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Agro

Mato Grosso registra recorde histórico no abate de fêmeas e impulsiona alta do bezerro em 2025

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Mato Grosso mantém liderança nacional com 7,46 milhões de abates

Mato Grosso encerrou 2025 na liderança nacional de abate de bovinos, totalizando 7,46 milhões de cabeças enviadas às indústrias frigoríficas. O destaque ficou para o avanço expressivo no abate de fêmeas, que atingiu 3,61 milhões de animais, alta de 4,3% em relação a 2024.

Embora os machos ainda representem a maioria — 3,84 milhões de cabeças — o aumento da participação de fêmeas indica uma mudança estratégica no perfil produtivo do estado, de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Segundo Rodrigo Silva, coordenador de Inteligência de Mercado do Imea, essa transformação reflete dois movimentos distintos:

“Tivemos o descarte de matrizes mais velhas e, recentemente, um aumento expressivo no abate de fêmeas jovens voltadas aos mercados de cortes premium e exportação”, explicou.

Abate de novilhas jovens ganha força e antecipa ciclo produtivo

O relatório do Imea destaca que o descarte de matrizes adultas vem perdendo espaço, enquanto o abate de novilhas jovens se consolida como tendência. Em 2025, o número de bovinos abatidos com menos de 24 meses chegou a 3,23 milhões de cabeças, representando 43% do total — o maior índice já registrado na série histórica.

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Essa antecipação do ciclo produtivo está ligada à maior oferta de animais confinados e à melhora das margens de rentabilidade, tornando a terminação precoce uma alternativa mais atrativa para o pecuarista.

Menos fêmeas para cria e alta expressiva no preço do bezerro

A redução no número de fêmeas destinadas à reprodução gerou efeitos diretos sobre o mercado de reposição. Com menor oferta de matrizes, o rebanho de bezerros caiu 2,09% em 2025, enquanto o preço do bezerro de 7 arrobas subiu 38,7% no mesmo período.

Segundo Rodrigo Silva, o movimento criou um desequilíbrio entre oferta e demanda:

“Com menos fêmeas disponíveis para cria, o preço do bezerro começou a subir, e o mercado de reposição ficou travado”, alertou.

Essa conjuntura tem levado produtores a um dilema: abater precocemente suas novilhas para aproveitar o bom momento do mercado ou preservar matrizes para recompor o rebanho nos próximos ciclos.

Perspectiva para 2026: menor oferta e valorização do boi gordo

Mesmo com uma leve retração na participação de fêmeas nos últimos meses de 2025, o acumulado do ano consolidou um novo padrão produtivo em Mato Grosso. Durante boa parte do período, as fêmeas chegaram a representar mais de 50% dos abates mensais, de acordo com dados do Imea.

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A instituição prevê uma queda no volume total de abates em 2026, resultado direto do alto descarte de fêmeas ocorrido entre 2023 e 2025.

“A conta começa a chegar. Abatemos muitas fêmeas nos últimos três anos. A tendência é de menor oferta de animais terminados e possível valorização do boi gordo”, destacou Rodrigo Silva.

Mercado interno aquecido, mas exportações em alerta

Apesar da expectativa de aquecimento do consumo interno — impulsionado por eventos como a Copa do Mundo e as eleições — o setor enfrenta incertezas no comércio exterior. Medidas como a imposição de cotas de importação pela China podem alterar o fluxo das exportações brasileiras de carne bovina.

“Ou o Brasil aumenta seu consumo interno, ou precisará buscar novos parceiros comerciais para absorver o excedente de carne, principalmente após as restrições impostas pela China”, completou o coordenador do Imea.

Baixe aqui o relatório de abates do Imea

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Produção de suínos cresce 50% e abre espaço para novos investimentos

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A suinocultura de Mato Grosso do Sul cresceu aproximadamente 50% nos últimos três anos e já alcança cerca de 3,6 milhões de animais abatidos por ano. A expansão, que coloca o Estado entre os principais polos emergentes da atividade no País, estará no centro das discussões do VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, marcado para 17 de setembro, em Dourados (a cerca de 240km da capital, Campo Grande).

O avanço ocorre em uma região que até poucos anos atrás tinha participação bem menor na produção nacional de carne suína. Mato Grosso do Sul passou a ocupar a quinta posição no ranking brasileiro de abates, atrás de Estados com tradição muito mais antiga na atividade, como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Parte dessa expansão está associada à disponibilidade de milho e soja, principais componentes da alimentação dos animais e responsáveis pela maior parcela do custo de produção. A proximidade entre as granjas e as regiões produtoras de grãos reduz distâncias no abastecimento de ração e cria condições para a instalação de novas unidades produtivas e industriais.

Outro fator é o crescimento do número de matrizes. Em 2026, mais de 111,5 mil matrizes já estavam cadastradas no Programa Leitão Vida, política estadual de incentivo à produção. Até o início de junho, 272 estabelecimentos participavam do programa.

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No mesmo período, 1,63 milhão de suínos haviam sido abatidos dentro do programa e os incentivos concedidos aos produtores superavam R$ 45 milhões. A atividade também acumulou aproximadamente R$ 1,7 bilhão em cartas-consulta aprovadas pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) nos últimos sete anos.

A política de incentivo passou ainda por mudanças. O novo protocolo do Leitão Vida ampliou as exigências relacionadas à biossegurança, bem-estar animal, rastreabilidade, sustentabilidade e utilização de tecnologias nas propriedades.

Dos 272 estabelecimentos participantes neste ano, 239 já haviam migrado para o novo sistema de conformidade. A intenção é atrelar parte dos incentivos não apenas ao volume produzido, mas também ao cumprimento de padrões técnicos, sanitários e ambientais.

Para o produtor, essa mudança ganha importância porque a expansão da atividade depende cada vez mais do acesso a mercados exigentes. Sanidade, rastreabilidade e biossegurança deixaram de ser apenas questões internas das granjas e passaram a influenciar diretamente a capacidade de frigoríficos e produtores alcançarem novos compradores.

Mato Grosso do Sul também ampliou sua estrutura industrial. Unidades instaladas no Estado vêm aumentando a capacidade de abate, movimento necessário para acompanhar o crescimento das granjas e evitar um desequilíbrio entre a oferta de animais e a capacidade de processamento.

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A expansão da suinocultura cria ainda uma demanda adicional para a agricultura estadual. Cada aumento no alojamento de animais significa maior consumo de milho e farelo de soja, estabelecendo uma relação direta entre o crescimento das granjas e o mercado regional de grãos.

Esse movimento pode ser especialmente importante para regiões com grande produção de milho segunda safra. A instalação de unidades de produção animal permite transformar parte do grão dentro do próprio Estado em proteína de maior valor agregado, reduzindo a necessidade de transportar toda a produção agrícola por longas distâncias até outros centros consumidores.

O crescimento, entretanto, exige investimentos elevados. Construção e modernização de granjas, climatização, tratamento de dejetos, biossegurança, armazenagem de ração e adequações ambientais aumentam a necessidade de capital e tornam a expansão dependente de planejamento financeiro e acesso ao crédito.

Consolidado como um dos principais encontros da suinocultura no Centro-Oeste, o Fórum ocorre justamente quando Mato Grosso do Sul tenta transformar o forte crescimento dos últimos anos em uma cadeia maior, mais tecnificada e com maior participação nos mercados nacional e internacional.

Serviço

VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul
Data: 17 de setembro de 2026
Horário: 7h às 18h
Local: Unigran – Dourados (MS)

Fonte: Pensar Agro

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