importância das políticas de demarcação de terras indígenas para a conservação da biodiversidade e a manutenção do equilíbrio climático.

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A Rede Cerrado realizou painel sobre o potencial de produtos como a castanha de baru e o óleo de pequi para fortalecer a economia sustentável, gerando renda e combatendo o desmatamento. Além de promover a conservação, a sociobioeconomia empodera mulheres e jovens dessas comunidades, gerando independência financeira e fortalecendo a continuidade dos saberes tradicionais.

Com o tema Espécies Ameaçadas e Ameaças à Biodiversidade, o segundo dia começou começou com apresentação da plataforma do Inventário Florestal Nacional pelo Serviço Florestal Brasileiro. A iniciativa coleta dados florestais e socioambientais no país por meio de amostras, características morfológicas e entrevistas com as comunidades para entender a relação com a biodiversidade. O IFN já inventariou 63% do território nacional, com 18 mil espécies identificadas, incluindo 13 novas espécies. 

Já o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) apresentou plataforma com foco em polinização, ecossistemas e ciência de dados, em associação direta com a Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (REBIPP). Os dados indicam que 94% das plantas tropicais polinizadas são dependentes de polinização por animais, enquanto de 70% a 75% das plantas cultivadas globalmente dependem também do processo de polinização.

O segundo painel foi dedicado a mecanismos para proteger a sociobiodiversidade no corredor da onça-pintada. Foram apresentadas iniciativas nacionais e internacionais para a conservação da espécie e de seu habitat e sua resiliência à mudança do clima.

À tarde, o JBRJ promoveu debates com os Jardins Botânicos de Medellín e do Kew Royal Botanic Garden de Londres sobre as experiências de jardins botânicos no mundo e caminhos para cooperação e troca de experiências em pesquisas. Houve ainda painel organizado pelo Fundo Casa Socioambiental para discutir o financiamento de iniciativas envolvendo povos e comunidades tradicionais para a proteção da natureza. 

Clima e biodiversidade

O terceiro dia do Espaço Brasil teve o evento “Conectando Agendas: Rumo à Integração das Convenções de Clima e Biodiversidade”, que discutiu as relações entre as crises climática e da biodiversidade. Os palestrantes destacaram que a maior integração entre os temas fortalecerá os esforços de proteção ambiental e defenderam colaborações intersetoriais que incluam governo, sociedade civil e comunidades locais. 

Já no painel “Promovendo ações climáticas baseadas no oceano em NBSAPs e NDCs: desafios e oportunidades para a América Latina”, representantes do Chile, Colômbia e Brasil compartilharam iniciativas para integrar as agendas sobre a conservação do oceano nos debates de clima e biodiversidade. Os palestrantes ressaltaram o papel do oceano como regulador climático e apresentaram propostas para o alcance das metas de biodiversidade e clima. 

A programação também abordou a educação ambiental como uma ferramenta para a construção de uma sociedade sustentável. O painel “Clima e Biodiversidade: Estratégia Internacional para Educação Ambiental” trouxe um panorama das iniciativas de educação ambiental no Brasil e uma discussão de possíveis propostas para inserção da educação ambiental em fóruns internacionais.

Houve ainda debate sobre a resposta a “emergências em biodiversidade” no contexto do Marco Global de Biodiversidade Kunming-Montreal. A sessão discutiu o impacto da crise climática no agravamento dos desafios de biodiversidade, e especialistas de Brasil, Colômbia e África do Sul sugeriram o desenvolvimento de uma força-tarefa de governança e financiamento em biodiversidade, com foco nas necessidades subnacionais. 

Áreas protegidas e conservadas

O quarto dia de debates teve como tema “Áreas Protegidas e Conservadas”. No primeiro painel, representantes do MMA destacaram o panorama das Unidades de Conservação e Terras Indígenas no Brasil, ressaltando seu papel na preservação da biodiversidade. Na palestra “Trilhas de Longa Distância: O Papel da Reestruturação da Infraestrutura como Ferramenta de Conectividade”, a conectividade das paisagens foi apontada como um foco central da estratégia do Brasil. 

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Um dos destaques da apresentação foi a Rede de Trilhas do Brasil, um exemplo de sinergia entre os três níveis de governo e o setor privado e solução eficaz na promoção da conectividade entre áreas protegidas. 

Outro painel tratou do avanço dos diálogos Sul-Sul sobre Outros Mecanismos Espaciais Eficazes de Conservação (OMECs) como caminho para atingir a Meta 3 do marco global, que busca proteger 30% das áreas terrestres e marinhas até 2030. O evento reuniu representantes de governos, organizações intergovernamentais e ONGs de regiões biodiversas como a América do Sul e a África Central, em busca de soluções conjuntas para a conservação.

O objetivo do diálogo foi criar uma plataforma de intercâmbio de experiências, onde os países pudessem compartilhar avanços e lições aprendidas na implementação dos OMECs, além de discutir os desafios enfrentados, especialmente em ecossistemas aquáticos continentais e marinhos. Temas como governança, gestão, monitoramento e financiamento de OMECs foram destaques na pauta.

O debate “Do Ponto de Chegada da Biologia da Conservação: coração, corredores e carnívoros à coexistência”, organizado pela Fundação Pró-Natureza (Funatura), tratou da biologia da conservação e do papel dos corredores ecológicos e das espécies de topo de cadeia, como os felinos desempenham nesta conservação.

