Brasil
MMA realiza terceira oficina virtual do PlaNAU
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) realizou, na última terça-feira (26/8), a terceira e última oficina virtual de construção participativa do Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU). Durante o webinar, foram apresentadas e debatidas propostas sobre o aumento em quantidade e qualidade da arborização urbana, além do balanço do processo participativo até aqui os e próximos passos.
Participaram o diretor do diretor do Departamento de Meio Ambiente Urbano da por meio da Secretaria Nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental (SQA) do MMA, Maurício Guerra; a coordenadora-geral do Departamento de Meio Ambiente Urbana da SQA/MMA, Jennifer Viezzer; o secretário-executivo adjunto do Iclei América do Sul e diretor do Iclei Brasil, Rodrigo Corradi; a coordenadora técnica do Iclaei Brasil, Lea Gejer; e o botânico e paisagista, diretor da Cardim Arquitetura Paisagística, Ricardo Cardim.
O debate envolvendo representantes de estados, municípios e a sociedade civil retratam a proposta do PlaNAU, segundo o diretor Maurício Guerra. “Esse plano vem para auxiliar no contexto os municípios a ampliar políticas e instrumentos que possam preparar para enfrentar a sua realidade”, destacou.
Ricardo Cardim chamou a atenção para a pouca visibilidade dada aos riscos ambientais devido à carência de planos específicos para a arborização nos municípios. Ele criticou o que chama de “pandemia das árvores anãs”, que são visadas por muitos legisladores com a ilusória tentativa de resolver o problema da falta de arborização.
Jennifer Viezzer pontuou a poluição do ar, da água, sonora e visual como condições que agravam a saúde humana e dependem de uma política voltada para a arborização principalmente das áreas urbanas. “As árvores são estratégias inteligentes para enfrentar esses desafios. Geram saúde e condições para sermos mais resilientes e termos mais saúde”.
Maurício Guerra falou dos próximos passos do programa que envolvem a consulta pública a ser realizada entre os dias 10 e 30 de setembro. “São muitos desafios a serem desvendados, mas essa é a nossa função, é a de não há como não obter neutralidade climática se não houver um clima verde urbanizado. Quero chamar a todos que participem desse processo”, finalizou.
PlaNAU
O PlaNAU tem o objetivo de expandir a arborização nas áreas urbanas para promover a biodiversidade, os serviços ecossistêmicos, o enfrentamento à emergência climática e a qualidade de vida da população. Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o plano será apresentado nas ações vinculadas à Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que ocorrerá em novembro em Belém, no Pará.
Entre os meses de junho e julho, foram realizados cinco encontros regionais em Campinas (SP), Manaus (AM), Curitiba (PR), Campo Grande (MS) e Recife (PE) com agentes públicos locais, pesquisadores, profissionais da área ambiental e representantes das organizações da sociedade civil e de estados e municípios a fim de debater o aumento da cobertura vegetal nas cidades. “Para nós foi uma satisfação muito grande circular entre as regiões do país e compreender os dilemas e necessidades que vão a fundo da situação das cidades”, destacou o diretor Maurício Guerra.
Nos cinco encontros regionais, houve um total de 651 participantes de aproximadamente 150 municípios, de todos os estados e do Distrito Federal. Já no formulário para envio de contribuições online, foram registrados 463 envios, de cerca de 250 municípios e de todas as unidades da federação. A maioria das sugestões partiu do serviço público municipal.
A gestão de áreas verdes e a arborização urbana é um dos eixos temáticos do programa Cidades Verdes Resilientes. Instituído pelo Decreto 12.041, de 5 de junho de 2024, a iniciativa tem o objetivo de aumentar a qualidade ambiental e a resiliência das cidades brasileiras frente aos impactos causados pela mudança do clima.
Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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Brasil
Brasil recebe 75,6 mil pedidos de refúgio em 2025 e ultrapassa 165 mil refugiados reconhecidos
O levantamento mostra que o número de pessoas reconhecidas como refugiadas cresceu 5,9% entre 2024 e 2025. Desde 2010, o País acumulou 551.072 solicitações de reconhecimento da condição de refugiado.
Realizado no Palácio da Justiça, em Brasília (DF), o evento reuniu representantes do Governo Federal, organismos internacionais, academia, sociedade civil e comunidades refugiadas para debater os desafios da proteção internacional e os avanços do Brasil no acolhimento e na integração de pessoas refugiadas.
O relatório também registra uma mudança no perfil dos solicitantes de refúgio. Pela primeira vez, Cuba ultrapassou a Venezuela em número de novos pedidos e respondeu por 55,4% das solicitações registradas em 2025. Os venezuelanos representaram 28,1% do total. O levantamento identificou ainda solicitantes oriundos de 177 países.
