Agro
Governo tenta segurar diesel com três frentes, mas alta continua pressionando o agro
O diesel voltou a subir no país nas últimas semanas, pressionando custos no campo e levando o governo a reagir com medidas emergenciais. A alta combina fatores externos, reajustes na refinaria e repasses ao longo da cadeia, com impacto direto sobre a produção agrícola.
O movimento começou em março, quando a Petrobras reajustou o preço do diesel em 11,6% nas refinarias, após mais de 300 dias sem aumentos. Desde então, a escalada do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, elevou ainda mais a pressão sobre os combustíveis.
Em menos de dois meses, o barril do tipo Brent saiu da faixa de US$ 70 para próximo de US$ 100. Como o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, o aumento passou a ser incorporado ao mercado interno, sobretudo via importadores e refinarias privadas.
Além da alta na origem, o setor produtivo aponta que os repasses na cadeia de distribuição têm ampliado o impacto. Após a venda da rede de postos da BR Distribuidora, o mercado de combustíveis ficou sem controle. Hoje, a Petrobras define o preço na refinaria, mas o diesel passa por distribuidoras e revendas independentes até chegar ao produtor.
Nesse modelo, cada etapa adiciona sua margem, e o repasse não é automático: o preço pode subir rapidamente quando o custo aumenta, mas nem sempre recua na mesma velocidade, ampliando a diferença entre regiões e o impacto no campo.
O resultado aparece nas bombas e no bolso do produtor. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o diesel S10 subiu 21,1% entre o fim de fevereiro e o início de abril, alcançando R$ 7,23 por litro, com valores próximos de R$ 8 no interior, segundo levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul.
O impacto estimado sobre o agronegócio gaúcho é de R$ 612,2 milhões, justamente no período de colheita da safra de verão e preparação da safra de inverno.
Em outras regiões, a pressão também é evidente. No Centro-Oeste, em estados como Mato Grosso e Goiás, produtores relatam aumentos entre 10% e 18%. No Paraná, a alta é mais moderada, mas já afeta margens.
O efeito varia por cultura. O arroz é o mais sensível, com aumento de R$ 185,72 por hectare — equivalente à perda de quase três sacas. Na soja, o impacto por área é menor, mas ganha escala, superando R$ 330 milhões em perdas no Rio Grande do Sul.
Diante da escalada, o governo federal atua em três frentes. Já reduziu tributos federais sobre o diesel, articula com estados a redução do ICMS com compensação da União e estuda um subsídio direto ao diesel importado, que pode chegar a R$ 1,20 por litro.
Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, 26 estados já aderiram à proposta de redução conjunta de impostos, embora o governo não tenha informado qual unidade ainda está fora do acordo.
Mesmo com as medidas, o efeito tende a ser limitado no curto prazo. A dependência de importação e o cenário geopolítico mantêm o diesel como uma das principais variáveis de risco para o agronegócio em 2026.
No campo, o combustível deixou de ser apenas um custo operacional e passou a ocupar posição central na estrutura de produção. Em um ambiente de crédito caro e margens apertadas, a combinação de alta internacional e repasses na ponta amplia a pressão sobre o resultado da safra.
Fonte: Pensar Agro
Agro
Petróleo despenca com reabertura do Estreito de Ormuz e pressiona commodities agrícolas no mercado global
Reabertura do Estreito de Ormuz derruba petróleo no mercado internacional
Os preços do petróleo registraram forte queda nesta sexta-feira (17), após a confirmação da reabertura do Estreito de Ormuz pelo governo do Irã. A notícia teve impacto imediato nos mercados globais, ampliando a percepção de aumento na oferta e redução de riscos logísticos na região.
Por volta das 10h20 (horário de Brasília), os contratos futuros do WTI recuavam cerca de 11%, enquanto o Brent caía mais de 10%, com os barris cotados a US$ 84,23 e US$ 89,35, respectivamente.
Além da reabertura da rota estratégica, o movimento também reflete a expectativa crescente de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, o que contribui para aliviar tensões geopolíticas e pressionar as cotações da commodity.
