Brasil
MJSP publica portaria que obriga plataformas de transporte e delivery a detalhar composição de preços ao consumidor
Brasília, 25/3/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), publicou, na terça-feira (24), a Portaria nº 61/2026. O documento estabelece diretrizes de transparência para plataformas digitais de intermediação de serviços de transporte individual de passageiros e de coleta e entrega de bens, incluindo refeições. A medida garante que o consumidor saiba com exatidão como o preço final de cada serviço é distribuído entre os diferentes atores da operação.
A regulamentação fundamenta-se nas prerrogativas do Código de Defesa do Consumidor (CDC) e atende a uma demanda crescente da sociedade por maior clareza nas relações de consumo mediadas por algoritmos. Com a consolidação dos aplicativos de mobilidade e delivery na rotina da população, o MJSP identificou a necessidade de mitigar a assimetria de informações, assegurando que o usuário compreenda a lógica financeira por trás de cada transação em ambiente digital.
“O princípio da transparência é fundamental e inegociável no mercado de consumo moderno. O cidadão tem o direito de saber para onde vai o seu dinheiro e como a precificação é formada em tempo real. Isso permite escolhas mais conscientes, seguras e promove concorrência leal e equilibrada no setor”, ressaltou o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita.
Transparência na palma da mão e proteção ao prestador
Segundo a Portaria nº 61, as plataformas deverão implementar um quadro-resumo acessível, de fácil compreensão e visualização imediata. O informativo deve ser apresentado de forma clara e ostensiva para cada transação, contendo obrigatoriamente:
• Preço total: Valor integral pago pelo destinatário final do serviço;
• Parcela do Provedor: Valor bruto retido pela plataforma digital (taxa de intermediação);
• Parcela do Prestador: Montante repassado ao motorista ou entregador, com discriminação obrigatória de gorjetas e adicionais;
• Parcela do Remetente: Valor destinado ao detentor original do bem (como restaurantes, lanchonetes ou lojas), nos casos de entrega de produtos.
A medida representa um avanço para a valorização dos profissionais que atuam com aplicativos. Ao detalhar o repasse aos prestadores, o MJSP fomenta maior visibilidade sobre a remuneração real de motoristas e entregadores, combate a opacidade nos algoritmos de pagamento e fortalece a confiança no ecossistema digital.
Prazos e penalidades
As empresas do setor terão 30 dias, a partir de 24 de março, para adequar suas interfaces e sistemas ao disposto na Portaria.
O descumprimento das regras será considerado infração às normas de defesa do consumidor. As plataformas que não se adequarem estarão sujeitas às sanções administrativas previstas no Artigo 56 do CDC, que incluem multas pecuniárias e suspensão temporária das atividades, sem prejuízo de eventuais responsabilidades civis e penais.
Modernização das relações de consumo
A iniciativa reflete o esforço contínuo do MJSP em atualizar a proteção ao consumidor frente aos desafios da economia de plataforma.
Na prática, a opacidade da composição e da destinação de preços limita a capacidade de escolha, já que dois serviços podem apresentar o mesmo valor total, com estruturas de distribuição distintas. Enquanto uma plataforma retém parcela mais elevada a título de remuneração, outra pode destinar maior proporção ao entregador ou motorista. Sem essa informação, o consumidor não dispõe de elementos suficientes para comparar alternativas.
Além disso, a falta de transparência dificulta a identificação de práticas potencialmente abusivas, pois a apresentação do valor global, sem decomposição, reduz a visibilidade de elevações desproporcionais de taxas de intermediação ou de reduções na parcela destinada ao prestador ou ao estabelecimento. A explicitação da parcela destinada ao prestador, incluindo gorjetas, contribui para a clareza das relações econômicas subjacentes ao modelo de intermediação digital.
Brasil
Tecnologias tradicionais auxiliam conservação da biodiversidade em áreas metropolitanas
Tecnologias de produção de bens e manejo de territórios desenvolvidas por comunidades tradicionais ganharam destaque nos primeiros eventos presenciais da Estratégia e Plano de Ação para a Biodiversidade (Epab). Os encontros ocorreram em março e em abril na Região Integrada de Desenvolvimento (Ride) da Grande Teresina e na Região Metropolitana de Florianópolis.
Um dos destaques dos eventos foi a geração de renda com a venda de azeite, sabão e carvão utilizando tecnologias alinhadas ao tempo de regeneração da floresta das quebradeiras de coco babaçu em Timon (MA), que faz parte da Ride da Grande Teresina.
Aliado às geotecnologias modernas, o povo Guarani da Terra Indígena Morro dos Cavalos, em Palhoça (SC), regenera o território junto a iniciativas de Recuperação de Áreas Degradadas (RAD) nos limites da região, fazendo crescer, por exemplo, o número de árvores de palmito-juçara, nativo da Mata Atlântica e em risco de extinção.
As oficinas da Epab integram o Projeto CITinova II, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que apoia regiões metropolitanas no planejamento integrado da biodiversidade, de maneira a alinhar a conservação ambiental, desenvolvimento socioeconômico e bem-estar da população.
“Incluir a conservação da biodiversidade no planejamento urbano é um passo importante para tornar nossas cidades mais saudáveis e resilientes. Ao conduzir processos como a Epab, o CITInova II contribui para que a sustentabilidade seja incorporada como elemento central do desenvolvimento urbano, com benefícios diretos para o clima, tanto em termos sociais quanto econômicos”, disse o diretor do Departamento para o Clima e Sustentabilidade do MCTI e diretor nacional do Projeto CITinova II, Osvaldo Moraes.
O processo participativo de diagnóstico usado pelo projeto vai conectar políticas públicas, ciência, saberes tradicionais e gestão territorial. Participaram dos encontros representantes de comunidades quilombolas e indígenas e extrativistas da pesca artesanal, além de universidades, organizações da sociedade civil e órgãos públicos.
Durante as oficinas também foram identificadas iniciativas de artesanato indígena, pesca artesanal, meliponicultura, turismo de base comunitária, turismo de natureza, agricultura familiar, horticultura agroecológica e agroindústria de produtos como mandioca, pequi e caju. Essas informações serão incluídas nos diagnósticos que servirão de base para a elaboração coletiva da Epab.
“A estratégia vai revelar os desafios e as oportunidades para toda a região implementar políticas públicas ainda mais assertivas pensando na conservação da nossa biodiversidade, com benefícios para o clima e a saúde humana”, afirmou o coordenador da Agenda Teresina 2030, da Prefeitura de Teresina, e ponto focal do Projeto CITinova II no município, Leonardo Madeira.
Após a elaboração de documentos de subsídio e reuniões de temáticas de trabalho, serão promovidos encontros de cocriação da Epab e uma consulta pública. O resultado será a disponibilização a gestores públicos, academia e sociedade civil, de um documento com objetivos, metas, ações e prazos consolidados para apoiar as Regiões Metropolitanas na condução de ações e políticas de conservação da biodiversidade.
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