Durante a abertura do evento, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, enfatizou a importância histórica da Convenção de 1951 e o compromisso brasileiro com a proteção internacional.
“Essa data não marca apenas a assinatura de um tratado, mas a reafirmação da própria dignidade da pessoa humana diante do desafio do deslocamento forçado. Ao reconhecer a pessoa refugiada como sujeito de direitos, o Estado cumpre uma de suas funções mais elevadas: servir à lei, à justiça e à dignidade humana”, afirmou.
O ministro ressaltou ainda que o Brasil tem consolidado políticas voltadas à proteção e à integração de pessoas refugiadas, citando instrumentos como o reconhecimento da condição de refugiado, os vistos humanitários e o Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário.
“Os relatórios apresentados hoje reforçam a relevância de políticas públicas baseadas em dados e evidências para qualificar a atuação estatal. O Brasil segue sendo reconhecido internacionalmente como um País capaz de proteger, acolher e reconhecer em cada pessoa refugiada uma vida com direitos, capacidades e futuro”, declarou.

- Dia Mundial do Refugiado. Foto: Isaac Amorim/ MJSP
Acolhimento e integração
A secretária nacional de Justiça e presidente do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), Maria Rosa Loula, destacou que a política de refúgio tem papel estratégico para o desenvolvimento social e para a promoção dos direitos humanos.
“O refúgio é um instrumento de transformação da sociedade brasileira e do mundo. O Brasil consegue dar exemplo de um paradigma que reúne segurança, direitos humanos, acolhimento e desenvolvimento social”, enfatizou.
Segundo a secretária, o trabalho desenvolvido pelo Estado brasileiro é resultado da atuação articulada entre Governo Federal, organismos internacionais, academia e sociedade civil. “Trata-se de uma política pública fundamental, construída coletivamente e comprometida com a proteção da dignidade humana”, acrescentou.
Desafios globais
O representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil, Davide Torzilli, destacou que o contexto atual reforça a relevância da Convenção de 1951 e da cooperação internacional para garantir proteção às pessoas deslocadas à força.
Segundo ele, os números globais evidenciam a necessidade de fortalecer os sistemas de proteção. “Mais de 117 milhões de pessoas estão deslocadas à força em todo o mundo. Esses dados lembram que a necessidade de proteção internacional não diminuiu; ela se tornou ainda mais urgente”, observou.
Torzilli também reconheceu o papel desempenhado pelo Brasil no fortalecimento das políticas de acolhimento e integração. “O Acnur agradece ao Brasil por continuar promovendo espaços de diálogo, fortalecendo seu sistema de proteção internacional e buscando soluções que permitam não apenas proteger, mas também integrar pessoas refugiadas, deslocadas e apátridas”, disse.
O relatório Tendências Globais, com dados sobre deslocamento forçado no mundo e nas Américas, também foi apresentado no primeiro painel do evento. Acesse o relatório aqui: https://www.acnur.org/br/noticias/comunicados-imprensa/relatorio-tendencias-globais-2025

- Cantora e refugiada iraniana Mah Mooni compartilha sua trajetória de deslocamento, acolhida e reconstrução de vida no Brasil. Foto: Isaac Amorim/MJSP
Programa é institucionalizado
Durante o evento, o ministro Wellington Lima assinou o ato de institucionalização do Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário. Coordenado pelo MJSP, em articulação com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e outros órgãos do Governo Federal, e implementado em parceria com a sociedade civil, o Acnur e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o programa constitui uma iniciativa inovadora da política brasileira de acolhida humanitária.
Implementado inicialmente como projeto-piloto voltado à população afegã, o programa tem promovido a acolhida, a proteção e a integração de pessoas em situação de vulnerabilidade por meio do engajamento direto de organizações da sociedade civil e comunidades locais. Sua institucionalização representa um passo importante para consolidar a experiência e permitir sua expansão gradual a outros grupos que necessitam de proteção e acolhida humanitária.
Programação
Além da apresentação dos relatórios Refúgio em Números 2026, o encontro contou com um bate-papo com a cantora e refugiada iraniana Mah Mooni, que compartilhou sua trajetória de deslocamento, acolhida e reconstrução de vida no Brasil.
A programação também incluiu um painel dedicado aos 75 anos da Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951, reunindo especialistas, representantes do governo, da academia, da sociedade civil e de organismos internacionais para discutir os desafios atuais da proteção internacional e as perspectivas para o fortalecimento das políticas de refúgio no Brasil.
Também compuseram a mesa de abertura o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; a secretária-executiva adjunta do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Isadora Lacava; a secretária de Comunidades Brasileiras no Exterior e Assuntos Consulares do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Márcia Loureiro; o subprocurador-geral da República, André de Carvalho Ramos; e o representante do Acnur no Brasil, Davide Torzilli.
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