Brasil
Mobilidade sustentável ganha R$ 120 milhões em apoio a projetos inovadores
Tecnologias ainda em fase de desenvolvimento, como veículos mais eficientes, sistemas inteligentes de transporte e soluções para reduzir emissões, passam a contar com apoio para avançarem no País por meio do novo edital de mobilidade sustentável do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A chamada destina R$ 120 milhões em recursos não reembolsáveis para projetos no setor de transporte, com foco em levar inovações do ambiente de pesquisa para aplicações concretas.
As propostas podem ser enviadas até 31 de agosto de 2026. A iniciativa integra a segunda rodada do programa Mais Inovação Brasil e compõe um conjunto de 13 editais que somam R$ 3,3 bilhões, alinhados à política industrial Nova Indústria Brasil.
A seleção prioriza iniciativas com grau de incerteza no desenvolvimento, típicas de projetos de inovação. O apoio ocorre por meio de subvenção econômica, que não exige devolução dos recursos, mas requer contrapartida das empresas. Os projetos podem ser apresentados em duas modalidades: arranjo simples, com valores de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões, e arranjo em rede, de R$ 5 milhões a R$ 20 milhões.
O edital também estabelece reserva mínima de recursos para propostas executadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, buscando ampliar a distribuição dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação no País.

- Chamada pública apoia projetos com risco tecnológico para transporte mais eficiente e sustentável
Participação, inscrição e seleção
Podem concorrer empresas brasileiras com fins lucrativos, de forma individual ou em parceria, com participação obrigatória de instituições científicas, tecnológicas e de inovação (ICTs). É necessário comprovar atividade operacional recente e compatibilidade entre o projeto e o objeto social.
A submissão deve ser feita exclusivamente pelas plataformas digitais da Finep, em duas etapas: cadastro da empresa e envio da proposta completa, com informações técnicas e financeiras, cronograma, documentação societária e um vídeo de até 10 minutos sobre a inovação.
A seleção ocorre em duas fases: habilitação, de caráter eliminatório, que verifica requisitos formais e capacidade financeira; e análise de mérito, que avalia o grau de inovação, a relevância, o risco tecnológico e a qualificação da equipe.
Para ser aprovada, a proposta deve atingir a pontuação mínima estabelecida no edital. A contrapartida financeira varia conforme o porte da empresa e o modelo de projeto. No arranjo simples, os percentuais são de 5% para microempresas e EPP; 10% para pequenas; 30% para médias I; 40% para médias II; e 50% para grandes empresas. Já no arranjo em rede, a exigência é reduzida, com 5% para micro e pequenas empresas; 15% para médias I; 20% para médias II; e 25% para grandes empresas.
Brasil
Com novas regras, pessoas com mais de 70 anos poderão continuar a doar sangue
Doadores regulares poderão continuar doando sangue mesmo após completar 70 anos. Com o novo regulamento técnico da hemoterapia no Brasil, deixa de existir uma idade máxima para quem já tem o hábito de doar, desde que a pessoa permaneça saudável, seja considerada apta na avaliação clínica realizada pelo serviço de hemoterapia e respeite os intervalos e a frequência definidos para essa faixa etária.
Antes, mesmo quem doava regularmente precisava interromper as doações ao completar 70 anos. A mudança acompanha o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população brasileira, reconhecendo que pessoas idosas saudáveis podem continuar contribuindo para o atendimento de pacientes que precisam de transfusão.
O secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Sales, ressaltou que as novas regras permitem que mais pessoas doem sangue e reforçam a segurança de quem doa e de quem recebe a transfusão. “Incentivamos a população brasileira a procurar os serviços de hemoterapia, com a certeza de que será acolhida com todo o cuidado e a segurança necessários e de que cada doação será utilizada de forma responsável e cientificamente adequada para ajudar a salvar vidas em todo o país”, afirmou.
As novas regras foram estabelecidas pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026, publicada em 3 de julho, e entram em vigor em outubro, 90 dias após a publicação. O novo regulamento atualiza os critérios de aptidão para doadores voluntários, reforça a segurança das transfusões e a rastreabilidade do sangue e orienta os serviços de hemoterapia de acordo com os avanços laboratoriais e o cenário epidemiológico atual. As mudanças buscam proteger tanto quem doa quanto os pacientes que recebem transfusões.
Redução dos prazos de espera
O regulamento reduz o tempo de espera para que pessoas temporariamente impedidas possam voltar a doar. Para quem passou por endoscopia ou utilizou anabolizantes sem prescrição médica, por exemplo, o prazo cai de seis para quatro meses.
No caso de tatuagem, maquiagem definitiva e procedimentos estéticos, como aplicação de botox, preenchimento e microagulhamento, a doação poderá ser realizada após sete dias, desde que realizado em local que cumpram as normas de segurança. Quando essa avaliação não for possível, o prazo será de quatro meses. Para piercing na boca ou na região genital, a doação poderá ser feita quatro meses após a retirada.
Mais segurança para as transfusões
O Brasil se tornou o primeiro país do mundo a implantar de forma obrigatória o teste de malária em 100% dos exames de triagem. O NAT Plus, desenvolvido por Bio-Manguinhos/Fiocruz, já é utilizado para identificar HIV e hepatites B e C e passa a detectar também o parasita causador da malária.
Com a inclusão do novo teste, o período de impedimento para pessoas que se deslocaram para municípios de áreas endêmicas ou tiveram exposição em regiões de mata, bosque ou floresta passa a ser de 30 dias. Antes, o prazo poderia chegar a 12 meses.
Outra novidade é a adoção do padrão internacional ISBT 128 para identificação de bolsas e amostras. A padronização reforça a rastreabilidade em todas as etapas, desde a coleta até a transfusão ou o encaminhamento do plasma para a produção de medicamentos, reduzindo o risco de erros de identificação.
Melhor aproveitamento das plaquetas
O prazo de validade do concentrado de plaquetas poderá passar de cinco para até sete dias, quando adotadas as medidas de controle de qualidade exigidas. A mudança contribui para reduzir perdas e aumentar a disponibilidade desse hemocomponente, utilizado principalmente no atendimento a pessoas com câncer, pacientes submetidos à quimioterapia, pessoas com doenças hematológicas e outras condições que exigem transfusões frequentes.
Doação no Brasil
Mais do que formar estoques, a doação regular mantém o abastecimento da rede ao longo de todo o ano. Como os hemocomponentes têm diferentes prazos de validade e a demanda é contínua, os serviços de saúde precisam receber novas doações diariamente para evitar períodos de baixa e assegurar que o sangue esteja disponível quando necessário.
Em 2025, o SUS registrou 3.264.138 coletas de sangue, com uma taxa de 15,29 doações por mil habitantes, a maior desde o período da pandemia. Os dados mostram a recuperação gradual das doações, após a redução registrada em 2020.
Para doar, é necessário estar em boas condições de saúde, pesar pelo menos 50 quilos, estar descansado e alimentado e apresentar documento oficial com foto, que também poderá ser apresentado em formato digital. Adolescentes a partir de 16 anos podem se candidatar, desde que tenham autorização do responsável.
Os interessados devem procurar o hemocentro mais próximo para consultar os horários de atendimento e passar pela triagem, etapa em que são avaliadas as condições de saúde e a aptidão para a doação.
Bruna Queiroz
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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