Queda do petróleo arrasta complexo soja e amplia perdas em Chicago
O recuo expressivo do petróleo impactou diretamente o complexo soja, especialmente o óleo de soja, que liderou as perdas na Bolsa de Chicago.
Os contratos mais negociados registravam queda próxima de 3%, com o vencimento de julho sendo cotado a 67,12 cents de dólar por libra-peso. A pressão sobre o óleo acabou refletindo também nos preços do grão, que operavam em baixa.
A soja apresentava recuos entre 4,25 e 5,25 pontos nos principais vencimentos, com o contrato de maio cotado a US$ 11,58 e o de julho a US$ 11,75 por bushel.
Milho, trigo e soft commodities acompanham movimento de baixa
Além da soja, outras commodities agrícolas também registraram perdas no mercado internacional.
O milho apresentava queda superior a 1%, enquanto o trigo recuava quase 2% na Bolsa de Chicago. Já na Bolsa de Nova York, os contratos futuros de café arábica e açúcar registravam perdas próximas de 2%, enquanto o algodão caía cerca de 0,7%.
O movimento generalizado de baixa reflete o ajuste dos mercados diante da nova dinâmica no petróleo e do ambiente geopolítico.
Geopolítica segue no radar e influencia mercados globais
A reabertura do Estreito de Ormuz ocorre em um momento de intensas movimentações diplomáticas. Além das negociações entre Estados Unidos e Irã, o cenário também inclui avanços no Oriente Médio, como o cessar-fogo entre Líbano e Israel.
A expectativa por novos acordos internacionais contribui para a redução dos prêmios de risco, impactando diretamente os preços das commodities energéticas e agrícolas.
Soja apresenta comportamento misto com pressão da demanda externa
Apesar da forte queda nesta sexta-feira, o mercado da soja vinha apresentando comportamento misto nos dias anteriores, influenciado por fatores distintos.
Na Bolsa de Chicago, os contratos mais curtos foram pressionados pelo desempenho fraco das exportações semanais, que totalizaram 247,9 mil toneladas, uma queda de 16% em relação à semana anterior. A baixa participação da China, com apenas 15,8 mil toneladas adquiridas, também pesou sobre as cotações.
Além disso, a redução das áreas sob seca nos Estados Unidos favoreceu o avanço do plantio, aumentando a pressão sobre os preços.
Óleo de soja sustentava mercado antes da queda recente
Antes do movimento de baixa generalizada, o óleo de soja vinha atuando como fator de sustentação dos preços, impulsionado por esmagamento recorde e estoques mais apertados.
Esse cenário ajudava a limitar as perdas nos contratos mais longos da soja, evidenciando a importância dos derivados na formação de preços do complexo.
Safra brasileira avança com desafios regionais e custos elevados
No Brasil, a colheita da soja avança de forma desigual entre os estados, refletindo condições climáticas e limitações estruturais.
No Rio Grande do Sul, os trabalhos alcançam cerca de metade da área, com produtividade média de 2.871 kg por hectare, mas com forte variação entre regiões. Em Santa Catarina, o ritmo é mais lento, impactado por dificuldades de armazenagem e escoamento.
No Paraná, apesar da produção recorde estimada em 22 milhões de toneladas, os produtores enfrentam margens apertadas devido ao câmbio e aos custos logísticos.
Centro-Oeste enfrenta gargalos logísticos e pressão sobre rentabilidade
Nos estados do Centro-Oeste, como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a safra recorde evidencia problemas estruturais, especialmente na armazenagem.
A falta de capacidade para estocagem força a comercialização imediata da produção, elevando custos de transporte e reduzindo a rentabilidade do produtor, mesmo em um cenário de alta produtividade.
Mercado segue volátil com influência do petróleo e da geopolítica
O cenário atual reforça a forte correlação entre o mercado de energia e as commodities agrícolas. A queda abrupta do petróleo, aliada às mudanças no ambiente geopolítico e aos fundamentos de oferta e demanda, mantém a volatilidade elevada.
Para os próximos dias, o mercado deve seguir atento aos desdobramentos internacionais e aos indicadores de demanda, que continuarão sendo determinantes para a formação dos preços globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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