A discussão abordou formas de expandir a criação de corredores para os felinos, que possuem um papel regulador de equilíbrio ecológico essencial. Ressaltou também a integração entre governos, organizações e academia para a conexão de novas áreas e corredores, assim como a necessidade de fortalecimento do Código Florestal e das reservas legais. 

O último painel do dia, “Oportunidades de Formação e Preservação de Corredores Socioecológicos Brasileiros: como os setores público e privado têm se articulado”, apresentou casos do Governo do Estado de São Paulo, da WayCarbon e do Programa Conexão Jaguar da ISA CETEEP e suas empresas, para ilustrar como as estratégias que integram a ação climática através da criação de corredores de conectividade podem apoiar a proteção da biodiversidade e mitigação da mudança do clima na região.

No quinto dia, os debates no pavilhão tiveram como tema central “Finanças da Biodiversidade”. O primeiro painel foi realizado pela Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente, em que representantes de governos estaduais discutiram mecanismos de incentivo à biodiversidade. Houve apresentação de iniciativas para a conservação da biodiversidade e a preservação de aquíferos, especialmente no Cerrado.

Outro evento, organizado pela Confederação Nacional da Indústria, discutiu sistemas de inovação financeira e ferramentas para a implementação do plano da biodiversidade. Os panelistas apresentaram projetos de restauração, preservação, uso sustentável e créditos da biodiversidade, por exemplo. 

O Espaço Brasil também recebeu um painel sobre o papel das instituições financeiras na mobilização de recursos para o cumprimento das metas da CDB. Em seguida, o último debate do dia tratou de como engajar executivos e empresas para promover o uso mais sustentável da biodiversidade, modificando suas estratégias de negócios e transformando sanções em projetos para ampliar unidades de conservação, por exemplo. 

O Espaço Brasil é transmitido ao vivo pelo canal do MMA no Youtube. A programação está disponível no hotsite da COP16.

Assessoria de Comunicação do MMA
[email protected]
(61) 2028-1227/1051

Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Ministro Luiz Marinho visita Museu Hip-Hop e destaca qualificação profissional no setor cultural em Porto Alegre (RS)

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O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, visitou, neste sábado (27), o Museu da Cultura Hip-Hop do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (RS), onde conheceu o trabalho desenvolvido pela instituição, que oferece cursos de formação em gestão cultural com ênfase no movimento hip hop. As capacitações qualificam jovens trabalhadores gaúchos em áreas como captação de recursos, prestação de contas, elaboração e apresentação de projetos, além de estratégias de comunicação e marketing.

O ministro foi recebido pelo rapper e fundador do Museu da Cultura Hip-Hop do Rio Grande do Sul, Rafa Rafuagi, que, juntamente com os instrutores da escola, apresentou as ações desenvolvidas pelo espaço, que já formou duas turmas desde o ano passado.

“Começamos aqui em um terreno baldio e, a partir desse espaço, construímos nossa estrutura. Por meio do programa de qualificação profissional, estamos repassando nosso conhecimento aos jovens que se interessam pelo movimento hip hop”, afirmou Rafael, que atua na disseminação da cultura por meio da iniciativa.

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Os cursos foram iniciados em 2024, por meio de um Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e o Senac Nacional, com apoio da Associação da Cultura Hip-Hop (ACHE) e do Museu da Cultura Hip-Hop do Rio Grande do Sul.

As formações são gratuitas e contam com o apoio da Gerência de Cultura do Sesc gaúcho e do Museu da Cultura Hip-Hop do Rio Grande do Sul. A primeira turma, direcionada aos integrantes do movimento hip-hop, teve como objetivo formar multiplicadores para disseminar o conhecimento em suas comunidades.

“A iniciativa fortalece não apenas o movimento hip hop, mas também diversos setores culturais, oferecendo oportunidades de empreendedorismo por meio das políticas de qualificação e das iniciativas solidárias”, destacou o ministro, que percorreu a história do movimento ao conhecer os diferentes espaços do museu.

Inclusão produtiva

O Acordo de Cooperação Técnica promove a inclusão produtiva e o empreendedorismo, aliados aos princípios da economia popular e solidária, como autogestão, cooperação, solidariedade, igualdade, sustentabilidade e valorização do trabalho humano.

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Durante a visita, o ministro esteve acompanhado do superintendente Regional do Trabalho e Emprego do Rio Grande do Sul, Claudir Nespolo, que ressaltou a importância de investir no segmento.

“São cursos gratuitos voltados à atuação em eventos e produção cultural, ampliando as oportunidades de geração de renda e inserção produtiva”, explicou o superintendente.

A iniciativa prevê a oferta de até 3.800 vagas para o curso de Produção Cultural, por meio do Programa Manuel Querino de Qualificação Profissional do MTE.

Luiz Marinho destacou a importância da iniciativa para o setor cultural. “A oferta dos cursos amplia as oportunidades de inclusão produtiva na área cultural”, ressaltou o Luiz Marinho ao conversar com instrutores e jovens participantes da formação.

Para o fundador do Museu da Cultura Hip-Hop do Rio Grande do Sul, Rafa Rafuagi, “a falta de conhecimento técnico, muitas vezes, limita o acesso do setor a benefícios e parcerias oferecidas à área cultural”.

Confira os cursos gratuitos da Trilha Formativa em Gestão Cultural e inscreva-se: https://trilha.sc.senac.br/mte

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

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